Diógenes foi preso na Serra: em sua casa, havia vários objetos pessoais da ex-namorada
Quase dois anos depois do fato, a Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD) da Polícia Civil do Espírito Santo prendeu, na última terça-feira (20), o vendedor de carros Diógenes de Freitas Ferreira dos Santos, o “Jorginho”, 44 anos, suspeito do desaparecimento de Sara Serra dos Santos, na época com 20 anos, ocorrido no dia 13 de novembro de 2022.
Ex-namorado da atendente de caixa de supermercado, o indivíduo foi preso por força de mandado de prisão preventiva no bairro Serra Dourada III, no município de Serra. Durante as buscas na residência do suspeito foram encontrados roupas, crachás, fotografias e outros objetos pertencentes a Sara.
Segundo os familiares, Sara morava em uma casa no bairro Serra Dourada III, que pertencia ao ex-namorado. O relacionamento deles era conturbado, e durou apenas alguns meses. No entanto, de acordo com os parentes dela, o rapaz não aceitava o término e já tinha ameaçado a jovem várias vezes.
A irmã Fernanda Serra dos Santos disse que a caçula chegou a ser agredida por ele. “Ela trabalhava como atendente de caixa em um atacado, mas ele a agrediu no serviço e ela foi demitida. Não tinha nem um mês que ela estava trabalhando quando isso aconteceu”, contou a estudante, na época com 22 anos.
Agora, com a prisão de Diógenes, a Polícia espera descobrir o que foi feito de Sara, por meio dos depoimentos do ex-namorado.
RESUMO DO CASO
Sara desapareceu em novembro de 2022, quando tinha 20 anos de idade.
A última pessoa a ver a jovem foi uma tia. O encontro, por acaso, aconteceu um dia antes do desaparecimento, perto das casas onde moravam, na Serra. Naquela ocasião, chamou atenção o fato de Sara estar andando na rua com um par de chinelo nas mãos.
Segundo os familiares, Sara ainda morava em uma casa no bairro Serra Dourada III, que pertencia ao ex-namorado. O relacionamento deles era conturbado, e durou apenas alguns meses.
Por causa do término, Sara tinha o plano de sair da casa do ex — onde morava sozinha — e se mudar para onde vivia a irmã dela.
No dia do desaparecimento, a jovem enviou uma mensagem para a irmã informando que encontraria o antigo namorado em Porto Canoa, e fez um alerta para caso algo acontecesse.
Quando Fernanda viu o aviso no aplicativo, o celular da irmã já não funcionava mais.
Darcy Arruda, chefe de Polícia, e o delegado Gustavo Ximenes
INVESTIGAÇÕES
Segundo a polícia, o caso de Sara está sendo tratado como feminicídio com ocultação de cadáver. “Foi registrado como desparecimento, mas as investigações mostraram que houve feminicídio”, disse o chefe de Polícia, delegado José Darcy Arruda.
O delegado Gustavo Ximenes, da Delegacia de Desaparecidos, disse que Sara havia alugado uma casa em Serra Dourada, e o proprietário era o Diógenes. Eles começaram um relacionamento aproximadamente por três meses e ela sempre reclamava com a família que ele era obsessivo.
“Diante do desaparecimento dela, precisamos de elementos informativos indiretos durante esse período, com muitas oitivas, imagens de câmaras, quebra de sigilo telefônico, para apurar o caso, por isso somente agora conseguimos completar essas provas e pedir à Justiça a prisão preventiva com mandado de busca”, disse Gustavo.
A Polícia levantou que Diógenes tem dois processos em Macaé, no Estado do Rio, por crime de perseguição e ameaça. Na Serra, tem dois processos, da família da Sara por ameaças, e de uma ex-namorada em relação a violência doméstica. “A gente pode perceber que é um acusado obsessivo, essa característica de perseguir ex-namorados, por não aceitar fim de relacionamento”, observou o delegado.
Gustavo Ximenes explicou que, nas imagens de videomonitoramento de 13 de novembro de 2022, Sara é vista adentrando a residência de Diógenes. Ao ser ouvido pela Polícia, ele fala que não teria saído naquela noite, “mas temos imagens que ele sai três vezes e, na última, pouco antes das 21 horas, ele sai com um veículo automotor, passa pelo município de Fundão e só retorna 23h29. Refizemos o trajeto pelo cerco inteligente e o intuito agora é tentar localizar o corpo da Sara e finalizar a investigação”.
Na época, Diógenes prestou declarações contraditórias na delegacia e possuía uma lesão no rosto, como se tivesse entrado em briga corporal com uma pessoa, alguns arranhões. Negou-se a fazer exame de corpo de delito, estava com advogado e, pela lei, o delegado não pode obrigá-lo ao exame.
“Quando fizemos sua prisão, foi frio e agora vamos tentar encontrar o corpo da Sara. Vamos levantar corpos femininos achados nessa área e sem identificação para fazer exames de DNA”, disse o delegado.
Com autorização judicial, a Polícia entrou no telefone celular de Diógenes, onde só tinha fotos da Sara. Numa vez, ela estava na praia e, sem que ela soubesse, ele tirou cinco fotos dela de uma vez só. Quando ela desapareceu e saíram reportagens na imprensa, ele tirou fotos de diversas reportagens. “É sadismo”, diz José Darcy Arruda. (Da Redação com SESP)