Um advogado apontado como intermediário na comunicação entre chefes do tráficos e seus comandados ainda livres foi preso na manhã desta terça-feira (14) em operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) no Espírito Santo.
Coordenada pela Polícia Federal e integrada por diversas forças de segurança, a FICCO deflagrou a fase ostensiva de uma investigação contra integrantes de facções criminosas com atuação no Estado.
A Operação Scriptor foi realizada de forma conjunta com a Polícia Penal do Espírito Santo e teve por objetivo desarticular o esquema de comunicação ilícita entre lideranças criminosas de dentro do sistema prisional e seus comparsas em liberdade.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, nove mandados de prisão temporária e três mandados contendo medidas cautelares diversas da prisão.
Todos os mandados foram expedidos pelo Juízo de Garantias de Marechal Floriano/ES, no âmbito de Inquérito Policial instaurado a partir de provas obtidas com um advogado investigado por colaborar com organizações criminosas.
Restam pendentes de cumprimento quatro mandados de prisão temporária, uma vez que os investigados se encontram foragidos.
POMBO CORREIO
O advogado havia sido suspenso do exercício da advocacia por decisão judicial proferida durante a Operação “Recado Reverso”, deflagrada em 11 de julho de 2024, que investigou a atuação de advogados na transmissão de ordens e mensagens entre lideranças criminosas e seus subordinados.
Apesar da proibição expressa, ele continuou realizando atendimentos jurídicos a detentos em unidades prisionais, em descumprimento de medida cautelar judicial.
Em 10 de junho de 2025, durante ação de monitoramento, o advogado foi conduzido para a lavratura de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) após ser flagrado prestando atendimento jurídico a presos, configurando a infração prevista no artigo 359 do Código Penal (exercício de função suspensa por decisão judicial).
Na ocasião, foram apreendidos aparelhos celulares, manuscritos, a carteira da OAB e outros materiais relacionados à atividade ilícita.
A análise do material apreendido revelou que o advogado mantinha comunicação ativa com ao menos quatro lideranças criminosas de alta relevância no cenário capixaba, funcionando como mensageiro e articulador externo.
Por meio de suas ações, ele viabilizava a transmissão de ordens estratégicas e a coordenação das atividades ilícitas, permitindo que os líderes continuassem comandando os núcleos operacionais mesmo de dentro dos presídios.
De acordo com a Polícia Federal, sua atuação reiterada — mesmo após a suspensão judicial de suas funções — reforça a importância da operação para a interrupção de canais de comunicação ilícita entre integrantes de organizações criminosas e a consequente desarticulação de sua estrutura hierárquica e financeira.
O nome “Operação Scriptor” foi escolhido em referência ao termo latino scriptor, que significa “escritor” ou “aquele que redige”.
A denominação remete ao papel desempenhado pelo advogado investigado, que atuava como mensageiro e redator de comunicações entre lideranças criminosas e seus subordinados, servindo como elo de transmissão das ordens emanadas de dentro dos presídios.
FICCO/ES
As ações policiais desencadeadas na FICCO são produto de cooperação interagências, com foco na inteligência de segurança pública.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (FICCO/ES), coordenada pela Polícia Federal (PF), é composta pelas Polícias Militar (PMES) e Penal (PPES), pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), e pelas Guardas Municipais de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana. (Da Redação com SRPF/ES)
























