O Terceiro Comando Puro (TCP) “invadiu” Itaguaçu, na região serrana central do Espírito Santo, em 2024, matou traficantes locais e assumiu o controle do território até seu núcleo no município ser desarticulado por uma grande operação envolvendo as Polícias Civil e Militar na última terça-feira (12.05).
Os detalhes das investigações e da operação coordenada pelo superintendente regional da Polícia Civil, Alberto Roque, foram passados pelo delegado Renan Alves dos Santos em entrevista nesta quarta-feira (13.05), ao lado do chefe de Polícia, Jordano Bruno, na sede da Polícia Civil do Espírito Santo em Vitória.

Foram cumpridos 27 mandados de prisão contra a organização, sendo que 12 dos alvos já estavam no sistema penitenciária e apenas foram comunicados da nova ordem judicial.
COMANDO
De acordo com o delegado, Jefferson Caldeira, 34 anos, é o líder da facção na conexão Cariacica-Itacibá, enquanto Cristian do Nascimento Batista é seu braço armado, sendo responsável pelas execuções para controle de área.
Renan responde por Itaguaçu e Itarana, duas cidades praticamente do mesmo tamanho, somando 25 mil habitantres e distantes apenas 12 quilômetros uma da outra, estabelecidas ao pé da Serra do Limoeiro, dentro de um vale por onde corre o rio Santa Joana, na sub-bacia do rio Santa Maria, afluente da margem direita do rio Doce, no qual deságua em Colatina.
Na operação desta terça-feira, a Polícia alcançu vários indivíduos ainda soltos e que operavam na base da organização. “Eles organizavam as contas. Há várias mulhres que recebiam valores da revenda das drogas em suas contas bancárias sabendo que eram valores oriundos do tráfico e, portanto, sendo usadas para lavagem de dinheiro. A maioria dos presos nesta fase vendiam as dorgas no varejo”, disse Renan.
Segundo o delegado, a história começa em setembro de 2024, quando a Polícia detecta que o primeiro homicídio da série cometida pela organização tinha implicações maiores. “A gente não tinha muitos elementos e não sabia da facção, mas aprofundamos a investigação e identificamos. Em março de 2025 ocorreu o segundo crime e em maio o terceiro”, disse Renan.

De acordo com o delegado, as operações de busca e apreensão relacionadas a esses três homicídios revelaram a estrutura criminosa. “Usamos o serviço de inteligência e identificamos a participação de cada um”, acrescentou.
GUERRA
De acordo com Renan, as três vítimas eram traficantes locais, não faccionados, e foram mortos pelos enviados do TCP para que a organização criminosa assume o controle do tráfico tanto em Itaguaçu quanto em Itarana.
“As lideranças estão presas, vários gerentes e vapores de diversas atividades a gente pegou agora e acredita que o grupo está desmantelado. A operação tem esse efetio de repelir o grupo de lá”, acrescentou.
O delegado-geral Jordano Bruno disse que o trabalho da Polícia Civil é baseado em investigação e inteligência, feito com paciência.
“Mapeamos e monitoramos as organizações. Começamos pela Grande Vitória, onde elas estão estruturadas, e vamos para o interior por onde elas se ramificam. Isso nos permite realizar ações rápidas e eficientes, em parceira com a Polícia Militar”, disse.
Dos 27 mandados de prisão, segundo o delegado-geral, 19 foram cumpridos. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão resultando na arrecadação de armas, drogas, dinheiro e material que servirá para dar continuidade às investigações.
“Vamos fazer outras operações dessas natureza no enfrentamento a essa facção, impedindo que ela se estenda para o interior”, finalizou Jordano. “Esse é um trabalho que se desdobra, a partir de Itaguaçu, e envolve também prisão em Eunápolis, no Sul da Bahia”.
Atualmente, as cidades de Itarana e Itaguaçu estão há um longo período sem homicídios. O último em Itarana foi em 27 de julho de 2024, portanto, há um ano e 290 dias, enquanto em Itaguaçu foi em 30 de novembro de 2025, portanto, há 163 dias. (Da Redação)
Polícia Civil faz operação contra o TCP em expansão de Cariacica a Itaguaçu






















