O Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios do Espírito Santo de 2021, divulgado nesta sexta-feira, 15, pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), apontou a retomada da indústria capixaba. E, em Barra de São Francisco, o setor teve o melhor desempenho, obtendo crescimento de 20,17%, na comparação com 2020.
A publicação traz os dados oficiais daquele ano, calculados em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O PIB francisquense passou de R$ 1 bilhão para 1,17 bilhão de 2020 para 2021, crescimento de 17%, no primeiro ano da gestão do prefeito Enivaldo dos Anjos, enquanto o PIB per capita subiu 15,43%, passando de R$ 22,26 mil para R$ 25,72 mil.
É importante observar que, em 2023, Barra de São Francisco ultrapassou São Mateus, Colatina e Nova Venécia na geração de empregos formais o que, acredita o prefeito, deve colocar o município em primeiro lugar no PIB de 2023, que só será divulgado em 2025.
“Nosso município vem experimentando uma fase excepcional de desenvolvimento e já estamos tendo dificuldades para encontrar mão-de-obra e imóveis para alugar. A expansão é tão grande que a Cesan declarou recentenmente que não está tendo como atender a demanda e ligação de rede de água e esgoto para novos loteamentos, problema que temos que resolver com urgência”, informa Enivaldo.
Não obstante o crescimento mais expressivo da indústria, o setor de serviços (que inclui também o comércio) gerou quase a metade do PIB deste município do Noroeste capixaba. O setor gerou um Valor Agregado Bruto (VAB) de R$ 401,37 milhões em 2021, contra R$ 361,05 milhões em 2020.
O declínio da atividade agropecuária também ficou transparente na composição do PIB de Barra de São Francisco. O setor, que gerou R$ 75,62 milhões em 2020, teve uma queda de 23,10%, caindo para R$ 58,15 milhões de VAB.


Recorte regional
Na comparação com 10 municípios da Região Noroeste do ES, abaixo do Rio Doce, ou seja, excetuando Colatina e Baixo Guandu, Barra de São Francisco tem o segundo maior PIB, perdendo apenas para Nova Venécia.
O maior PIB per capita fica com o município de São Domingos do Norte, com R$ 37,93 mil.
Confira os dados
Água Doce do Norte
PIB R$ 184,4 milhões
PIB per capita R$ 17,07 mil
Águia Branca
PIB R$ 246 milhões
PIB per capita R$ 25,57 mil
Alto Rio Novo
PIB R$ 113,03 milhões
PIB per capita R$ 14,29 mil
Barra de São Francisco
PIB R$ 1,17 bilhão
PIB per capita R$ 25,72 mil
Ecoporanga
PIB R$ 411,09 milhões
PIB per capita R$ 18,07 mil
Mantenópolis
PIB R$ 203,07 milhões
PIB per capita R$ 12,97 mil
Nova Venécia
PIB R$ 1,35 bilhão
PIB per capita R$ 26,40 mil
Pancas
PIB R$ 358,5 milhões
PIB per capita R$ 15,30 mil
São Domingos do Norte
PIB R$ 331,34 milhões
PIB per capita R$ 37,93 mil
São Gabriel da Palha
PIB R$ 762,064 milhões
PIB per capita R$ 19,50 mil
Vila Pavão
PIB R$ 180,64 milhões
PIB per capita R$ 17,47 mil
PIB Estadual Municípios
O município de Anchieta, localizado no Litoral Sul do Estado, obteve a maior variação em termos percentuais do PIB, com expansão de +457,1% em relação ao ano anterior. O diretor de Integração do Instituto Jones dos Santos Neves, Antonio Rocha, explicou que o resultado se deve, em grande parte, à retomada das atividades de pelotização de minério de ferro e extração de petróleo e gás no Espírito Santo.
“Anchieta foi beneficiada pelo retorno da Samarco, que ficou por anos paralisada e reiniciou suas operações no final de 2020. Essa retomada da produção da empresa colaborou com esse crescimento bem expressivo da economia, principalmente na parte da Indústria e do petróleo e gás, abarcando também todo o Litoral Sul”, explicou Antonio Rocha.
O crescimento de Anchieta foi seguido pelos municípios de Presidente Kennedy (+93,8%), Marataízes (+83,9%) Itapemirim (+77,0%), Piúma (+51,0%) e Jaguaré (+47,9%), que também foram influenciados pelo resultado da Indústria extrativa mineral – extração de petróleo e gás natural, beneficiada pelo aumento dos preços.
Completando a lista dos dez municípios com maiores variações no valor nominal do PIB, estão João Neiva (+69,8%), influenciado pela metalurgia, com ganhos devido à alta dos preços, Serra (+49,5%), Marilândia (+37,3%) e Vila Valério (+36,8%). Esses dois últimos prosperaram, principalmente, com ganhos nas culturas de café conilon.
O diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira, destacou a relevância do estudo para a gestão pública estadual e dos municípios: “O Instituto Jones acompanha de perto os indicadores da economia capixaba. São informações estratégicas para se pensar o planejamento dos municípios, de acordo com os setores econômicos, e também auxiliar o processo decisório dos gestores em conjunto com a sociedade”, afirmou.
No âmbito regional, as dez microrregiões registraram expansão no valor do PIB em 2021. A microrregião Metropolitana foi a que apresentou o maior crescimento, principalmente por influência dos municípios da Serra, Vitória, Vila Velha e Cariacica, registrando acréscimo de R$ 26,4 bilhões em relação ao ano anterior. A segunda microrregião com maior expansão foi a Litoral Sul, impactada por Anchieta e pelos municípios produtores de petróleo e gás.
Em relação ao PIB do Brasil, em 2021, o município da Serra retomou a posição ocupada em 2019 de maior economia capixaba e ganhou dez posições no confronto com todas as municipalidades, subindo da 40ª para 30ª posição no período avaliado, influenciada pelo desempenho da metalurgia.
Já a Capital Vitória, embora tenha ganho posição na comparação entre as capitais (15ª), perdeu posição tanto na economia estadual, quanto na comparação com todas os municípios brasileiros, saindo da 39ª economia em 2020, para 42ª em 2021. Entre os motivos, o estudo apontou o crescimento expressivo de outros munícipios, visto que a capital registrou expansão do PIB.
O levantamento mostra ainda que, entre 2020 e 2021, dos 78 municípios capixabas, 76 registraram expansão.
PIB per capita
No ranking nacional de PIB per capita, o destaque foi para Presidente Kenedy, que subiu da oitava posição de 2020 para a quinta posição em 2021. A soma por habitante chegou a R$ 580.174, o que representa quase 13 vezes mais que o PIB per capita do Espírito Santo (R$ 45.354). A primeira colocação agora é ocupada pelo município de Catas Altas, em Minas Gerais.
Na classificação estadual do PIB per capita, Presidente Kennedy foi seguido por Anchieta (R$ 190.330), Marataízes (R$ 169.635) e Itapemirim (R$ 164.321), todos localizados em áreas de extração de petróleo e gás. Completando a lista dos dez maiores estão Vitória (R$ 85.036), Serra (R$ 69.452), Viana (R$ 52.364), Aracruz (R$ 50.629), Linhares (R$ 44.705) e Santa Maria de Jetibá (R$ 39.228).
Todos os dados estão disponíveis no Painel Interativo PIB Municipal, que pode ser acessado no site do IJSN. O estudo completo está disponível em: https://ijsn.es.gov.br/publicacoes/cadernos/pib-municipal.























