A passagem do goleiro Bruno Fernandes, de 41 anos, pelo Capixaba Sport Club, equipe da primeira divisão do Campeonato Capixaba, durou pouco. Nesta sexta-feira (23), o jogador anunciou, por meio de vídeos publicados nas redes sociais, que foi demitido após cobrar salários atrasados e melhores condições de trabalho para os atletas do clube.
Segundo Bruno, a demissão teria ocorrido por mensagem de WhatsApp, enviada pelo presidente do Capixaba, Daniel Costa, após uma conversa que, de acordo com o goleiro, foi feita de forma “amigável”.
“Fui fazer uma cobrança ao presidente, de forma amigável. Antes que saia uma notícia dizendo que o Bruno foi dispensado, a verdade é que eu não fui dispensado, eu fui mandado embora por cobrar o certo: melhoria para os atletas, salários atrasados e uma estrutura melhor. O que ele fez? Digitou uma mensagem no WhatsApp e me mandou embora”, afirmou.
Ainda no vídeo, Bruno disse que deixa o clube “de cabeça erguida” e fez críticas duras à diretoria. “Não compactuo com vagabundagem e pilantragem”, declarou.
Alojamento precário
Além de comentar a demissão, o goleiro divulgou imagens do alojamento onde parte do elenco estava concentrada. Nos vídeos, é possível ver uma geladeira com pouca comida, que, segundo ele, não seria suficiente para alimentar mais de 20 atletas.
De acordo com Bruno, os alimentos seriam restos da partida contra o Forte, disputada na última quarta-feira (21), quando o Capixaba venceu por 2 a 0 — a segunda partida do goleiro pelo clube.
“Estou mostrando um pouco da realidade do clube. Esses caras estão sendo heróis dentro de campo, fazendo uma campanha sensacional, sem estrutura e com salários atrasados. O que foi combinado não foi cumprido até agora pela diretoria”, disse.
Falta de camas e estrutura
Em outro vídeo, Bruno mostrou um dos quartos utilizados pelos atletas. No local, havia apenas uma cama e vários colchões espalhados pelo chão. Também não foram vistos armários, e roupas e pertences pessoais ficavam sobre cadeiras ou dentro de malas.
“Ainda tem uma cama montada aqui, mas os outros atletas ficam no chão. É uma covardia o que estão fazendo com esses atletas. Esses meninos precisam de dignidade, do mínimo”, afirmou.
Ao final das publicações, o goleiro exibiu uma captura de tela de uma conversa em grupo de WhatsApp alertando os atletas sobre a falta de comida: “Tropa que está vindo do treino, já se prepare para comprar algo, porque está sem janta. Sem arroz, feijão, macarrão e carne”.
Versão do clube
Em entrevista ao perfil Arquibancada Digital, o presidente do Capixaba, Daniel Costa, negou irregularidades. Segundo ele, os salários estariam em dia, com previsão de pagamento até o dia 10 de fevereiro, e todos os atletas teriam sido informados previamente, antes da assinatura do contrato, sobre as condições do alojamento.
A Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (FES) informou que não recebeu nenhuma denúncia formal sobre o caso. Apesar disso, afirmou ser totalmente contra o descumprimento das regras de contratação e a não valorização dos atletas.
Histórico e passagem pelo Capixaba
Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, em 2010. Ele está em liberdade condicional desde 2023 e, desde então, vinha atuando em clubes de futebol amador pelo país.
Em outubro do ano passado, o goleiro defendia o Palmeiras do Recanto, de Pará de Minas (MG), quando comentou publicamente sobre o momento do filho Bruninho Samudio, goleiro das categorias de base do Botafogo e da seleção brasileira.
Anunciado como reforço do Capixaba para o Campeonato Capixaba 2026, Bruno estreou no dia 14, contra o Porto Vitória, na primeira rodada da competição. Titular e usando a faixa de capitão, ele não evitou a derrota por 2 a 0. (Da Redação com O Tempo)






















