Em maio de 2019, a morte de uma empresária francisquense por conta da dengue, mobilizou toda a comunidade para localizar e combater o mosquito aedes aegipty, transmissor da doença. Houve uma verdadeira comoção nas redes sociais, já que o município atingia naquela atura, a média de quase 500 suspeitos. No início de junho, o município bateu nos 700 casos notificados.
O ano de 2019 terminou no Espírito Santo com 79.051 casos de dengue notificados e incidência de 1.990,01 casos por 100 mil habitantes. Foram confirmados 43 óbitos, um deles em Barra de São Francisco.
Este ano, até a última semana epidemiológica, publicada nesta sexta-feira, 23, com dados do último dia 17, foram notificados 4.570 casos de dengue no Espírito Santo com incidência de 112,45 casos por 100 mil habitantes. Detalhe: Não há óbitos confirmados no período.
Em Barra de São Francisco, o boletim aponta que o número de casos é zero e apenas um município do Estado, Ibiraçu, está no nível de incidência alta, com 484,5 notificações. Uma realidade totalmente diferente desde o início da pandemia da Covid-19.
Mesmo em 2020, logo após o início da pandemia, os casos de dengue começaram a cair substancialmente no Espírito Santo.
No ano passado, foram notificados 28.893 casos suspeitos de dengue no Espírito Santo com incidência de 718,97 casos por 100 mil habitantes até dia 18 de abril. Nesse período, foram confirmados seis óbitos.
No final do ano, foram 44.948 mil casos notificados de dengue, uma redução de quase 43%, se comparada ao ano de 2019, que, nesse período, registrou 79.711 casos, com 11 mortes, 32 a menos do que em 2019.
Para um médico ouvido pelo site TNL, a relação de redução dos casos de dengue com a pandemia da Covid-19 fica evidente e mostra que as pessoas estão tendo mais cuidado com a higiene e limpeza de suas casas.
“Na verdade, são dois fatores que contribuem substancialmente para a redução dos casos de dengue: O primeiro é que muita gente associa, erradamente, o mosquito causador da dengue com a transmissão do coronavírus e, segundo que, após a pandemia, as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, principalmente as mulheres que trabalham fora e, com isso elas estão dedicando mais tempo à limpeza de locais de reprodução do mosquito”, analisa o médico, que pediu para não ter seu nome divulgado.
Assim como em todo o Estado, o avanço dos casos suspeitos de dengue do município, comprovadamente, está relacionado à falta de cuidados da população com o próprio domicílio. Segundo a Vigilância Epidemiológica, 68% dos focos estão dentro das residências e outros 28% em imóveis comerciais, depósitos de materiais de construção, entre outros.
Ou seja, nas áreas públicas como ruas, avenidas e praça ou mesmo nos cursos d’água estão apenas 4% dos focos. Mas estes 4% ajudam a propagar substancialmente o mosquito uma vez que cada fêmea pode dar origem a 1.500 mosquitos durante a sua vida. Os ovos são distribuídos por diversos criadouros – estratégia que garante a dispersão e preservação da espécie. Se a fêmea estiver infectada pelo vírus da dengue quando realizar a postura de ovos, há a possibilidade de as larvas filhas já nascerem com o vírus, no processo chamado de transmissão vertical.
Inicialmente, os ovos possuem cor branca e, com o passar do tempo, escurecem devido ao contato com o oxigênio. O ovo do aedes aegypti mede aproximadamente 0,4 mm de comprimento e é difícil de ser observado.
O Ministério da Saúde considera três níveis de incidência acumulada das quatro últimas semanas dos casos de dengue: baixa (menos de 100 casos/100 mil habitantes), média (de 100 a 300 casos/100 mil habitantes) e alta (mais de 300 casos/100 mil habitantes). A taxa de incidência é um importante indicador de alerta e ajuda a orientar as ações de combate à dengue. (Weber Andrade)


























