João Gualberto Vasconcelos*
Houve um tempo em que os empresários eram vistos pela sociedade como figuras caricatas, tiradas dos filmes do diretor francês Jean Renoir ou dos romances de Jorge Amado, em sua fase de maiores críticas sociais: verdadeiros tubarões em busca de lucros a qualquer preço e da exploração sem limites dos trabalhadores. É bem verdade que já houve um tempo em que as coisas eram assim: não havia limites para a exploração do ambiente e das pessoas.
Entretanto, a sociedade evoluiu muito, e não necessariamente porque alguns atores assim o quiseram isoladamente. O jogo do conjunto mudou. Basta observar o empoderamento feminino a que estamos assistindo nas últimas décadas, o crescimento do respeito às diferenças étnicas, às questões de gênero e a outros movimentos positivos da sociedade, para entendermos que a construção do futuro passa por outros eixos.
O mundo mudou e mudou para melhor em muitas coisas que dizem respeito a essas diferenças, algo que todos percebemos.
Existe, é verdade, um movimento regressionista em alguns setores sociais da maioria dos países do mundo ocidental, que deu origem a sentimentos ainda mais misóginos e até mesmo racistas entre aqueles favorecidos pela velha ordem. Entendo isso como um movimento passageiro, em termos da sociedade como um todo, uma espécie de tentativa de retorno ao passado, de querer negar os avanços que já estão instalados.
O mais perverso desses sentimentos dá origem ao feminicídio, no qual homens que se veem como “machos alfa”, pesarosos com o fim de suas dominações tóxicas e maniqueístas, agridem e até mesmo matam suas companheiras, em nome dessa dominação que chamam de amor.
Esse enorme equívoco certamente será suplantado pela marcha inexorável da história, que nos tornará mais justos e menos ameaçadores ao equilíbrio ambiental do planeta.
Homens e mulheres inspirados por novos ares estão tentando construir um mundo melhor. Não é diferente com as empresas, que têm tentado se tornar locais mais agradáveis para o trabalho e a prosperidade de todos. As instituições que representam o mundo dos empreendedores também têm passado por essa modernização em sua forma de agir.
O Espírito Santo tem dezenas de instituições com esse perfil, o de representar os empreendedores com um olhar no avanço social e outro no futuro econômico. Elas têm se organizado para lutar em comum pela qualidade de nosso espaço econômico e social.
Foi assim nos primeiros anos do século XXI, quando nossas instituições estiveram ameaçadas pela corrupção e falta de cuidado com as causas e as políticas públicas. Deverá ser assim também agora, na sucessão tanto nacional quanto regional.
É importante que todos os atores envolvidos no mundo empresarial estejam juntos, defendendo pautas que falem dos avanços que temos conseguido. Desde o primeiro governo desse novo ciclo, aquele comandado por Paulo Hartung, que temos visto um envolvimento de toda a sociedade nos rumos do estado.
A face mais visível de tudo isso são os planos de desenvolvimento feitos de forma compartilhada com a sociedade, como o ES 2015, o primeiro deles, até o Espírito Santo 500 anos, que acaba de ser aprovado, no último governo Casagrande.
Neles, a sociedade como um todo tem tido participação, e empresas especializadas, financiadas pelas entidades empresariais, têm sido responsáveis por sua elaboração.
Em seu conjunto, vêm apontando passos a serem dados pelos capixabas. Esse é um dos elementos centrais no sucesso que estamos obtendo na melhoria da oferta de serviços públicos, como educação, segurança e saúde. O Espírito Santo encontrou o seu caminho e só o fez porque muitos colaboram para isso.
Estamos diante de uma nova eleição. Nela, certamente, as entidades que representam o sistema empreendedor terão a oportunidade de expressar seu desejo de que a gestão pública continue focada no bem-estar de todos, exercendo o controle responsável dos gastos, o controle para que a corrupção não se instale e um planejamento de longo prazo, de tal forma que não repitamos, localmente, erros que temos visto serem praticados nacionalmente.
Temos uma verdadeira rede empresarial articulada no topo por líderes responsáveis, que certamente saberão exercer seu papel de guardiães da sociedade no controle da gestão pública.
O Espírito Santo vai bem e não pode fugir de sua rota de prosperidade.
*João Gualberto Vasconcelos é cientista político, professor emérito da Ufes.























