Jornal feito por jornalistas, a Tribuna Norte-Leste se junta a entidades representatrivas e a outros veículos de comunicação em solidariedade à colunista Fabiana Tostes, da Folha Vitória, e repudia a agressividade e a falta de compostura do senador Marcos Do Val contra a jornalista, que tem pautado seu trabalho pela seriedade e postura ética em suas análises do cenário político capixaba.
É lamentável que um parlamentar que ocupa cadeira na mais alta casa representativa da política brasileira, que deveria dar exemplo, demonstre falta de equilíbrio, misoginia e desrespeito ao trabalho de uma profissional de imprensa.
O Brasil não precisa desse tipo de político. O Espírito Santo merece muito mais do que isso.
Instituições de jornalismo repudiaram publicamente a conduta do senador licenciado Marcos do Val (Podemos-ES) por intimidação e ataque à jornalista e colunista do Folha Vitória, Fabiana Tostes.
Os ataques ocorreram durante uma live realizada pelo senador no sábado (20), acompanhada por cerca de 9 mil pessoas.
Na transmissão, o senador fez críticas agressivas a uma informação publicada por Fabiana na coluna “De Olho No Poder”, além de expor e constranger a jornalista ao vivo para seus seguidores. O Folha Vitória publicou uma nota de repúdio sobre o caso.
Do Val chegou a telefonar para a jornalista durante a live e questioná-la de forma agressiva, sem deixar que ela respondesse.
Por nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) prestou solidariedade à jornalista e afirmou que a atitude do senador colocou a profissional em uma situação humilhante.
“Ao criticar de forma destemperada reportagem de Fabiana Tostes, autora da coluna de ‘Olho No Poder’, da Folha Vitória, Marcos do Val ligou para a jornalista, ao vivo, sem avisá-la da live, expondo a repórter e usando termos ofensivos, deixando-a numa situação humilhante”, afirmou a instituição, por nota.
Na mesma nota, a Abraji também se atentou ao fato de que Do Val teria impedido Fabiana de explicar que as informações contidas na coluna foram repassadas pela própria assessoria do parlamentar.
O senador chegou, inclusive, a ameaçar pressionar os empregadores da jornalista, além de exigir que o conteúdo fosse retirado do ar.
“Fabiana Tostes tentava, em vão, explicar ao senador licenciado que sua própria assessoria havia lhe passado as informações publicadas. Ele prosseguiu com acusações e ameaças de pressão sobre os empregadores da jornalista. Também queria exigir a retirada do conteúdo do ar”, relatou a Abraji.
A associação encerrou seu posicionamento afirmando que é inadmissível que uma jornalista seja exposta por uma autoridade pública por fazer seu trabalho.
A Abraji disse também que é contra qualquer forma de intimidação e espera que a conduta seja repudiada por colegas do parlamentar.
Quem também se posicionou foi a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que publicou uma nota conjunta com o Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo.
Os órgãos classificaram a conduta do senador como inaceitável e que o ataque faz parte de uma clara tentativa de intimidação e censura.
“Esse tipo de conduta é absolutamente inaceitável, especialmente quando parte de uma autoridade pública, eleita para representar democraticamente a sociedade. O ataque à jornalista Fabiana Tostes representa uma tentativa clara de intimidação e censura”, afirmaram os órgãos.
Ainda na nota, as duas instituições relataram que Do Val insistiu em críticas infundadas contra a jornalista, além de incitar seguidores contra a imprensa em uma tentativa de descredibilizar o trabalho jornalístico.
“Marcos do Val insistiu em acusações infundadas, ameaçou pressionar os empregadores da profissional e exigiu a retirada do conteúdo jornalístico do ar. Após o encerramento da ligação, o senador ainda incitou seus seguidores contra a imprensa”, diz a nota.
DA REDAÇÃO
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.(Diana Gonçalves – pseudônimo)





















