
Trezentos e vinte e quatro focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue encontrados em um espaço de três meses nos bairros e distritos de Barra São Francisco, quase 110 focos por mês, só da espécie aegypti, mas o levantamento aponta também o crescimento de outra espécie com potencial de transmissão da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana: O Aedes albopictus (saiba mais abaixo), que ‘emplacou’ 149 focos, ou seja, quase a metade da quantidade de focos do primo mais perigoso. Nessa contagem, a soma dos focos chega a 538, a maioria da sede.
Esse é o resultado do balanço do primeiro ciclo anual de investigação da Vigilância Ambiental em Saúde sobre os focos de mosquitos vetores de doenças transmissíveis ao ser humano, em Barra de São Francisco, de janeiro a março deste ano.
De acordo com a coordenada da Vigilância Ambiental em Saúde, Patrícia Moura, o órgão vem trabalhando intensamente na procura e erracadição de focos dos mosquitos, mas reforça que, o principal problema está dentro de residências e imóveis fechados, onde os agentes não conseguem controlar.
Patrícia ressalta que a Vila Landinha (incluindo a Vila Vicente) é a região campeã de focos, com 56 focos do aegypti e outros 43 do albopictus.
No interior, o distrito de Paulista é o campeão com 21 focos do aegypti e outros 10 do albopictus.
Além da mobilização geral dos agentes que estão trabalhando, inclusive, nos distritos, com recolhimento de materiais que possam acumular água e verificação de residências com apoio também de adolescentes do Projeto Jovem do Futuro, as secretarias municipais de Serviços e Limpeza Pública e a da Fazenda, estão percorrendo a cidade e fazendo a limpeza de terrenos baldios e lotes vagos, além de notificar os proprietários para que não joguem lixo nesses locais ou em via pública.
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+ SOBRE O ALBOPICTUS
Considerado vetor secundário do vírus da dengue, o Aedes albopictus – mosquito que apresenta características morfológicas semelhantes e a mesma capacidade de proliferação do Aedes aegypti – é motivo de preocupação em países asiáticos, uma vez que é responsável por alguns surtos da doença em regiões onde o A. aegypti não é encontrado.
No Brasil, apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos infectados com o vírus da dengue, a espécie é alvo de estudos que monitoram o crescimento de sua população e investigam o risco que podem representar na disseminação da doença.
Além da dengue, o Aedes albopictus é considerado transmissor potencial do vírus da chikungunya, da zika e da febre amarela. Estudos mostram que ele pode infectar-se com o vírus dessas doenças e transmiti-lo para seus descendentes (transmissão vertical).
A presença desse mosquito foi registrada no país, pela primeira vez, nos estados do sudeste (Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo), na década de 1980. Em pouco tempo, porém, ele foi identificado em praticamente todo território nacional. Oriundo da Ásia, possui patas com listas brancas semelhantes às do Aedes aegypti. No entanto, são insetos maiores, mais escuros e possuem apenas uma lista branca no centro e ao longo das costas. Seu ciclo evolutivo é semelhante do do A. aegipty.
Encontrado tanto na zona urbana como na rural, têm preferência por áreas cobertas por vegetação (por isso é considerado um mosquito de jardim), no entorno ou mais distante das residências. Instala seus criadouros em orifícios existentes nos troncos das árvores, em cascas de frutas ou em recipientes abandonados no meio da vegetação.
O Aedes albopictus alimenta-se de sangue humano ou de qualquer outro animal mamífero ou silvestre e é mais resistente ao frio do que o Aedes aegypti. Essa capacidade de fácil adaptação ao ambiente torna seu combate mais difícil. De certa forma, ele representa também uma ameaça, haja vista que pode transformar-se num potencial vetor de vírus silvestres para a população urbana.
Dengue
No Brasil, ainda não foram registrados casos de transmissão do vírus da dengue pela picada do A. albopictus. Mesmo assim, a espécie é alvo de estudos que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos biológicos e ecológicos em comparação aos do A. aegypti.
(Da Redação com Drauzio Varella)
























