Em dezembro de 2020, após o primeiro ano da pandemia de Covid-19, o preço da carne bovina de segunda chegou a R$ 27,64 (músculo e maçã de peito) e já registrava forte aumento em relação ao final de 2019, quando o valor do quilo desses cortes não chegava a R$ 25,00.
No final do ano passado, o quilo da carne de segunda já custava, em média, R$ 30,94 e, no início deste ano, teve ligeira queda, para R$ 29,95.
Já as carnes mais nobres, como alcatra e filé mignon não saem por menos de R$ 50,00 o kg neste início de ano, sem falar na picanha, que foi alvo de brincadeiras durante os últimos dois anos, quando o preço, assim como a maioria das carnes bovinas, ficou proibitivo para as pessoas de baixa renda.
Para os pecuaristas, o preço médio da arroba do boi gordo, em janeiro de 2021, era de R$ 260,51, no Espírito Santo. Em janeiro do ano passado, alcançou a média de R$ 300,20, um aumento de 15,23%.
Já em janeiro deste ano, o valor da arroba está custando, em média, R$ 278,76, uma redução de 7,14% em relação ao mesmo mês do ano passado.
“A gente vendia o boi gordo (arroba) por mais de R$ 300,00 até o início do ano passado, agora achamos, no máximo, R$ 250,00 e, mesmo assim, o preço da carne bovina não cai nos supermercados e açougues”, reclama um pecuarista da região do Barro Preto, em Paulista, interior de Barra de São Francisco.
Mas, por quê o preço da carne bovina não cai nos supermercados e açougues?
De acordo com alguns gerentes de açougues em supermercados da cidade, o preço no frigorífico não está caindo e, esse seria o motivo dos supermercados continuarem com os preços altos.
“Nós somos a ponta da cadeia distribuidora, mas não temos como fazer milagres, se o preço dos frigoríficos não cai, fica impossível repassar para o consumidor”, afirma um gerente.
Tentamos entrevista com pelo menos dois frigoríficos que atendem o município, mas ambos pediram que as perguntas fossem enviadas via email para serem respondidas.
Queda prevista
A previsão da Safras & Mercado é de que o custo final da carne bovina brasileira deve cair em até 20% para o consumidor este ano, em função de uma maior oferta do produto no mercado interno.
De acordo com os dados apresentados a expectativa é de a carcaça do boi gordo seja vendida para os frigoríficos por cerca de R$ 250 a arroba.
Embora o ano esteja apenas começando e a média parcial de janeiro de 2023 inclua poucos dados e esses dados ainda em um mercado com pequeno número de negócios, a expectativa é que o preço do boi gordo caia ainda mais frente a janeiro de 2022.
Caso essa tendência se confirme, a queda em janeiro de 2023 ficará próxima da maior queda na base anual de comparação para um mês de janeiro, quando em 2006 a baixa ficou em 16,7%.
Queda em todo o país
O preço médio do boi gordo (Cepea) no País, na primeira quinzena de janeiro de 2023, de R$ 286,8 por arroba, foi 15,3% menor que a média nominal observada em janeiro de 2022, quando a média ficou em R$ 338,5 por arroba.
Vale lembrar que o início do ano é marcado por um ritmo de negócios mais baixo, além do que, o consumo doméstico também tende a ser menor nesse período do ano, o que favorece um ambiente de maior pressão negativa nos preços.
Essa pressão negativa, aliás, tem igualmente pressionado, para baixo, o mercado futuro do boi gordo. Vale lembrar, que a projeção do preço do boi gordo para maio e outubro de 2023 renovou a mínima para os respectivos vencimentos, em janeiro.
Apesar da queda frente a janeiro de 2022, dentro da parcial do mês de janeiro de 2023, o preço acumulou leve alta. (Da Redação com Safras & Mercado e Incaper)



























