O avanço acelerado da população idosa no Espírito Santo e a chegada do período de maior circulação de doenças respiratórias colocaram um problema pouco discutido no radar de especialistas: o impacto das doenças periodontais e infecções bucais na saúde de idosos.
Dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com base no Censo 2022 do IBGE, mostram que o número de idosos no estado cresceu 73,1% entre 2010 e 2022, passando de 364,5 mil para 631,3 mil pessoas. Em Vitória, já são mais de 64,8 mil moradores acima dos 60 anos.
O cenário preocupa profissionais da área da saúde porque infecções bucais em idosos podem agravar quadros sistêmicos, principalmente doenças respiratórias.
Um estudo publicado em 2026 pela Revista Ciência em Saúde reforçou a associação entre doença periodontal e um maior risco de pneumonia, especialmente em pacientes fragilizados.

PROBLEMA SUBESTIMADO
Para a cirurgiã-dentista Cristiane Vasconcellos, especialista em odontogeriatria e diretora da Odontolar, clínica de Vitória especializada em atendimento domiciliar, hospitalar e geriátrico, o problema ainda é subestimado por muitas famílias e instituições de longa permanência.
“Existe uma percepção equivocada de que a saúde bucal do idoso se resume ao conforto ou à estética. Na prática, infecções gengivais e acúmulo bacteriano podem comprometer toda a saúde sistêmica, principalmente em idosos acamados, pacientes com doenças neurodegenerativas ou baixa imunidade”, afirma.
Segundo a especialista, durante o inverno o risco aumenta porque cresce a incidência de infecções respiratórias, pneumonias e internações entre idosos.
“A boca funciona como uma porta de entrada para bactérias. Quando há doença periodontal sem controle, essas bactérias podem migrar para o trato respiratório. Principalmente em pacientes que apresentam dificuldade de deglutição, uso prolongado de medicamentos ou dependência de cuidadores para higiene bucal diária”, explica.
O alerta se estende a idosos atendidos em casa, hospitais e instituições geriátricas. Pacientes acamados ou com mobilidade reduzida estão entre os mais vulneráveis, já que muitas vezes dependem integralmente de terceiros para realizar a higiene oral corretamente.
A ausência desse cuidado favorece inflamações persistentes, sangramentos gengivais, acúmulo de biofilme e proliferação bacteriana.
Entre os principais sinais de alerta estão:
• sangramento na gengiva;
• mau hálito persistente;
• dificuldade para mastigar;
• recessão gengival;
• mobilidade dentária;
• presença de feridas;
• acúmulo de secreções na boca;
• dor ou sensibilidade;
• recusa alimentar;
Segundo Cristiane, muitos desses sintomas acabam negligenciados porque familiares associam as alterações ao próprio envelhecimento.
“É comum o cuidador acreditar que sangramento gengival ou dificuldade para mastigar são naturais da idade, mas isso não é normal. Muitas vezes o quadro já está avançado quando o paciente começa a apresentar sinais mais graves”, diz.
O acompanhamento preventivo é apontado como uma das principais estratégias para reduzir riscos.
A recomendação é que idosos realizem avaliações odontológicas periódicas, mesmo quando utilizam próteses ou não apresentam dor aparente.
“O idoso não pode procurar atendimento apenas em situações de urgência. A prevenção reduz complicações, melhora alimentação, conforto e ajuda até na redução de infecções respiratórias”, afirma.
Nos casos de pacientes dependentes, a rotina diária também exige atenção específica. A higienização deve ocorrer após as refeições e antes de dormir, incluindo limpeza da língua, próteses e mucosas.
Em pacientes acamados, o posicionamento correto durante a higiene ajuda a evitar broncoaspiração e desconfortos respiratórios.
A especialista destaca ainda a importância da capacitação de cuidadores e equipes de saúde em instituições geriátricas e hospitais.
“Muitas vezes existe atenção à medicação, alimentação e banho, mas a higiene bucal ainda fica em segundo plano. Só que ela interfere diretamente na saúde sistêmica do paciente”, afirma.
Além da prevenção, os tratamentos variam conforme o estágio da doença periodontal e podem incluir raspagem periodontal, restaurações, controle bacteriano, laserterapia, reabilitação protética e acompanhamento contínuo.
Em pacientes fragilizados, o atendimento domiciliar tem ganhado espaço justamente por permitir acompanhamento frequente sem necessidade de deslocamento.
“Com o envelhecimento da população, a odontologia deixa de ser apenas um atendimento de consultório e passa a integrar o cuidado contínuo do idoso. A saúde bucal impacta alimentação, imunidade, recuperação clínica e qualidade de vida”, conclui Dra. Cristiane.

QUEM É?
Cristiane Vasconcellos é cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES).
Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares.
Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos.
Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes.
Já s Odontolar é uma clínica odontológica sediada em Vitória (ES) especializada no atendimento a idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida.
Com 25 anos de atuação, a clínica se consolidou como referência no Espírito Santo em odontogeriatria, odontologia hospitalar e atendimento domiciliar, levando estrutura clínica e tecnologia para pacientes que não conseguem se deslocar até consultórios tradicionais. (Da Redação com assessoria)
























