A Ponte do Príncipe, mais conhecida como Segunda Ponte, que liga Vitória a Vila Velha com duas alças de acesso a Cariacica, será ampliada e poderá passar a ter até seis faixas. A notícia foi comemorada pelo prefeito Euclério Sampaio (MDB) e não se fala em outra coisa na cidade.
Numa reunião realizada na região da Grande São Pedro, em Vitória, na noite de sexta-feira (17), o governador Ricardo Ferraço anunciou que já tem uma equipe no DER-ES (Departamento de Edificações e de Rodovias) debruçada sobre o assunto para melhorar o acesso a Cariacica e Vila Velha pela Segunda Ponte.
Ricardo tocou no assunto no contexto das intervenções do Governo para melhorar a mobilidade urbana na Grande Vitória, como a ampliação da Terceira Ponte para seis faixas, a construção da Ciclovia da Vida, ligando Vitória a Vila Velha e o fim do pedágio no Complexo Terceira Ponte-Rodovia do Sol.

HISTÓRICO
A Segunda Ponte teve suas obras iniciadas em 1973 pelo governador Arthur Carlos Gerhardt dos Santos e entregues no início de 1979 pelo então governador Élcio Álvares junto com a Rodoviária de Vitória.
Entretanto, inicialmente, a Segunda Ponte somente dava acesso a Cariacica por uma alça de descida e outra de subida. O viaduto ligando-a à então Rodovia Carlos LIndenberg (hoje, avenida) e a segunda alça para Cariacica somente foram entregues no final do governo de Gerson Camata, em 1986. Desde 2019, o viaduto leva o nome de Governador Gerson Camata.
Quando a Segunda Ponte foi inaugurada, Cariacica contava com 190 mil habitantes e Vila Velha com 203 mil. Até então, a única ligação de Vitória com os dois municípios era feita pela Ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes), registrando-se longos congestionamentos nos dois lados.
E a ponte ainda era compartilhada com a linha férrea para o Porto de Vitória. Isso provocava interrupções no tráfego de veículos quando o trem precisava passar. Ocorria pelo menos duas vezes ao dia.
Cariacica não tinha ligação direta com Vitória. Veículos procedentes do município pela BR 262 (então, com pista simples) tinham que atravessar a Ponte do Camelo e passar por dentro de São Torquato para acessar as Cinco Pontes.
As duas obras – a Segunda Ponte e a Rodoviária – foram consideradas as grandes intervenções na mobilidade urbana da Grande Vitória até aquela época.
A rodoviária funcionava na praça Misael Pena, em frente ao Sesc, no Parque Moscoso, num ponto de parada da Itapemirim. Todas as repartições públicas do Estado funcionavam no Centro – inclusive o Executivo, o Legislativo e o Tribunal de Justiça na Cidade Alta.

CRESCIMENTO
Naquela época, Vitória era a maior cidade do Estado, com 215 mil habitantes e estava em curso, de forma muito lenta, a construção da Terceira Ponte, que somente seria inaugurada dez anos depois, no dia 23 de agosto de 1989, ligando a capital a Vila Velha.
Serra, hoje o município mais populoso do Estado, contava apenas 82 mil habitantes em 1979, um crescimento de quase cinco vezes em relação a 1970, quando contava 17 mil habitantes.
Os grandes projetos industriais, especialmente a construção da Companhia Siderúrgica de Tubarão, atraíam multidões de trabalhadores tanto do interior do Estado quanto do Leste de Minas e do Sul da Bahia, cuja economia havia sofrido grande abalo com a praga “vassoura de bruxa” nas lavouras de cacau.
Hoje, 47 anos depois da inauguração da Segunda Ponte, a população estimada pelo IBGE para Serra é de 580 mil habitantes (+607%), seguida de Vila Velha com 506 mil (+149%), Cariacica com 389 mil (+ 104%) e Vitória com 345 mil habitantes (+60,5%).
Os quatro grandes municípios da Região Metropolitana representavam, na época da inauguração da Segunda Ponte, 690 mil habitantes, o equivalente a 33,3% da população do EStado ( menos que os 2.063.679 habitantes contados em 1980 pelo IBGE).
Hoje, os quatro municípios somam cerca de 1,820 milhão de habitantes, equivalentes a 44,1% da população estimda de 4.126.854 habitantes do Espírito Santo.
VEÍCULOS
As estatísticas oficiais do número de veículos em circulação no Estado somente começam em 1982, quando foram contados 164.976 veículos em todo o Estado.
Não há informações da distribuição desses veículos por municípios na época, mas considerando a proporção da população pode-se estimar em cerca de 55 mil veículos circulando em Cariacica, Vila Velha, Vitória e Serra.
Hoje, o Estado tem 2.595.452 veículos registrados, sendo 1,2 milhão de automóveis, 600 mil motocicletas, 252 mil caminhonetes e o restante distribuído entre outros tipos de veículos.
Somente Cariacica tem registrada uma frota de 207.735 veículos (dados de 2024 do IBGE), sendo que 130 mil deles são veículos com quatro rodas ou mais.
As quatro maiores cidades têm 965.876 veículos em circulação, somandos Cariacica, Vitória (216.631), Vila Velha (273.074) e Serra (268.436). Comparando-se a 1979, data da inaguração da Segunda Ponte, o crescimento é de mais de mais de 1.656% no número de veículos em circulação.
A Região Metropolitana, hoje, tem ainda Guarapari, Viana e Fundão. Pressionando o sstema de circulação ao Sul da Região, compreendendo Vitória, Vila Velha e Cariacida, há mais 134 veículos registrados em Guarapari (93.331) e em Viana (41.093), perfazendo mais de 1,1 milhão de veículos na Região Metropolitana, sem contar o tráfego procedentes da região das montanhas capixabas.

DESAFIOS DA MOBILIDADE
Desde a inauguração da Segunda Ponte, a Rodovia do Sol foi duplicada entre Vila Velha e Guarapari, foi construída a Rodovia Darly Santos ligando a Carlos Lindenberg e a Rodovia do Sol, foi inaugada a Rodovia Leste-Oeste, em aperfeiçoamento, ligando a BR 262 (na Ceasa) à Darly Santos, no bairro Araçás, a Rodovia do Contorno de Vitória foi duplicada e foi construído o Contorno do Mestre Álvaro para desviar de Carapina (Serra) o tráfego da BR 101 e duplicado trecho entre o antigo aeroporto e Carapina, a Rodovia das Paneleiras.
E, juntamente com isso, no terceiro governo de Renato Casagrande, com Ricardo Ferraço como vice, o pedágio do Complexo Rodosol foi extinto, a Terceira Ponte ampliada com uma faixa exclusiva para ônibus, motos e táxis, e construída a Ciclovia da Vida, além de implantado o Transporte Aquaviário, inicialmente entre Porto de Santana (Cariacica), Praça do Papa (Vitória) e Prainha (Vila Velha).
No aspecto do Transporte Coletivo, a implantação do Sistema Transcol, com a inauguração do primeiro terminal, em Carapina, em 1989, no governo de Max Mauro, foi a grande novidade do período. Seu idealizador, Albuino Azeredo, acabou eleito governador e o consolidou no período de 1991 a 1994. Passados 32 anos, porém, o Transcol, apesar das melhorias, está muito longe de bem atender ao crescimento da população.
Entretanto, a mobilidade urbana ainda desafia os governantes. No último dia de sua gestão, que está sendo completada por Ricardo Ferraço, o governador Renato Casagrande pôde ver e mostrar pronta a primeira estação de embarque e desembarque de passageiros do corredor exclusivo de ônibus que está sendo implantado entre os terminais de Jardim América e Ibes, na Avenida Carlos Lindenberg, o Expresso GV, e que sinaliza para uma solução do transporte coletivo na Região Metropolitana, a longo prazo.
Muito se falou da possibilidade de um novo acesso a Cariacica, com uma ponte ligando a Grande São Pedro a Porto de Santana, criando-se um novo corredor na zona oeste da ilha de Vitória, e uma nova ligação de Vitória a Vila Velha, com um túnel entre a Ilha de Monte Belo (Vitória) e Glória (Vila Velha), projetos defendidos pelo então vice-governador Ricardo Ferraço, na segunda gestão do governador Paulo Hartung (2007-2010).
Mas esses assuntos foram deixados de lado, da mesma forma que o transporte sobre trilhos em Vitória ficou apenas como uma peça de marketing eleitoral da primeira campanha do prefeito João Coser (2005-2012). (José Caldas da Costa, jornalista e geógrafo, Especial para a Tribuna Norte-Leste)























