A aposentada Maria Rita Pereira, 115 anos e 100 dias de idade completados nesta segunda-feira, 25, não consta da lista de pessoas vivas mais longevas do mundo, comprovada documentalmente e reconhecida pelo Guinness World Records ou pelo Gerontology Research Group (GRG), mas o site tribunanorteleste.com.br vai buscar a inclusão dela na lista.
Hoje, com o anúncio da morte da japonsesa Kane Tanaka, 119 anos, dona Maria Rita Pereira, que nasceu na região do Contestado, em 15 de janeiro de 1907, no município hoje conhecido por Mutum (MG) já pode ser considerada a terceira pessoa viva mais longeva do mundo.
Maria Rita recebeu o título de cidadã francisquense no ano passado, concedido pela Câmara de Vereadores, por iniciativa do presidente da Casa, Ademar Antônio Vieira, o Lemão Vitorino, após 35 anos morando no município.

Quando migrou para a região, veio inicialmente para o leste de Minas, ainda bem jovem, montada em lombo de burros ou mulas, únicos meios de transporte de alimentos e outras provisões daquele tempo e morou por vários anos em São João do Manteninha (MG).
As tropas saíam da região de São Manoel do Mutum em direção ao “norte”, como era chamado o promissor Patrimônio de São Sebastião (hoje Barra de São Francisco), subindo pelo rio José Pedro, até alcançar o rio Manhuaçu, onde atravessavam o rio Doce, em balsas, e seguiam por Baixo Guandu e Pancas, ou mesmo por Resplendor até alcançarem a região.
Ela também viveu em Ecoporanga durante um tempo e, pelos cálculos da filha Zenilda, a dona Santa, vive em Barra de São Francisco há cerca de 35 anos
Casou-se com 25 anos de idade, ainda em Mutum (MG). A idade do primeiro casamento é calculada com base na idade da filha mais velha, Maria Pereira da Silva, que, se viva fosse, estaria com 86 anos. Depois dessa, vieram Ozias, que morreu aos 7 anos de idade, José Raimundo, que teria 84 anos, Zenilda Rita de Jesus, a dona Santa, única viva, com 71 anos, e Zenildo, que teria 69 anos. Este, ficou 30 anos sumido para Rondônia, até o reencontro com a família, pouco antes de morrer.
O primeiro esposo chamava-se Raimundo José Pereira, que é o pai de todos os filhos dela. Depois que este morreu, coincidentemente, casou-se com outro Raimundo José Pereira, mas ficou viúva novamente, depois que este foi envenenado.
Entre os dois Raimundos, ainda teve outro marido, que chamava-se Albertino e morreu com 76 anos. O último marido o outro Raimundo José Pereira, que tinha o mesmo nome do primeiro, morreu aos 70 anos, quando dona Rita já tinha 98.
“Se a gente deixasse, ela teria arrumado outro”, conta a neta Rosineia, 48 anos, filha de Zenilda Rita de Jesus, 71 anos, conhecida como Santa, e única filha viva de dona Rita e com quem mora. O pai de Santa, o primeiro Raimundo José, morreu com 45 anos e o segundo marido, Albertino, morreu com 76.
Hoje ela tem cerca de 100 descendentes, em seis gerações, a maioria deles radicada no Mato Grosso e Rondônia, além do Paraná.
Sem ter estudado, dona Maria Rita criou todos os filhos na roça, trabalhando em serviços como capina, plantio de fumo – o pai era produtor de fumo – e ajudando os pais nos afazeres domésticos.
Dona Maria Rita Pereira assumiu a liderança de pessoa mais velha do Espírito Santo antes de completar 115 anos, com a morte de Esberta Evangelista dos Santos, a dona Caçula, em São Mateus, onde nasceu e viveu. Dona Caçula já estava muito debilitada, em cima de uma cama, como registrou o jornal local Tribuna do Cricaré. De acordo com o historiador Eliezer Nardoto, dona Caçula morreu pouco depois de completar 115 anos no dia 18 de janeiro de 2020.
No entanto, nem o Guinnes nem o GRC têm em sua lista outras duas mulheres brasileiras: dona Severina Conceição, nascida em 7 de janeiro de 1904, e que completou 118 anos em 2022, e dona Inocência Vieira de Jesus, de Paulo Afonso (BA), nascida em 16 de julho de 1906.
Kane Tanaka
A japonesa Kane Tanaka, reconhecida como a pessoa mais velha do mundo faleceu aos 119 anos, anunciaram nesta segunda-feira, 25, as autoridades locais.
Kane nasceu em 2 de janeiro de 1903 na região de Fukuoka (sudoeste do Japão), no mesmo ano em que Marie Curie se tornou a primeira mulher a vencer um Prêmio Nobel.
Tanaka tinha uma saúde relativamente boa até recentemente e morava em uma casa de repouso, onde gostava de jogos de tabuleiro, de resolver problemas matemáticos, refrigerantes e chocolate.
Na juventude, ela teve vários negócios, incluindo uma loja de macarrão e uma de bolos de arroz. Kane se casou com Hideo Tanaka há um século, em 1922, com quem teve quatro filhos e adotou um quinto.
Ela pretendia usar uma cadeira de rodas para participar no revezamento da tocha dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, mas a pandemia impediu sua presença.
Quando o Guinnees, o livro dos recordes, a reconheceu como a pessoa mais velha do mundo em 2019, ela foi questionada em que momento de sua vida foi mais feliz e respondeu: “Agora”.
Sua rotina diária foi descrita como: acordar às 6h e tardes dedicadas a estudar matemática e praticar a caligrafia.
“Um dos passatempos favoritos de Kane é uma partida de Othello e se tornou uma especialista no clássico jogo de tabuleiro, vencendo com frequência os funcionários da residência”, afirmou o Guinness.
O governador local Seitaro Hattori destacou a vida de Tanaka, que faleceu em 19 de abril.
“Planejava encontrar Kane no Dia do Respeito aos Idosos deste ano (uma data nacional em setembro) e celebrar com seu refrigerante e chocolate. A notícia me deixa muito triste”, afirmou em um comunicado divulgado nesta segunda-feira.
De acordo com dados do Banco Mundial, o Japão é o país com a população mais longeva do mundo, com 28% de pessoas com 65 anos ou mais.
A pessoa viva mais velha verificada pelo Guinness foi a francesa Jeanne Louise Calment, que morreu aos 122 anos e 164 dias em 1997.
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