
A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu sete homens, com idades entre 20 e 38 anos, suspeitos de envolvimento no homicídio de Ozenal Honorato Santos, de 36 anos, ocorrido em 26 de abril no bairro Feu Rosa, na Serra. O corpo da vítima foi encontrado em 5 de maio, em uma área de mata, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES).
Os detalhes da investigação foram apresentados em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (8), na Chefatura de Polícia Civil, em Vitória. O delegado-geral José Darcy Arruda explicou que o crime foi cometido por integrantes do chamado “tribunal do tráfico”, prática criminosa em que traficantes julgam e executam pessoas com extrema violência. “Neste caso, o crime ocorreu com requintes de crueldade. A DHPP Serra agiu rapidamente e prendeu todos os sete autores, que agora responderão judicialmente. Mesmo que pensem que ficarão impunes, não ficarão”, afirmou o delegado-geral.
De acordo com as investigações, Ozenal foi morto após uma série de desentendimentos com criminosos da região. Inicialmente, ele teria discutido com um dos suspeitos, Junio da Cruz Bezerra, de 38 anos, ao cobrar uma dívida por um serviço de pintura.
Pouco depois, o pintor urinou em um poste próximo a crianças, o que teria enfurecido traficantes locais. A partir daí, Ozenal foi espancado e submetido a uma tortura prolongada por diferentes grupos ao longo de horas.
Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da DHPP Serra, o crime ocorreu em três fases. Primeiro, a vítima foi agredida com socos, chutes, pedradas e golpes de borracha. Em seguida, após voltar ao local, foi novamente atacada com uma enxada, pedaços de pau, pedras e mangueira, e arrastada até um beco, onde ficou desacordada. “Após cerca de uma hora, os criminosos perceberam que a vítima ainda estava viva e decidiram levá-la até uma área de mata. Lá, um dos autores desferiu golpes no abdômen, tórax e clavícula, causando a morte. Em seguida, outros envolvidos enterraram o corpo”, explicou o delegado.
O corpo de Ozenal foi localizado dias depois, em um manguezal de difícil acesso, coberto por entulhos e cal, material usado para tentar mascarar o odor e dificultar a localização. O trabalho da cadela Fênix, do Corpo de Bombeiros, foi essencial para encontrar o local exato. “A cadela Fênix fez a indicação olfativa do ponto onde o corpo estava enterrado, mesmo com o uso de cal e em ambiente contaminado. A partir dessa indicação, realizamos a escavação controlada e encontramos o cadáver, preservando os vestígios forenses”, explicou o cabo Alex Rocha, do CBMES.
As investigações contaram com informações do Disque Denúncia 181, que ajudaram na identificação dos suspeitos. Em 5 de agosto, seis homens, com idades de 30, 38, 31, 20, 20 e 25 anos, foram presos. O sétimo, de 20 anos, foi capturado em 14 de setembro.
Todos foram indiciados por homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de cadáver. Eles já respondem em ação penal. “Recebemos diversas denúncias via 181, que foram fundamentais para localizar o corpo e avançar na investigação. A colaboração da comunidade é essencial, principalmente em regiões dominadas por facções criminosas”, destacou o delegado Rodrigo Sandi Mori. (Da Redação com Sesp)




























