O presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, correram sério risco de execução por militares golpistas entre a eleição, em 2022, e a posse, no dia 1º de janeiro de 2023. Nesta terça-feira (19), a Polícia Federal realiza uma operação de combate a uma organização criminosa que planejou a morte dessas autoridades e prendeu quatro militares do Exército e um policial federal.
Os agentes miram os chamados “kids pretos”, grupo formado por militares das Forças Especiais, e apuram plano de execução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB).
Foram presos quatro militares do Exército ligados às Forças Especiais da corporação, os chamados “kids pretos”: o general de brigada Mario Fernandes (na reserva), o tenente-coronel Helio Ferreira Lima, o major Rodrigo Bezerra Azevedo e o major Rafael Martins de Oliveira. E o policial federal Wladimir Matos Soares.
Ainda conforme a corporação, o grupo planejava também “a prisão e execução de um ministro do Supremo Tribunal Federal, que vinha sendo monitorado continuamente, caso o golpe de Estado fosse consumado”. Segundo o jornal O Globo, o magistrado seria Alexandre de Moraes.
Foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em Goiás, no Amazonas e no Distrito Federal. Foram determinadas 15 medidas, como a proibição de contato entre os investigados, a entrega de passaportes em 24 horas e a suspensão do exercício de funções públicas.
O Exército Brasileiro acompanhou o cumprimento dos mandados. Inicialmente, a Polícia Federal chegou a informar que eles estariam atuando na segurnaça do G20, mas o Centro de Comunicação Social do Exército negou procedência à informação,
Segundo o comunicado,
“o General Mário Fernandes e o Tenente-Coronel Hélio Ferreira Lima encontravam-se no Rio de Janeiro para participar de cerimônias de conclusão de cursos de familiares e amigos. O Tenente-Coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo deslocou-se para a guarnição, a serviço, para participar de outras atividades e não fez parte do efetivo empregado na operação de GLO. O Tenente-Coronel Rafael Martins De Oliveira já se encontrava afastado do serviço por medidas cautelares determinadas pela justiça”.
Conforme O Globo, um dos alvos da Operação Contragolpe, como foi chamada, é o general da reserva Mário Fernandes. Ele era secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo de Jair Bolsonaro (PL). Hoje, é assessor no gabinete do deputado e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (PL-RJ).
Em nota, a PF disse que uma organização criminosa “se utilizou de elevado nível de conhecimento técnico-militar para planejar, coordenar e executar ações ilícitas nos meses de novembro e dezembro de 2022”.
O plano estava sendo chamado de “Punhal Verde e Amarelo” e seria executado em 15 de dezembro de 2022.
“O planejamento elaborado pelos investigados detalhava os recursos humanos e bélicos necessários para o desencadeamento das ações, com uso de técnicas operacionais militares avançadas, além de posterior instituição de um ‘Gabinete Institucional de Gestão de Crise’, a ser integrado pelos próprios investigados para o gerenciamento de conflitos institucionais originados em decorrência das ações”, disse a PF.
“Os fatos investigados nesta fase da investigação configuram, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado e organização criminosa”, declarou.
A PF chegou aos alvos desta terça-feira ao analisar dados desses militares já investigados no inquérito.
Parte dos indícios veio, por exemplo, de material que já tinha sido deletado de aparelhos do coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, e foi restaurado pelos investigadores. Cid deve depor novamente à Polícia Federal nesta terça.
Outra parte, ainda maior, veio dos aparelhos celulares de outros militares. (Da Redação com O Globo)
























