Apesar da avaliação de melhora nas chances dos democratas vencerem, governistas descartam impactos imediatos na gestão Lula
A ala de relações exteriores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou como um “alívio” a desistência de Joe Biden da corrida eleitoral dos Estados Unidos. Ainda assim, a análise política do Planalto é de que há poucos reflexos imediados no Executivo e na militância progressista brasileira.
Segundo apurou o Poder360, para o Itamaraty, a saída do democrata da disputa deve dar um impulso na campanha do partido contra Donald Trump. A ideia é que, além das doações voltarem a chegar para Kamala Harris, o republicano vira o mais velho na disputa.
O governo brasileiro não sabe ainda se os democratas conseguirão “virar o jogo” na narrativa sobre a idade do presidente ser um problema. Esse estigma acompanhou Biden, e agora poderia cair no colo de Trump.
O diretor de comunicações da vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, Brian Fallon publicou nesta 2ª feira (22.jul.2024) em seu perfil no X (ex-Twitter) que o valor das doações para a democrata está em US$ 49,6 milhões (cerca de R$ 275 milhões) desde que Biden desistiu.
Do lado político, os governistas ainda minimizam reflexos imediatos da desistência de Biden no Planalto. Também não viram efeitos com as vitórias da esquerda na Inglaterra e na França.
“Tudo que ocorre nos EUA, influencia no mundo todo, acho que ficará mais difícil Trump ganhar, Biden está muito frágil, agora terão um novo nome e será mais forte que Biden”, afirmou o deputado Zeca Dirceu (PT-PR).
A ideia é que as eleições norte-americanas devem ter influência no Brasil, como no resto do mundo, mas só o resultado efetivo do pleito. A mudança de candidato, em si, não teria maiores reverberações.
O Planalto está mais preocupado com as eleições municipais de outubro deste ano e não gostaria de dividir a atenção de sua militância com o pleito envolvendo norte-americano.
Para o Executivo lulista, há um exagero na comparação entre EUA e Brasil eleitoralmente. Lula se irritou recentemente ao ter sua condição de saúde e idade comparada a de Biden.
Depois, o atentado a Trump foi diretamente ligado à facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Diante disso, seria natural que o 1º escalão petista tente minimizar as comparações e os efeitos da política norte-americana.
O argumento do governo é de que não há correlação automática entre os cenários dos EUA e do Brasil.























