Todos os brasileiros que tomaram a primeira dose das vacinas Coronavac e Oxford/AstraZeneca devem comparecer aos postos de vacinação para a segunda aplicação e, assim, garantir a completa eficácia desses dois imunizantes.
Mesmo aquelas pessoas que perderam o prazo estabelecido no cartão de vacinação para o reforço da vacina contra a Covid-19, devem procurar uma unidade de Saúde para a segunda dose.
A recomendação é do Ministério da Saúde (MS), mas, a realidade é diferente. Em Barra de São Francisco, o problema ainda não foi verificado, mas, de acordo com o secretário municipal de Saúde, vice-prefeito Gustavo Lacerda, nos próximos dias poderá faltar a vacina Coronavac para aplicação da segunda dose em idosos com mais de 65 anos.
“Ainda não tivemos problemas, mas há falta de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), essencial para a fabricação das doses, em todo o Brasil. Por causa disso, o Estado só deve receber novo lote de Coronavac em 15 dias”. Prevê Gustavo.
O momento, que deveria ser de esperança, com a imunização contra a doença, já tem causado dor de cabeça para moradores de município da Grande Vitória. Isso porque a segunda dose da vacina Coronavac, que deveria ser aplicada em um prazo de 21 a 28 dias após a primeira, ainda não está disponível para aplicação.
Durante coletiva de imprensa, na última sexta-feira, 23, o secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, chegou a declarar que o prazo entre a primeira e a segunda dose de aplicação da Coronavac pode ser ampliado. Segundo ele, já há uma discussão entre a Anvisa, o Butantan e o Ministério da Saúde para estudar a possibilidade.
Na noite de sábado, 24, Nésio Fernandes usou as redes sociais para esclarecer alguns pontos sobre a falta das doses do imunizante e aproveitou para tirar outras dúvidas referentes à vacinação.

A falta de vacinas foi porque Estado orientou usar a segunda dose para antecipar a vacinação?
Não. O Estado sempre orientou o uso da D1 e a reserva da D2 em todos os lotes que vieram com esta definição do Ministério da Saúde (MS). No entanto, nas remessas 8/9/10 o MS orientou usar amplamente D1.
Usaram as doses para vacinar professores e forças de segurança?
Não. As doses destinadas aos professores/forças de segurança são majoritariamente da Astrazeneca, representando uso de parte da reserva técnica da mesma. Professores começarão de fato somente na próxima semana.
Somente está faltando doses da Coronavac no Espírito Santo e a culpa é dos gestores municipais?
Não. Está faltando em todo Brasil. Os gestores municipais capixabas estão executando a vacinação com grande desempenho e celeridade, faltam vacinas para completar o esquema. Em alguns Estados, gestores estaduais e municipais decidiram aplicar todo estoque de D2 para D1, não foi o caso do Espírito Santo, seguimos com disciplina a orientação do MS.
Vou perder o efeito da vacina pelo atraso do 28 dias?
A vacina é um imunizante poderoso, após aplicada não é um produto que se decompõe pela validade de dias. Até o presente momento a ampla maioria dos estudos reforçou vantagens na ampliação do prazo de aplicação entre doses.
Posso tomar a segunda dose de outra vacina?
Em hipótese alguma, não! Não existem estudos de segurança e eficácia disponíveis para subsidiar o cruzamento de doses de fabricantes distintos.
O que dizem os especialistas?
Dizem de tudo. “Os especialistas” são um grande grupo e bem plural. No PNI nunca contra-indicamos abandono de esquema por atraso na aplicação das doses da ampla maioria das vacinas. Marca de seleção branca espessa. Atenção: Não existe intervalo máximo entre as doses. Na imensa maioria das vezes não há prejuízo na produção de anticorpos com a ampliação breve do período entre doses. Com uma dose já há uma grande proteção contra infecção, casos moderados/graves e óbitos.
A culpa é de quem antecipou a 2ª dose?
Não tem culpados. A bula e as normas do PNI recomendam aplicação da D2 entre 14-28, pacientes com frequência reinvidicaram receber a vacina logo após 14 dias. Sempre orientamos aplicar com 28D, no entanto os próprios pacientes reinvidicavam.
Houve problema na produção do Butantan?
Sim. Existia estabilidade na produção da CoronaVAC, o MS e o Butantan decidiram por orientar aplicação de D1 baseado nela, Estados e Municípios cumpriram a orientação. Mantida a estabilidade não teríamos atrasos.
É motivo para desespero?
Não. Os insumos já chegaram no Butantan e até a primeira quinzena de maio serão fornecidas progressivamente todas as doses necessárias para aplicação da D2. O calendário será atualizado e seguiremos avançando na luta contra a COVID-19.
“A recomendação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é que elas completem o esquema. Então, quem atrasou e não conseguiu ir com 28 dias de intervalo da Coronavac ou aquelas que não conseguiram ir com 84 dias da vacina AstraZeneca, devem comparecer para completar o esquema”, enfatiza a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Francieli Fantinato.
Para garantir que quem tomou a primeira dose esteja completamente imunizado, o Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), orienta sobre a estratégia de busca ativa por essas pessoas, a fim de que elas completem o esquema vacinal, garantindo a eficácia completa do imunizante. (Da Redação com informações do MS e Sesa)


























