O empresário William Telles, que seria um dos sócios de uma empresa de exportação de café localizada na Avenida das Nações, em Colatina, e que foi preso na Operação Chapa Branca, deflagrada nesta terça-feira (14), pela Polícia Federal, tinha em casa duas pistolas e farta munição, conforme confirmou a Assessoria de Comunicação da instituição policial. Ele também morava numa casa de alto luxo, com piscina em seu interior.
A empresa da qual o empresário seria sócio tem 11 anos de funcionamento, estando ativa desde 13 de agosto de 2012 e é classificada como comércio atacadista de pequeno porte, com até dez funcionários. Em Colatina, é sua matriz. A empresa, cujo negócio principal é o comércio de café, possui uma filial em Itabela, BA, onde muitos fazendeiros capixabas produzem café conilon e estão em conflito com indígenas em busca de retomada do que acreditam ser deles por direito.
Apesar de ter um nome muito parecido com outra empresa do mesmo ramo, com sede em Linhares, a empresa de Colatina não tem nenhuma relação com sua congênere linharense, que pertence a um rico empresário do município. A de Colatina é conhecida como sendo de irmãos de uma família muito tradicional da cidade, cujo sobrenome de origem italiana está vinculado a negócios comerciais de diferentes áreas.
Os investigados na Operação Chapa Branca poderão responder pela prática do delito de associação para o tráfico, tráfico internacional e interestadual de drogas e, eventualmente, pela lavagem de capitais. Se condenados, as penas aplicadas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
PRESO
Preso no sistema penitenciário estadual, o empresário Willian é investigado por pertencer a uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas, que tentou utilizar os portos do Espírito Santo para enviar grande quantidade de cocaína para a Europa ocultada em pisos de mármore e granito. Na casa de luxo em que o empresário mora, os policiais cumpriram o mandado de busca e encontraram as armas.
A Polícia Federal não confirmou, mas a vinculação do empresário de Colatina com a quadrilha internacional de tráfico de drogas pode estar associada à apreensão que agentes da Receita Federal e da Polícia Federal fizeram de 772 kg de cocaína, oculta em meio a um carregamento de café no Porto de Santos (SP).
Tratava-se de uma carga de 640 sacas de café, totalizando 38 toneladas, destinada ao Porto de Antuérpia, na Bélgica. Na conclusão dos trabalhos, foram identificadas 30 sacas contaminadas com tabletes de cocaína.
A Polícia Federal foi acionada para os procedimentos de polícia judiciária da União e para realizar a perícia no local dos fatos, a fim de subsidiar a investigação a ser conduzida em inquérito policial.
Durante a operação que resultou na prisão do empresário capixaba, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva nos estados do Espírito Santo, Paraná, São Paulo, Pernambuco e na Hungria.
Também foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, nos mesmos estados, a saber: um no Espírito Santo, na cidade de Colatina; dois em Santa Catarina, na cidade de Balneário Camboriú; sete no Paraná, três em São Paulo e um em Pernambuco.
Um fuzil de 7.62 milímetros, carros luxo (uma BMW e uma caminhonete SW4) e motocicleta tipo esportiva, dinheiro e munições foram encontrados durante operação em Balneário Camboriú. Em São Paulo foram apreendidos uma Porshe e um Jeep Renegade.
Com as medidas cumpridas na manhã desta terça (14), a Polícia Federal considera que todos os envolvidos no envio da carga apreendida em Cachoeiro de Itapemirim foram identificados e agora seguirão à disposição da Justiça Federal para responderem ao processo criminal.
ENTENDA O CASO
A investigação teve início no mês de outubro do ano de 2021. No dia 7 daquele mês, a Polícia Civil capixaba apreendeu 350 quilos de cocaína que eram descarregados de um caminhão em Morro Grande, próximo à BR 482, que liga Cachoeiro a Alegre, e que seriam, na sequência, ocultados numa carga de chapas de granito e exportados para um porto da França, na Europa.
A apreensão foi resultado da Operação Atol de Ailok, cuja investigação durou três meses. A droga estava numa carreta bi-trem e dois suspeitos foram presos: um empresário de 34 anos e um ex-policial de 44, que já havia sido expulso da Polícia Militar por associação ao tráfico de drogas, foram presos. Os dois foram autuados em flagrante pelo crime de tráfico internacional de drogas. Os nomes dos presos não foram divulgados.
Enquanto o empresário de 34 anos é morador de Cachoeiro, o ex-policial é de Linhares. O titular da Deic de Cachoeiro de Itapemirim e responsável pela investigação, delegado Rafael Amaral, explicou a participação de cada um no esquema de tráfico.
“O detido de 34 anos assumiu que foi o responsável por intermediar o envio dos 350 pacotes de cocaína para a Europa. O detido de 44 anos também confessou sua participação e explicou que o entorpecente seria enviado para a Bélgica, escondido em chapas de granito que foram serradas e, posteriormente, seriam lacradas com chapas inteiras, para camuflar a droga, e embarcadas em contêineres em um porto de Vitória”, contou.
Um terceiro homem, motorista do caminhão carregado com a droga, conseguiu fugir, mas foi identificado e capturado em São Paulo, sendo preso em cumprimento de mandado de prisão preventiva. Em razão da rápida percepção de que se tratava de um caso de tráfico internacional, o caso foi encaminhado para a Polícia Federal.
ESCOBAR BRASILEIRO
A partir desse momento, foram estabelecidas amplas medidas de investigação e cooperação internacional visando obter junto a outras equipes da Polícia Federal, Estados Unidos e Europa, provas que pudessem ajudar a determinar os demais envolvidos na exportação criminosa que iria utilizar a estrutura portuária do Espírito Santo.
No decorrer da apuração, verificou-se que a droga foi adquirida na Bolívia e seguiria para o porto de Le Havre na França de onde seria distribuída para outros países daquele continente.
Controlando a ação em solo nacional, uma das maiores organizações criminosas em atuação no país, liderada pelo traficante conhecido como o “Escobar brasileiro”, considerado um dos maiores narcotraficantes do mundo em atividade.
O traficante havia sido preso em 2020, mas foi solto mediante fiança. Preso novamente em 21 de junho de 2022 na Hungria, numa parceria entre a Polícia Federal e a Polícia de Portugal, o traficante Sérgio Roberto de Carvalho, 63 anos, o Major Carvalho, da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, é investigado em vários países pelo envio de toneladas de cocaína a partir de portos brasileiros, em especial, o de Santos e Paranaguá e tentava colocar o Espírito Santo como alternativa para esses embarques.
QUEM É
Carvalho ganhou o apelido de Escobar em alusão ao narcotraficante colombiano Pablo Escobar. Ele comandava uma grande organização criminosa, que enviou 45 toneladas de cocaína para a Europa — um material avaliado em R$ 2,25 bilhões, segundo as investigações da Polícia Federal. O esquema teve início em 2017.
A droga era enviada pelos portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e outras cidades do Sul e Nordeste, destinados aos portos de Antuérpia (Bélgica); Gioia Tauro e Livorno (Itália); Hamburgo (Alemanha); Barcelona e Algeciras (Espanha), Lisboa (Portugal) e Le Havre (França).
Carvalho já estava na mira das autoridades internacionais pelas atividades ilícitas e chegou a ser dado como morto no dia 20 de agosto de 2020. O médico Pedro Martin Matos, de Málaga, foi quem assinou o atestado de óbito do criminoso e está sendo investigado.
Ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Carvalho começou a vida no crime ainda na década de 1980, quando foi investigado e denunciado pelo crime de contrabando. A primeira prisão foi em Guarujá, na Baixada Santista, em 15 de novembro de 1997. A ação ocorreu dias após a Polícia localizar uma aeronave com 250 kg de pasta base em uma propriedade rural dele em Rio Verde (MS).
Em 1999, o Major Carvalho cumpria pena no Presídio Militar de Mato Grosso do Sul e foi flagrado com US$ 180 mil e R$ 27 mil escondidos debaixo do colchão. No ano seguinte, ele deixou a prisão — e voltou sete anos mais tarde.
Em 2010, foi acusado de desviar R$ 3,9 milhões de um inventário e foi expulso dos quadros da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul apenas em 2018, dois anos após ter desaparecido de Campo Grande. Foi também naquele ano que ele foi visto pela última vez no Brasil.
As investigações da Polícia Federal indicavam que ele tinha fugido para Lisboa, em Portugal, usando documentos falsos. Ele chegou a ser preso em agosto do mesmo ano com o nome falso de Paul Wouter, acusado de ser dono de 1.700 quilos de cocaína apreendidos em um navio na Espanha. No entanto, pagou uma fiança de 200 mil euros e deixou o presídio.
Foi então que ele decidiu forjar a própria morte ao saber que o Ministério Público da Espanha iria pedir a condenação dele, com pena prevista de 13 anos e seis meses de prisão. Carvalho driblou por diversas vezes as autoridades europeias e até deixou para trás 11 milhões de euros escondidos em uma van em um apartamento na capital portuguesa.
O transporte por aviões particulares, o conhecimento dos procedimentos policiais, a utilização de documentos falsos bem elaborados e a lavagem de dinheiro dificultavam a localização do criminoso pelas autoridades.
Em junho de 2020, Carvalho foi acusado de se utilizar da pandemia da covid-19 para lavagem de dinheiro. A suspeita veio após um Boeing 747-400F, que vinha da China, pousar no aeroporto internacional de Florianópolis, carregado com 10 milhões de máscaras de proteção facial e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).
Na ocasião, as informações eram as de que os produtos tinham sido adquiridos por uma importação privada. No entanto, mais tarde, a Polícia Federal descobriu que a importação foi feita por uma empresa investigada por suspeita de ligação com a organização criminosa liderada por Carvalho.
Na ação que resultou em sua prisão em junho de 2022, policiais informaram que o Major Carvalho portava um passaporte mexicano falsificado. Os relatos dão conta de que ele não resistiu à prisão. (Da Redação com informações da PF e de agências nacionais)






















