O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta terça-feira, 24 que o novo comandante do Exército, Tomás Paiva, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um “crédito de confiança” para solucionar a crise entre a Força e o Palácio do Planalto.
Nesse contexto, segundo o ministro, Tomás pediu para tomar à frente nas discussões com o Exército sobre a situação do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) investigado pela Polícia Federal por transações suspeitas em favor da família do mandatário.
“Estou torcendo para que o general Tomás vá dizer ao presidente que vai fazer aquilo que o presidente deseja que faça. A gente precisa que agora, para que nasça esse clima de confiança, de que o outro saiba o que vai se fazer, é muito importante que essa iniciativa seja do Exército”, disse o ministro à GloboNews.
Ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid não vai mais comandar o 1º Batalhão de Ações e Comandos, unidade de Operações Especiais, em Goiânia (GO). A designação para o cargo havia sido feita no ano passado e ele assumiria o posto no mês que vem. A decisão foi tomada após uma reunião com o novo comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, segundo o jornal O Globo apurou.
Um dos mais influentes assessores de Bolsonaro durante os quatro anos de governo, Cid foi um dos motivos que levaram o ex-comandante do Exército Júlio César Arruda a ser demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último sábado, 21. O ex-comandante resistiu em impedi-lo de assumir a função.
Na reunião com o general Tomás, de acordo com relatos de militares, o comandante teria convencido Cid, alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), que o contexto político não era favorável e, portanto, um afastamento seria uma melhor saída tanto para o próprio tenente-coronel quanto para o Exército neste momento de crise.
De acordo com militares com conhecimento da conversa, Cid concordou em perder o batalhão e agora aguardará que a Força o designe para outro posto. Ao não impor resistência, o tenente-coronel poderá, no futuro, participar de processos seletivos para outros postos comandos.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro assumiria o 1º Batalhão de Ações e Comandos, unidade de Operações Especiais, em fevereiro. Cid foi designado para o posto em maio do ano passado, após passar por um processo de seleção iniciado em setembro de 2021.
O Palácio do Planalto já havia indicado ao então comandante do Exército que esperava que a nomeação do ex-assessor de Bolsonaro fosse anulada, uma vez que Cid é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). General Arruda, porém, não fez a mudança, alegando que decisões administrativas do Exército cabia ao comandante.
Arruda acabou demitido no último sábado. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, justificou a troca no comando alegando que houve “fratura de confiança” na relação com o Exército.
O presidente Lula nunca digeriu o fato de Arruda ter sido contra a prisão imediata de golpistas que invadiram as sedes dos Poderes em 8 de janeiro e estavam alojados em um acampamento em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília. O general alegava que havia mulheres e crianças no local que poderiam ser vítimas de um eventual confronto com a Polícia Militar. Essa postura irritou o presidente e ministros do governo, que passaram a pressionar o ministro da Defesa.
Além de Cid, outros dois militares ainda são vistos com reservas por interlocutores do Planalto. Um deles é o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, atual chefe do Comando Militar do Planalto (CMP). Aliados de Lula acreditam que ele pode ter sido leniente com os golpistas. Outro que gera desconfianças junto ao governo é o tenente-coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora, chefe do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), gravado discutindo com policias militares enquanto vândalos destruíam o Palácio do Planalto. (Da Redação com Folha Presse e O Globo)































