O forte crescimento econômico de Barra de São Francisco, aliado a questões pontuais, como o retorno de emigrantes e a vinda de famílias que têm pessoas cumprindo pena no presídio regional, provocou um inchaço na rede municipal de ensino neste início de ano, que está forçando a Secretaria Municipal de Educação (Semed) a ter que equacionar os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), para fazer frente ao grande aumento de despesas em várias frentes, como a contratação e treinamento de professores e cuidadores, aquisição de alimentos e produtos e de higiene, limpeza e manutenção e até mesmo o transporte escolar.
A secretária municipal de Educação, Delma do Carmo Ker e Aguiar, comunicou a situação ao prefeito Enivaldo dos Anjos esta semana, demonstrando grande preocupação com o aumento de cerca de 10% no número de alunos matriculados, a maior parte deles oriundos de municípios vizinhos, como Água Doce do Norte, Águia Branca, Mantenópolis, Vila Pavão, Ecoporanga, Nova Venécia, Mantena (MG) e de municípios mais distantes, como São Mateus, no litoral capixaba e até do Rio de Janeiro.
“Os repasses do Fundeb são baseados no número de alunos do ano anterior. Como em 2021 houve forte redução na quantidade alunos, devido à pandemia, quando as aulas não podiam ser presenciais, nós encerramos o período de matrículas com pouco mais de 4,9 mil alunos e, a partir do reinício das aulas, este ano, estamos vivenciando uma situação complicada, com mais de 400 alunos novos que entraram na rede, não só na sede, mas também nas escolas do interior”, relata a secretária.
Delma explica que esse aumento de alunos, média de 12 alunos a mais por escola, só de transferências, trouxe uma situação difícil para o município que, agora, tem que equacionar os recursos para não deixar cair a qualidade da alimentação escolar, manter a higiene e limpeza de forma satisfatória, adquirir os materiais didáticos e de manutenção e, ainda, aumentar as linhas do transporte escolar, já que em algumas localidades, onde não havia alunos, agora eles apareceram.
“Soma-se a isso, a falta de profissionais de educação no mercado e também de cuidadores, que são essenciais para o novo momento. Pra se ter uma ideia, tivemos um aumento muito expressivo de alunos com necessidades especiais, que exigem um ou mais cuidadores na sala de aula e, quando conseguimos pessoas para trabalhar, temos que dar a elas a formação necessária. Hoje, a rede municipal de ensino já tem mais de 300 alunos nessas condições”, observa.
Para Delma, o ano de 2022 será um ano muito complicado na rede municipal de ensino, exigindo muita dedicação dos profissionais e a preparação para o ano que vem, quando os problemas poderão ser mitigados.
“Vamos ter que enfrentar esses desafios motivando o nosso quadro de profissionais e buscando soluções criativas para manter a qualidade do ensino, até mesmo porque, a partir deste ano, teremos a inclusão dos alunos do ensino fundamental na avaliação da Educação Básica (SAEB), exceto primeiro ano, o que é determinante para a medição da qualidade da educação dos municípios e a obtenção de recursos”, finaliza.




























