
Mais de 30 mil pessoas estão ameaçadas pelo “afundamento” do solo sobre minas de exploração de sal-gema, com até 150 metros de altura, em Maceió, capital de Alagoas.
Iniciada na década de 70, a exploração das reservas alagoanas está suspensa atualmente, mas deixou essa “sequela” que afeta a população do bairro Pinheiros e ao redor, uma zona de alta vulnerabilidade social.
Mas quais são as lições que esse episódio pode deixar para o Espírito Santo, que guarda nas profundezas de seu subsolo uma reserva de sal-gema na região Norte equivalente a 70% da atual reserva nacional? Esta é a pergunta para a qual a Tribuna Norte-Leste está buscando respostas.
ONDE ESTÃO
Segundo a Agência Nacional de Mineração(ANM), o Espírito Santo tem hoje a maior reserva de sal-gema da América Latina. Ao todo são 12,2 bilhões de toneladas distribuídas em 11 áreas a serem exploradas, o que corresponde a 70% da atual reserva nacional.
Muitas estão localizadas nos municípios de Conceição da Barra, Ecoporanga e Vila Pavão. O potencial de desenvolvimento a ser provocado pela exploração ro mineral já atrai grande projetos de infraestrutura para a região, como portos e ferrovias.

A expectativa é que o mineral represente um novo ciclo econômico para a região e também para o Estado. Mas ainda levará tempo, pois esse tipo de empreendimento exige anos para que seja colocado em prática, sem levar em conta o período de pesquisa, aponta a agência.
O Brasil é o nono maior produtor de sal do mundo, com 7 milhões de toneladas registradas apenas em 2022. Apesar da boa colocação, a produção do minério sal-gema no país vem apresentando declínio nos últimos anos.
Isso leva o Brasil a aumentar as importações de sal, tanto o sal-gema para indústrias diversas, quanto o sal por evaporação solar para alimentação. As informações são da Agência Nacional de Mineração (ANM).
O sal-gema se forma por precipitação de sais de cloreto de sódio (NaCl), com a cristalização do mineral conhecido por halita. É uma matéria-prima versátil e muito importante na indústria brasileira.
Em entrevista para Livia Azedo, do site Brasil 61, o tecnologista sênior do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luís Carlos Bertolino, destaca que a extração do sal-gema é feita por solubilização desse sal em profundidade.
A partir desse momento, esse material solubilizado é levado até a superfície, onde acontece a precipitação fracionada para retirar o potássio, o cloro, entre outros. O restante do material é dispensado.

PARA QUE SERVE
O sal-gema é matéria-prima para uma grande variedade de produtos e processos. Ele é fundamental na produção de cloro, soda cáustica, ácido clorídrico e bicarbonato de sódio. Além disso, está presente em produtos farmacêuticos, nas indústrias de papel, celulose e vidro, bem como em produtos de higiene, como sabão, detergente e pasta de dente. O sal-gema também é usado no tratamento da água, sendo um recurso vital para a vida moderna.





























