
Um fungo presente em fezes de aves, como pombos, e de morcegos foi identificado em uma das amostras de funcionários do Hospital Santa Rita, em Vitória, onde um surto levou à internação de quase cem pessoas, a maioria delas da ala oncológica. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (3) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que apontou essa como a principal linha de investigação dos casos.
Segundo o diretor do Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen/ES), Rodrigo Rodrigues, 11 amostras de sangue foram enviadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para análise. O resultado, divulgado nesta segunda, apontou que uma das amostras deu positivo para o fungo Histoplasma capsulatum, causador da histoplasmose.
“O quadro clínico desses pacientes é compatível com a infecção por esse fungo, mas o resultado ainda não encerra a investigação”, explicou Rodrigues.
O secretário de Saúde, Tyago Hoffmann, afirmou que o achado faz sentido diante dos sintomas apresentados pelos pacientes e pela ausência de transmissão entre pessoas.
“Nos testes de sangue realizados na Fiocruz, um dos funcionários apresentou o fungo Histoplasma. Esse fungo é normalmente encontrado em fezes de morcegos ou aves, como pombos. Isso reforça a linha de investigação, pois os sintomas e o padrão dos casos não indicam contágio humano”, disse Hoffmann.
A infecção por Histoplasma capsulatum ocorre geralmente pela inalação de esporos presentes no ar. Em pessoas saudáveis, pode causar sintomas leves semelhantes aos de uma pneumonia, como febre, dor no corpo e tosse. No entanto, o risco aumenta em pacientes com baixa imunidade, como os que estavam internados para tratamento oncológico.
A infectologista Carolina Salume, do Hospital Santa Rita, explicou que uma possível falha de vedação pode ter permitido a entrada dos esporos.
“Pode ter havido uma vedação ineficiente. Os esporos passam pela janela, e seguimos protocolos de engenharia e controle ambiental. Não sabemos o que aconteceu, mas pode ter ocorrido algo nesse sentido. Os esporos podem ter vindo do ar”, disse.
Até o momento, 93 casos suspeitos foram identificados. Desses, cinco pessoas estão internadas e 88 estão em monitoramento. Entre os internados, dois estão na UTI e três na enfermaria — quatro são funcionários do hospital e um é paciente oncológico. No total, 76 infectados são trabalhadores do Santa Rita, 11 são acompanhantes e seis são pacientes.
O Hospital Santa Rita é referência no tratamento oncológico no Espírito Santo e atende pacientes da rede pública e privada.
Amostra ambiental também apontou bactéria isolada
Durante as investigações, uma amostra de água de um bebedouro apresentou a presença da bactéria Burkholderia, mas o resultado foi considerado um caso isolado. Segundo a Sesa, nenhum paciente testou positivo para essa bactéria, e novas coletas na mesma rede de água apresentaram resultado negativo.
A Sesa informou que as investigações continuam para identificar com precisão a origem do surto e garantir a segurança dos pacientes e profissionais do hospital. (Da Redação com G1 ES e Sesa)






















