Mais um crime bárbaro, cometido por motivo torpe e apenas pela crença de traficantes de que podem controlar comunidades onde atuam, com poder sobre a vida das pessoas que por ali circulam, foi elucidado pela Divisão Especializada em Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, com a prisão de quatro pessoas, sendo dois adultos e dois adolescentes. O crime ocorreu no último domingo (6). O crime foi elucidado e os autores presos em 72 horas.
João Lucas Souza da Silva, 21 anos, era um rapaz sem nenhum envolvimento com o crime de qualquer natureza, que morava em Zumbi dos Palmares, em Vila Velha, e nos finais de semana visitava regularmente sua mãe em São Diogo 2, na Serra. Foi o suficiente para que o traficante que controla o movimento de venda de drogas na região conhecida como Favelinha decidisse por sua execução.
O delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da DHPP da Serra, disse, em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (10), que investigou tudo sobre João Lucas e nada encontrou que pudesse associá-lo a atividades criminosas. “Ele teve sua morte decretada pelo traficante que comanda a Favelinha simplesmente porque ele achava que João Lucas estava indo ao bairro vender drogas ou observar o movimento do tráfico para informar a criminosos de Vila Velha”, disse Rodrigo.

A morte de João Lucas, informou a polícia, foi determinada por Guilherme Dutra Viana Teixeira, 21 anos, gerente do tráfico no local, e executada por um adolescente de 17 anos e por Lucas Rodrigues Machado, 20 anos. Outtro adolescente de 17 anos também participou e foi apreendido nesta quarta-feira (9), e encaminhado ao Ciases, onde foi decretada sua internação.
Ao concluir as prisões, com esse adolescente, a Polícia divulgou detalhes do crime e da operação, numa entrevista na sede da Secretaria de Segurança Pública, com a participação do chefe da Polícia Civil, delegado José Darcy Arruda, que enfatizou a crueldade e a inconsequência dos jovens que executaram o crime. “A gente espera que esses adolescentes se recuperem e voltem a conviver em sociedade. Se não se recuperarem, vão ter que pagar o preço da escolha”, disse Arruda.
Guilherme Dutra, apesar de ter apenas 21 anos, já cumpriu duas penas por tráfico de drogas desde 2021 e, agora, vai para a terceira, com agravante do homicídio contra João Lucas e outro homicídio pelo qual também é investigado e estava com prisão decretada – o mandado também foi cumprido e ele vai responder pelas duas acusações. Além disso, responderá pela tentativa de homicídio contra a mãe de João Lucas, que foi ferida no braço.
“O Guilherme é quem comanda o tráfico e determina a morte das pessoas na região”, disse Rodrigo Sandi. No caso de João Lucas, após observar suas visitas ao bairro, sempre nos finais de semana, Guilherme determinou que um adolescente fosse à casa da mãe do rapaz chamá-lo para que fosse executado em outro local, longe de testemunhas.

ORDEM DE EXECUÇÃO
Como já conhece a situação no bairro, a mãe de João Lucas disse ao adolescente que o filho não sairia e que, se alguém quisesse falar com ele, que tinha ir lá, na presença dela, que ficaria esperando do lado de fora. Quando recebeu o recado, Guilherme ordenou que outro adolescente, em companhia de Lucas Rodrigues fossem lá e matasse João.
Quando chegaram, o rapaz estava sentado na calçada com a mãe, que tinha no coloco uma bebê de um ano e dez meses. Já chegaram atirando contra João Lucas, que morreu na hora. A mãe do rapaz largou a bebê no chão e partiu para cima dos criminosos, pedindo que parassem de atirar em seu filho. Lucas Rodrigues ainda tomou a arma da mão do adolescente e atirou contra a mãe de João Lucas, mas errou e o tiro acertou no braço dela.
Segundo Rodrigo Sandi, a DHPP tem mapeados todos os pontos de drogas da Serra e as gangues que brigam entre si pelo movimento do tráfico. Quando o plantão da DHPP de Vitória pediu as informações, ele já passou as qualfiicações e fotos dos suspeitos e, de imediato, Guilherme foi preso.
No dia seguinte, a DHPP da Serra assumiu o caso, foi ao local e prendeu Lucas Rodrigues e o adolescente que atirou em João Lucas. As investigações prosseguiram e, nesta quarta-feira (9), o outro adolescente também foi apreendido e conduzido ao Ciases. No local onde estava Lucas e o adolescente foram apreendidas drogas e dinheiro do tráfico.

Ao prestarem depoimento, os adolescentes assumiram a participação no crime, mas os adultos negaram. “É assim que eles fazem, jogam em cima dos adolescentes, que têm pena menor. Mas temos elementos de provas contra eles, inclusive da testemunha chave, a mãe do João Lucas. Somente peço a prisão quando tenho todos os elementos de prova, para concluir o inquérito e encaminahar à Justiça”, disse o delegado Rodrigo Sandi Mori.
O delegado salientou que ficou claro nos depoimentos que Joáo Lucas não foi confiundido com ninguém, mas que teve sua morte decretada por Guilherme por sua própria deliberação com base em suposições.
“Guilherme é o gerente do tráfico na Favelinha de São Diogo 2, é a voz de comando e quem ordena homicídios. Com 21 anos, já tem duas condenações e agora vai para a tercdeira. Ele entrou no presídio em dezembro de 2021 (portanto, com 18 anos) e saiu em abril de 2022. Entrou de novo em agosto de 2022 e saiu em dezembro de 2023. Nesse período, já teve dois anos e dez meses de condenação”, disse Sandi.
Embora as investigações policiais, em princípio, não tenham encontrado qualquer ligação de João Lucas com o crime, uma foto das redes sociais da vítima divulgada pelas autoridades mostra João fazendo o sinal “3”, que no mundo do crime é associado ao Terceiro Comando Puro, organização criminosa em guerra com o Primeiro Comando de Vitória (PCV). A Polícia vai averiguar se essa foto pode ter sido o motivo da suspeita dos traficantes de São Diogo 2 de que João Lucas fosse traficante ou olheiro de outros criminosos. (Da Redação com SESP)

































