Brittney Griner, condenada a nove anos de prisão na Rússia por tráfico de drogas, teve seu recurso negado pelo tribunal russo na terça-feira, 25. A estrela da WNBA apelava contra a sentença proferida em agosto deste ano, mas não teve sucesso. Nesta quarta, o Governo russo se negou a comentar sobre uma possível troca de prisioneiros para liberar a atleta.
A Rússia afirma que a possível troca de prisioneiros deverá ser negociada discretamente, sem a divulgação de atualizações para a imprensa. Em uma ligação com repórteres, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, se recusou a comentar sobre a rejeição do recurso de Griner por um tribunal de Moscou na terça-feira.
A possibilidade de troca de Brittney por Viktor Bout, um traficante de armas russo detido nos Estados Unidos, é o principal caminho para que a atleta consiga a liberdade. A negociação entre os dois países está em andamento desde agosto.
A Rússia chegou a negar a chance depois de as conversas virem a público. O governo dos Estados Unidos fez uma proposta oficial aos russos que envolvia a troca do comerciante de armas Viktor Bout por Griner e Paul Whelan, ex-marinheiro americano preso por suspeita de espionagem em 2018.
Viktor Bout foi condenado a 25 anos em uma prisão federal dos Estados Unidos por “conspirar para vender armas a pessoas que querem matar americanos”. O governo russo aponta motivação política na condenação do “Mercador da Morte”, como é conhecido. Ele inspirou o personagem principal do filme “Senhor das Armas”, estrelado por Nicolas Cage em 2005.
O tribunal russo considerou Brittney Griner culpada por tráfico de drogas com intenção criminosa (relembre a matéria do Jornal Nacional no vídeo abaixo). Depois de um longo julgamento, o tribunal definiu a situação da jogadora da WNBA nesta quinta-feira. No veredito final, a atleta foi sentenciada a nove anos de prisão, além de uma multa de 1 milhão de Rublos, cerca de R$ 85.650.
A promotoria russa havia pedido sentença de nove anos e meio de prisão para Griner. Após a leitura do veredito final, ficou definida uma sentença quase máxima para a jogadora. De acordo com o juiz, ela terá de cumprir a pena em uma colônia penal na Rússia. A defesa de Griner disse que vai protestar contra o veredito.
Relembre o caso
No dia 05 de março de 2022, o Departamento Federal de Alfândega da Rússia anunciou que deteve, em fevereiro, uma atleta dos Estados Unidos no aeroporto de Sheremetyevo, nos arredores de Moscou. Ela estaria carregando um derivado de maconha em forma líquida, autorizado em quase todo território dos EUA, mas proibido na Rússia. A atleta em questão era Brittney Griner, estrela da WNBA.
Griner está detida desde então e um processo criminal foi aberto por transporte de drogas e tráfico internacional. De acordo com o comunicado do serviço alfandegário, um processo criminal foi aberto pela justificativa de “transporte em larga escala de drogas”. A pena para esses casos pode chegar a dez anos de prisão.
Por que Griner estava na Rússia?
Atleta do Phoenix Mercury, Brittney – assim como outras atletas dos EUA – costumam jogar na Liga Russa nos meses em que a WNBA está de recesso. Griner defende times locais desde 2015 e costuma ganhar mais de um milhão de dólares por temporada, valores acima do que recebe na própria competição americana. O último jogo oficial dela pelo Ekaterinburg foi no dia 29 de janeiro.
No início de julho, BG se declarou culpada, mas negou que tenha sido intencional. A declaração aconteceu após a pivô escrever uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pedindo que se intensificassem os esforços dos EUA para levá-la de volta para casa.
“Enquanto estou sentada aqui, numa prisão da Rússia, sozinha com meus pensamentos e sem a proteção da minha esposa, família, amigos, o uniforme olímpico ou qualquer conquista, estou aterrorizada porque posso ficar aqui para sempre”, afirmou Griner, em trechos da carta endereçada à Casa Branca divulgados por seus representantes.
Quem é Brittney Griner
Griner tem um currículo recheado, com duas medalhas de ouro olímpicas e duas mundiais pela seleção americana, além de um título da WNBA com o Phoenix Mercury, time que defende na liga desde 2013, quando foi selecionada com a primeira escolha geral do Draft.
Aos 31 anos, a jogadora já foi selecionada para o All-Star Game da WNBA oito vezes (2013 a 2015, 2017 a 2019, 2021 e 2022) e ganhou o prêmio de jogadora de defesa da temporada em duas oportunidades (2014 e 2015).
Como boa parte das estrelas da WNBA, Brittney usa as férias da liga para jogar por times em outros países como forma de ganhar mais dinheiro. Foi assim que ela chegou à Rússia, onde, desde 2014, defende o UMMC Ekaterinburg.
Em março, em meio à crescente tensão entre os EUA e a Rússia por conta da invasão à Ucrânia, a atleta contrariou avisos de pessoas próximas e embarcou para se apresentar ao time russo para a disputa da nova temporada.
Ao chegar no aeroporto, foi presa após autoridades encontrarem capsulas de vaporizador contendo óleo de haxixe na bagagem, segundo ela, usado com autorização médica para tratamento de dores crônicas.
A prisão de uma mulher, negra, lésbica e atleta famosa ganhou ainda mais notoriedade em um país presidido por Vladimir Putin, que já falou abertamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Rússia, afirmando que nunca permitiria que se tornasse oficial. (Da Redação com ge)

























