Os servidores públicos municipais de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, iniciaram greve nesta terça-feira (19) após o não cumprimento de um acordo feito pela gestão do prefeito Marcus da Cozivip (Podemos) com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Mateus (Sindserv).
Durante ato realizado no Centro da cidade, a prefeitura havia prometido apresentar uma proposta até o meio-dia, mas o prazo não foi cumprido, segundo a presidente do sindicato, Fabiane Santiago. Com isso, a paralisação foi mantida e um novo protesto foi convocado para esta quarta-feira (20).
“A categoria já havia deliberado pela greve em assembleia, com a condição de só encerrar diante de uma proposta concreta. Se ela chegar até amanhã cedo, faremos assembleia para discutir”, afirmou Fabiane.
Segundo o Sindserv, a gestão chegou a se reunir com a entidade na sexta-feira (16) e na segunda (18), mas ainda não apresentou um plano oficial. “Dialogamos sobre as limitações, discutimos dados, e o município disse que faria um estudo para apresentar. Mas até agora, nada”, disse a presidente.
O sindicato cobra o cumprimento dos pisos nacionais do magistério e da enfermagem, além da correção do salário inicial dos servidores administrativos, que hoje é inferior ao mínimo nacional.
Na semana passada, a prefeitura anunciou que vai cumprir o piso da enfermagem, previsto na Lei nº 14.434/2022, com pagamento retroativo. Atualmente, os salários-base da categoria estão congelados desde 2022 e abaixo do valor definido nacionalmente.
Auxiliares e parteiras recebem R$ 1.260,84 por 40 horas semanais, quando o piso é R$ 2.375. Técnicos recebem R$ 1.536,96, abaixo do mínimo de R$ 3.325. Enfermeiros recebem R$ 4.620, menor que o piso de R$ 4.750.
Em relação ao magistério, a adequação proposta pela prefeitura contempla apenas o nível inicial da carreira, com salário de R$ 3.042,35, sem levar em conta professores com especialização, mestrado ou doutorado – realidade predominante na rede. Atualmente, o salário inicial pago aos docentes é de R$ 2.403,52 por 25 horas semanais, valor ainda baseado na tabela de 2022.
Outro ponto de conflito é a situação dos servidores administrativos. O sindicato afirma que eles recebem salário inicial de R$ 1.260,73, valor abaixo do mínimo nacional de R$ 1.518. Segundo o Sindserv, a irregularidade já deveria ter sido corrigida pela prefeitura.
Além da correção dos pisos, os servidores pedem reajuste salarial de 10% para todas as categorias, recomposição das perdas do piso do magistério referentes a 2023 e 2024 e reposição das perdas no tíquete-alimentação de 2023.
Apesar da insatisfação com a falta de diálogo, Fabiane destacou que a mobilização teve ampla adesão no primeiro dia. “Nosso movimento foi muito bonito, com muita gente. Não é o cenário que gostaríamos, mas chegamos a esse ponto por falta de alternativas”, disse.
A greve dos servidores municipais segue por tempo indeterminado. (Da Redação com Século Diário)




























