
Nos anos 70 e 80, ela era o rosto mais conhecido da televisão capixaba apresentando o principal jornal da TV Gazeta, onde trabalhou de janeiro de 1974 a julho de 1984.
No início da noite desta segunda-feira (3), morreu Maura Miranda, jornalista, 72 anos, nascida em Cachoeiro de Itapemirim, primeira mulher negra a ancorar um telejornal na TV brasileira.
O corpo da jornalista foi trasladado para Cachoeiro de Itapemirim, onde foi velado a partir das 13 horas desta terça-feira (4) na capela do Cemitério de Coronel Borges, onde foi sepultado no final da tarde.
Maura Miranda estava internada há uma semana no Hospital Estadual Jaime Santos Neves, na Serra, depois de uma complicação pós-operatória para retirar a vesícula.

SER JORNALISTA
“Ela era grande no que fazia, amava a comunicação, se expressar, cantar…”, lembra a sobrinha Gicelia de Paula Miranda Santos.
A carreira de Maura incluiu outros veículos de comunicação. Nos 10 anos seguintes à TV Gazeta, Maura Miranda trabalhou na TV Vitória, de 1984 a 1994, na época da Rede Manchete. Também foi editora na TV Assembleia. Aposentou-se em 2012, mas era apaixonada pela profissão.
Na Secretaria de Comunicação da Ales, foi editora do Jornal Panorama e produziu o documentário “Amar Caparaó”, que participou de mostras de cinema e foi premiado no Festival Mova Caparaó . No exercício da profissão foi premiada ainda por outras produções, com destaque para “Os pomeranos”, que conta a saga do povo alemão no Espírito Santo; e “Lugar de toda pobreza”, que relata a vida de moradores do bairro de São Pedro, em Vitória (década de 1980).
“Ser jornalista é, para mim, um grande prazer. Gosto de contar histórias e um bom jornalista tem que saber contar histórias, narrar os fatos, informar e ajudar a sociedade a formar sua opinião. Tudo isso deve e tem que ser feito com muita responsabilidade”, publicou ela em seu perfil do LinkedIn.
Pelas pesquisas, Glória Maria foi a primeira repórter negra da TV e Maura a primeira âncora. Glória apresentou o RJTV, o jornal local da Globo do Rio na mesma época de Maura. Por isso, a tal controvérsia. Glória foi a primeira mulher a apresentar um telejornal nacional.
Persiste a dúvida entre ela e Maura. Começaram juntas na apresentação, em 1974.
Glória Maria morreu de câncer dia 3 de fevereiro deste ano. (Da Redação com José Caldas da Costa)

REPERCUSSÃO
“Grande guerreira. Trabalhamos juntos na TV Gazeta, 76/77, quando ela chegou de Cachoeiro para apresentar o Plantão Gazeta as 23hs. Era um noticiário editado pela Glecy Coutinho e que ia ao ar antes do Jornal Amanhã, tarde da noite. Os repórteres eram eu e a Mariza Sampaio, que também tinha vindo de Cachoeiro. O Abdo nem sonhava trabalhar lá.
Maura Miranda, presente!” (Namy Chequer, jornalista )
“Mulher negra, referência de profissional no telejornalismo capixaba. Que ela siga na luz que sempre irradiou em vida” (Miriam Cardoso)
“Ela e a jornalista Helena de Almeida usavam a mesma marca de um perfume que marcava a chegada delas na editoria. Posso até lembrar o cheio de frescor que exalavam. Siga seu caminho de luz até a Casa do Pai Eterno. Combateu o bom combate e guardou a fé” (Maria Luzia Luz)
“Maura, querida, sempre lembrarei do que você disse-me em 1982: ´a vida é como o mar – fluxo e refluxo, o que vai volta´`. Por isso, sei que o rastro de perfume que você deixava pelos corredores das emissoras de TV, agora lhe retorna em forma de clarão nas alamedas coloridas pelas mais deslumbrantes flores de Deus” (Marco Faustini)


























