*Kenner Terra
Os EUA acabaram de atacar militarmente a Venezuela e capturaram Maduro, acusando-o, assim como o alto escalão do governo venezuelano, de envolvimento com o narcotráfico e de coordenação do tráfico de drogas para os Estados Unidos.
A invasão americana a um país latino-americano, com a prisão de seu chefe de Estado e baseada em justificativas controversas, coloca todo o continente em alerta. Estamos diante de um momento histórico e tenso.
A questão não é se a Venezuela seja uma ditadura ou se desacreditamos do processo eleitoral venezuelano; obviamente, o regime de Maduro tem vários e profundos problemas.
No entanto, uma potência mundial, sob o argumento de proteger seus próprios interesses, invadiu outro país e prendeu seu presidente.
Isso não é uma defesa ao governo de Maduro, mas os EUA não podem se posicionar como justiceiros do mundo — aliás, prestemos atenção: a justificativa não foi a defesa da democracia na Venezuela.
O que impediria que novas razões sejam criadas para ataques a países cujos líderes não tenham boas relações ou não se dobrem diante de Trump?
Estamos testemunhando um momento delicado contra a população venezuelana e contra toda a América Latina. Não nos enganemos, em torno da questão venezuelana está o petróleo.
Trump já disse que poderia também atacar a Colômbia para combater o tal narcotráfico. O que impediria, por exemplo, o Brasil também se tornar, em algum momento e razões diferentes, alvo de iguais ações?
Juntemo-nos em oração pela paz. Que a inteligência internacional atue com necessário aparato político para não entramos em uma situação pouco comum em nosso continente.
*Kenner Terra é pastor da Igreja Batista da Água Branca (SP)

























