As circunstâncias que envolvem a chacina de Cariacica requerem uma resposta forte do Estado, não apenas no caso específico, maa aos avanços de facções sobre a população invisível do Espírito Santo.
É sabido dos esforços empreendidos no âmbito do Programa Estado Presente para o controle da criminalidade no Estado, o que levou à redução de todos os índices.
Os homicídios caíram aos menores números da série histórica de três décadas, entretanto, é inadmissível, sob quaisquer prismas, o que aconteceu em Flexal II – uma família dizimada por não se curvar às ordens do tráfico.
Sabemos todos que a questão do tráfico é complexa – envolve controle de fronteiras, questões de legalidade, corrupção de agentes públicos, presença social do Estado e cooperação da sociedade.
As facções têm origens que estão sendo bem apresentadas em excelentes produções audiovisuais recentes, mas tão importante quanto entender de onde vêm é saber para onde estão indo e conter seus avanços.
Isso não comporta discursos políticos de efeitos pirotécnicos, mas diligente trabalho de inteligência e de pessoal especializado, bem como uma espécie de pacto da sociedade civil e o Esado.
O que se faz hoje é muito enxugar gelo, mas, como diz um personagem da série “O Jogo que Mudou a História“, se não enxugar o gelo, morre afogado.
Daqui a uns dias a tragédia de Cariacica será esquecida. Afinal, as condições de vida nessas periferias também foram criadas por políticas equivocadas. O mal, porém, está criado, da mesma forma que o que gerou as facções.
O andar de cima retroalimenta o andar de baixo, mas quem morre e é preso está no andar debaixo ou mesmo no porão.
É preciso produção de ciência pesada para orientar as políticas públicas (e leis) para todos e não apenas para uma parte do extrato social. E tirar os gambás do galinheiro.
Precisamos de uma civilização que dialogue e que pense em promover mais a justiça (o que é justo para todos) do que a vingança (injusta por essência). Uma civilização com menos dissonância cognitiva e mais reflexão.
A droga nada é sem quem a consome, a manipula e movimenta o seu mercado. A ação precisa ser multifocal, com prioridade na restauração das virtudes humanas.
Da Redação























