Um empresário capixaba, investigado pela Operação “Baest” por lavagem de dinheiro em associação com o Primeiro Comando de Vitória (PCV), foi preso na manhã desta sexta-feira (08.05) em cumprimento a ordem judicial expedida pela 2ª Vara Criminal de Vitória (ES), no âmbito das investigações realizadas pela Polícia Civil do Espírito Santo.
O empresário Adilson Ferreira foi preso preventivamente no aeroporto de Ponta-Porã, no Mato Grosso do Sul, na fronteira do Brasil com Pedro Juan Caballero, cidade de Paraguai conhecida como “Princesinha dos Ervais”. O apelido deve-se à grande produção de erva-mate na região, impulsionada pela Companhia Matte Laranjeira.
Por sua localização estratégica, Pedro Juan Caballero é também importante polo de tráfico internacional de drogas, disputado pelo Comando Vermelho (CV) e pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), as duas maiores organizações criminosas brasileiras, conforme demonstrado pela série “Territórios”, disponível na GloboPlay.
O PCV é uma organização criminosa do Espírito Santo, baseada no chamado Território do Bem (Bairros da Penha, Bomfim, São Benedito e Itararé), na capital. Atualmente, a organização é associada ao Comando Vermelho (CV), de quem adquire drogas. Depois da prisão de seus líderes, um grupo de traficantes não aceitou a nova liderança, promoveu uma dissidência e se associou ao PCC.
A investigação aponta que Ferreira utilizava empresas para movimentar recursos ilícitos do tráfico de drogas. O caso ganhou repercussão devido a diálogos suspeitos entre ele e Macário Judice, desembargador capixaba atualmente preso pela Polícia Federal no Rio de Janeiro.
Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal, Macário teria atuado para atender aos interesses de Adilson Ferreira, dono da Unique Serviços e Transportes, que disputava um contrato estimado em R$ 10,5 milhões para fornecimento de climatizadores.
Em março de 2026, Adilson Ferreira foi vítima de um atentado a tiros em Serra (ES), o que ele atribui à exposição de sua vida gerada pelas investigações policiais. Ferreira nega envolvimento com crimes e afirma que suas movimentações financeiras são lícitas e desvinculadas de organizações criminosas.
DENÚNCIA E PRISÃO
A prisão foi efetuada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-CENTRAL, do Ministério Público do Espírito Santo, com o apoio dos Policiais Militares do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES e apoio do GAECO do Estado do Mato Grosso do Sul.
As investigações da Polícia Civil resultaram em cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão, bloqueio de bens, entre outras medidas judiciais efetivadas no ano de 2025 (14/05/2025), ocasião em que foram colhidas provas que complementaram as investigações policiais iniciais.
Após análise de extenso material probatório produzido pela Polícia Civil, o Ministério Público ofereceu denúncia criminal, em 16/04/26, em face de núcleo de investigados (14 pessoas), pelos crimes previstos nos artigos 2.º, §4.º, I, da Lei n.º 12.850/13 (integrar organização criminosa), Art. 299, caput, do CP (falsidade ideológica), Art. 1.º, §4.º, da Lei n.º 9.613/98 (lavagem de capitais), Art. 4.º, “a”, da Lei n.º 1.521/51 (agiotagem), na forma do art. 69 do Código Penal (concurso material de crimes), com requisição de prosseguimento de investigações de outros crimes.
A denúncia foi recebida pelo Juízo da 2ª Vara Criminal de Vitória-ES em 27 de abril de 2026, com a determinação de medidas cautelares complementares, dentre elas, bloqueio de valores, apreensão de veículos, dissolução de empresas utilizadas em lavagem de capitais, proibição de contratar com o Poder Público.
As medidas cautelares foram efetivadas pelo GAECO-MPES na data de hoje (08/05/2026), além da prisão preventiva do empresário, identificado como líder da organização criminosa estruturada para atos de lavagem de capitais.
A OPERAÇÃO BAEST
A Operação “Baest” foi deflagrada há um ano, no dia 14 de maio de 2025, pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), com o apoio da Subsecretaria de Estado de Inteligência (SEI), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de droga.
Foram apreendidos 12 veículos de luxo, cinco armas de fogo, além de joias, obras de arte e nove imóveis que tiveram o bloqueio determinado pela Justiça.
A ação contou com o apoio da Superintendência de Inteligência e Ações Estratégicas (Siae), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), dos Departamentos Especializados de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), de Investigações Criminais (Deic) e de Narcóticos (Denarc), além do suporte operacional e logístico do Projeto I.M.P.U.L.S.E., que está inserida no Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Enfoc), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A operação foi realizada de forma simultânea nos estados do Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, com o apoio das Polícias Civis locais, e contou com a participação de mais de 100 policiais civis de todo o País.
No Espírito Santo, os mandados foram cumpridos nos municípios de Vitória, Serra, Vila Velha e Guarapari. A ação também contou com o acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB/ES).
Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, 29 bloqueios de contas bancárias, que totalizam, aproximadamente, R$ 104 milhões, e 17 mandados de sequestro de bens móveis e imóveis.
As investigações foram iniciadas em 2023 e envolvem a análise de um grande volume de dados financeiros e patrimoniais. Ao todo, 20 pessoas foram investigadas, entre elas empresários de diversos setores, uma advogada e um policial militar da reserva.
Durante as apurações, foram identificadas técnicas sofisticadas de lavagem de dinheiro, como o smurfing – prática que consiste na fragmentação de grandes quantias para dificultar o rastreamento –, compra e venda de imóveis e veículos de luxo, além da movimentação de recursos para regiões de fronteira, com o objetivo de financiar a aquisição de drogas e armas.
A operação contou com a participação de 4 Promotores de Justiça do GAECO, 14 agentes policiais e 8 policiais militares do BME/PMES.
Operação ‘Baest’ – Operação leva o nome de banda de black metal norueguesa e mira organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro do tráfico.
A ação penal estará pública a partir do cumprimento das medidas cautelares cuja publicidade represente risco à sua efetividade, conforme decisão judicial. (Da Redação)


























