O investigador Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha foi afastado de suas funções públicas e preso na Operação Turquia, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (7), com apoio do Ministério Público Estadual (MPE) e da Corregedoria da Polícia Civil do Espírito Santo. O nome do policial preso foi o primeiro a vazar no Programa Balanço Geral, da TV Vitória.
A mesma operação afastou mais dois Oficiais Investigadores Policiais (OIP) de suas funções e tiveram seus documentos funcionais e armas recolhidos: Erildo Rosa Júnior e Eduardo Aznar Bichara. Os três agentes estão entre os cinco alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos em Vitória, Vila Velha e Serra. O Ministério Público Estadual confirmou os nomes dos policiais afastados. Veja no final desta reportagem a Nota Oficial da PCES.
Os policiais eram lotados no Departamento Especializado em Narcóticos da Polícia Civil do Espírito Santo (DENARC/PCES), setor incumbido de investigar e reprimir criminosos aos quais, segundo as investigações, eles se associaram. Mais dois suspeitos sem funções públicas também foram alvos de mandado de busca e apreensão e um deles de mandado de prisão temporária concedido pela Justiça, juntamente com Eduardo Tadeu.
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal no Espírito Santo, em ação integrada com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Espírito Santo e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil do Espírito Santo, visando ao enfrentamento de um grupo criminoso com atuação no tráfico de drogas.
Durante a execução dessa fase ostensiva da investigação, foram cumpridos os mandados contra os suspeitos investigados pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e participação em organização criminosa.
No caso dos policiais, as condutas também indicam possível prática de peculato e corrupção passiva, assim como os traficantes podem ser enquadrados por corrupção ativa.
As investigações tiveram início a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em Vitória/ES, ocorrida em fevereiro de 2024.
Num mapeamento feito pela Polícia Civil do Espírito Santo, de controle do movimento do tráfico de drogas na capital capixaba e adjacências, a Ilha do Príncipe foi o único bairro identificado sob domínio do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criada nas prisões do Estado de São Paulo e que hoje é considerada uma das maiores do mundo.
As demais regiões da Grande Vitória, de acordo com o mapeamento da PCES, são controladas por PCV/CV e Terceiro Comando Puro (TCP).
COOPERAÇÃO ILÍCITA
Posteriormente à prisão desse traficante da Ilha do Príncipe, com o aprofundamento das apurações, foram verificados fortes indícios de que o preso e os servidores públicos mantinham relação, apontando para uma possível cooperação ilícita durante diligências policiais realizadas.
Os levantamentos indicaram que parte das drogas apreendidas em ações oficiais poderia estar sendo desviada para a própria associação/organização criminosa.
Pelos elementos colhidos, uma fração do entorpecente não era registrada nos boletins de ocorrência e acabava sendo repassada a intermediários indicados pelo grupo.
O nome da operação, “Turquia”, faz referência ao codinome “Turco”, utilizado pelo líder criminoso para se referir a um dos policiais investigados – Eduardo Tadeu.
A denominação simboliza a relação de proximidade estabelecida entre o servidor e o integrante da facção, evidenciada nas comunicações interceptadas ao longo da investigação.
Uma fonte ouvida pela TNL confirmou que as suspeitas de envolvimento de policiais do DENARC em corrupção e tráfico são antigas dentro da instituição e houve até a manifestação de um certo alívio com a informação de que o setor foi alcançado, porque isso estaria prejudicando a reputação da PCES.
NOTA OFICIAL
Demandada pela Tribuna Norte-Leste, a Polícia Civil do Espírito Santo divulgou uma Nota Oficial:
“A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) informa que, por meio da Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC), prestou apoio à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) em operação destinada ao cumprimento de mandados de busca e apreensão e um de prisão em desfavor de três Oficiais Investigadores de Polícia (OIP) lotados no Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc). O servidor detido foi encaminhado ao Alfa 10 (presídio de policiais civis).
A PCES reforça que não compactua com qualquer prática ilícita e que todas as condutas de seus integrantes serão rigorosamente apuradas. A Corregedoria Geral instaurará os devidos procedimentos administrativos internos para verificar eventuais responsabilidades disciplinares dos servidores envolvidos.
As informações referentes à investigação criminal permanecem sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPES) e da Polícia Federal (PF)”. (Da Redação com SRPF/ES, MPES e PCES)


























