Weber Andrade
O francisquense Gilberto Brito Félix operador de motosserras e morador do córrego das Pedras, em Cachoerinha do Itaúnas, onde tem uma pequena propriedade, falou na manhã desta sexta-feira, 18, com a nossa reportagem e relatou as dificuldades que passou em uma tentativa frustrada de emigração, junto com a mulher e um filho de 11 anos. Gilberto faz 38 anos neste sábado, 19 de março.
Até chegar ao México, Gilberto conta que viajou um dia inteiro de ônibus e dois dias de avião, fazendo baldeações. Ele chegou a atravessar a fronteira, por um rio, perto de Tijuana, no México, junto com a família, mas foi orientado pelo coiote a se entregar à polícia de imigração norte-americana, no chamado ‘esquema cai-cai’, porém, foi detido e levado para um centro de detenção de imigrantes a cerca de 10 quilômetros da fronteira.
Gilberto disse que ficou preso por nove dias, sem ver o filho e a mulher, mas foi deportado na semana passada, quando chegou a Belo Horizonte, junto com a família. “Quando cheguei e saí do aeroporto, a primeira coisa que fiz, foi comer pastel. Comi uns seis pastéis”, conta sorrindo.
“Lá no México eu não passei fome, mas os mexicanos são maus. Só que quando fui para a prisão lá nos Estados Unidos, aí sim, passei fome. A gente só comia burrito (comida mexicana), recheado com batata e, às vezes, um pouco de carne e recebíamos uma embalagem de bebida de chocolate, maçã e suco de maçã, uma vez por dia”, relata.
O motivo de querer deixar o Brasil, segundo Gilberto, é por causa da crise econômica, das dificuldades de produzir no campo e a vontade de dar uma vida melhor para a esposa e o filho. Segundo ele, viver nos EUA traz essas possibilidades. “Apesar do salário lá ser em torno de 15 a 20 dólares por hora, a gente também gasta em dólar, então tem que trabalhar muito e economizar para juntar dinheiro”, observa.
Mesmo tendo propriedade rural e profissão, Gilberto afirma que não quer mais ficar no Brasil e que pretende ‘tentar de novo’ a migração ilegal para os EUA. “Eu investi muito. Somente ao coiote paguei mais de R$ 120 mil e aqui, não tenho como recuperar, agora, vou tentar de novo, vou pagar de novo e acho que desta vez vou conseguir ficar lá, mas um conselho que eu dou a quem tem dinheiro: É melhor ficar no Brasil”, afirma o francisquense.
A notícia sobre a saga da família de Gilberto Félix, publicada com exclusividade pelo portal Tribuna Norte-Leste, teve repercussão e na grande imprensa capixaba, com destaque na coluna Leonel Ximenez, do portal A Gazeta.
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