
O Tribunal do Júri de Linhares condenou, por unanimidade, o réu Jonathan Marculino dos Santo, o Xipão, a 33 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do sargento da reserva Valdir Ferreira Campos, em 2008, num comício em que o militar buscava a reeleição como vereador de Sooretama, no Norte do Estado. Ele está preso desde 24 de novembro de 2020 na Penitenciária Estadual de Vila Velha.
Na época, Jonathan tinha 19 anos. Hoje, está com 36 anos, pois 17 anos se passaram desde o crime até à realização do júri. Ele é considerado bandido de alta periculosidade, que responde por vários outros crimes, e foi encontrado com a arma que matou o vereador, além de ter sido reconhecido por estar no local do atentado.
Três outros implicados no caso já morreram: os irmãos Ronivon e Romildo Vieira, mortos em disputas do tráfico em Sooretama, e Ulisses Costa Araújo, morto em confronto com a Polícia no Sul da Bahia.
Outro réu, Jhonnie da Silva Lima , foi condenado a apenas três anos e 8 meses, nos autos do processo 09055221-35.2009.8.08.0030, pois sua participação direta no crime não foi comprovada. Ele foi envolvido por ter sido encontrado em companhia dos acusados do crime.
Jhonnie está preso desde 13 de setembro de 2021 no Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares, onde continuará porque responde por outros crimes. Se não fosse o caso, deixaria a cadeia, pois seu tempo de prisão é maior do que a condenção.
O júri foi presidido pelo juiz Wesley Campana e o Ministério Público foi representado pelo promotor Claudeval França Quintiliano. A defesa de Jonathan questionou a não existência de mandante do crime no inquérito e se o mandante (que ela insinuou ser um político) receberia o mesmo tratamento que seu cliente. No final, o júri considerou Jonathan culpado por unanimidade.

“Eu acompanhei o júri, e pude observar como o Ministério Público, a justiça, um jurado, podem ser levados ao erro, se um inquérito começa errado, se a polícia não cumpre corretamente o seu papel. Ainda mais um caso que já ocorreu há quase 20 anos. O resultado no julgamento da morte do meu pai foi correto. Sempre tive dúvidas, na participação de um dos acusados. Se um indivíduo não deve, não tem que pagar por esse crime, por ser ele culpado de outros, mas sempre confiei na Justiça”, disse Edson Isidoro, filho da vítima.
CRIME EMBLEMÁTICO
Esse é um dos crimes mais emblemáticos do Espírito Santo, conforme painel publicado pelo próprio Tribunal de Justiça. O sargento Valdir Ferreira Campos havia assumido o mandato de vereador na cidade pelo PSDB, como suplente, e estava em campanha pela reeleição, quando foi baleado com sete tiros durante um comício no interior do município no dia 27 de setembro de 2008.
Socorrido pelo filho que o acompanhava, Edson Isidoro Ferreira Campos, que mais tarde tornou-se vereador da cidade e testemunha no júri, o policial militar aposentado Valdir Ferreira Campos acabou morrendo dias depois.
De acordo com a Polícia Civil, o candidato a vereador foi atingido por volta das 20h50, quando subia ao palanque do comício do então prefeito do município e candidato à reeleição, que reunia centenas de pessoas.
“Testemunhas disseram que um homem saiu de uma plantação e fez disparos contra o sargento Valdir [como é conhecido]. Houve muito pânico”, disse, na época, o delegado Carlos César Silva, responsável pelo inquérito. Um segundo homem fugiu com o atirador, segundo Silva.
O delegado afirmou, na época, ter duas hipóteses para o crime: vingança, por Campos ter sido policial militar, ou por motivação política e eleitoral. Edson Isidoro sustentou, durante todo esse tempo, que seu pai foi morto por motivações políticas, “pois incomodava muito a quem estava no poder”.
O médico Paulo Cuzzol, coordenador da UTI onde Valdir foi internado, disse que o candidato foi atingido na nuca, no tórax, nas nádegas e na barriga.
“Meu pai morreu por contrariar interesses políticos e econômicos em Sooretama. A eles não interessava que meu pai, que assumiu como suplente, se tornasse vereador porque iria passar quatro anos no calo deles. Se a polícia não concluiu isso, é por forças ocultas. É só ver quem era o delegado da época e onde ele está hoje. O inquérito só andou porque foi avocado pela DHPP de Vitória. A corrupção na DP de Sooretama era extrema”, disse o filho da vítima, Edson Isidoro Ferreira. (Da Redação)























