A taxa de testes positivos para Covid-19 voltou a crescer no Brasil e no Espírito Santo, nas primeiras semanas deste mês.
Em Barra de São Francisco, a situação levou o secretário de Saúde de Barra de São Francisco, Elcimar de Souza Alves, a fazer um alerta à população do município para que procurem a vacina bivalente, disponível nas Unidades Básicas de Saúde municipais.
“Em contato com os membros do COSEMS, colegiado dos secretários de saúde dos municípios capixabas verificamos o crescimento no número de casos de Covid em todo o Estado. Em Barra de São Francisco os casos entraram em crescimento nas últimas semanas, felizmente casos com sintomas leves.
Com o crescimento no número de casos é muito importante que as pessoas tomem a dose de reforço da vacina bivalente que está disponível para a população . Pacientes não vacinados poderão desenvolver casos graves da doença”, observa ele.
A enfermeira chefe para a Covid-19 no município, Thayná Prudente Farias, conta que em outubro a demanda aumentou bastante em procura de atendimento de Covid e síndrome gripais.
“Foram realizados, 142 testes rápidos, com um total de 49 casos positivos até hoje, 25″, relata.
O horário de atendimento na Vila Landinha é 12h às 18h de segunda a sexta-feira, mas no local, a vacina contra a Covid-19 não é aplicada, somente nas UBS.

O aumento de casos no país ocorre diante de um cenário distinto do já verificado em momentos anteriores da pandemia, com a maioria da população já vacinada e menos risco de casos graves:
Variante: OMS monitora o aumento da circulação da Éris, uma subvariante da Ômicron, que é um dos fatores apontados por especialistas para o aumento dos casos.
Gravidade: Apesar de mais transmissível, a Éris não está associada a casos mais graves ou mortes; para a OMS, ela é uma “variante de interesse”, grau inferior ao das “variantes de preocupação”.
Vacinação: Brasil enfrenta a sazonalidade dos casos com maioria da população já tendo tomado as doses básicas da vacina, mas o reforço da vacina bivalente só foi aplicado em 15% do público-alvo.
Grupos vulneráveis: pessoas imunossuprimidas (com baixa imunidade, seja por doenças ou por transplante) devem redobrar o cuidado com aglomerações e sempre manter o uso de máscaras.
Duração da onda: na avaliação de Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, a atual onda da Covid deve durar entre 4 a 6 semanas.
Levantamento dos testes positivos
O aumento dos casos foi reportado por duas entidades. Um dos levantamentos é da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que representa laboratórios e clínicas privadas:
aumento de testes positivos de 6,3% (29 de julho a 4 de agosto) para 13,8% (em 12 a 18 de agosto)
“Possivelmente, sim, existe relação com a nova variante, que demonstrou ser muito transmissível, embora ela não traga quadros muito graves das pessoas que são infectadas”, afirma Wilson Shcolnik · Presidente do Conselho de Administração (Abramed).
Outra fonte é o Instituto Todos pela Saúde (ITpS), que analisa dados dos laboratórios Dasa, DB Molecular, Fleury, Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), Hilab, HLAGyn e Sabin:
aumento de testes positivos de 7% para 15,3% entre as semanas encerradas em 22 de julho e 19 de agosto
Segundo o ITpS, os percentuais mais elevados são observados nas faixas etárias de 49 a 59 anos (21,4%) e acima de 80 anos (20,9%).
Conforme mostra o infográfico abaixo, a atual taxa de 15,3% é inferior ao que foi visto até mesmo em dezembro do ano passado, quando os números chegaram a 38%.
Sars-Cov-2, um vírus que coexiste
A infectologista Carla Kobayashi afirma que é preciso considerar que o vírus da Covid vai “coexistir” como um vírus respiratório entre aproximadamente outros 20 que nos acometem sazonalmente. Ela pondera que o cenário hoje é muito diferente do visto no início da pandemia graças à vacinação, à imunidade adquirida e à evolução do vírus, que mudou para ser menos letal e mais transmissível.
“Acaba que é possível ter aquele aumento do número de casos pela sazonalidade do vírus, pela coexistência de ser um vírus respiratório circulando e causando as infecções (mais leves ou mesmo mais severas). Você pode ter uma pneumonia ainda pela Covid ou pode ter só sintomas gripais”, explica Kobayashi, acrescentando que a gravidade do quadro depende da situação de cada pessoa. (Da Redação com g1 Saúde)

























