As áreas ocupadas de forma irregular mais que dobraram em Petrópolis, no Rio de Janeiro, nos últimos 35 anos. É o que mostra levantamento feito a pedido do siter g1 pela MapBiomas com base em imagens de satélite e dados do IBGE.
As mortes em decorrência das chuvas que atingiram 198 pessoas desde a semana passada. As buscas por vítimas em Petrópolis entraram nesta quarta-feira, 23, no 9º dia. Pelo menos 69 pessoas estão desaparecidas.
O número é o maior já registrado na história da cidade – a maior catástrofe até aqui era a de 1988, quando 171 morreram.
Na tarde desta terça, 22, as ruas de Petrópolis voltaram a ficar alagadas por causa de uma forte chuva.
Entre 1985 e 2020, houve um crescimento de 108,81% no espaço ocupado na cidade pelos “aglomerados subnormais”, classificação do IBGE para áreas como favelas, invasões e loteamentos irregulares.
Geralmente, esses locais estão em áreas precárias, sem infraestrutura básica – muitas vezes em regiões consideradas de risco de deslizamentos ou inundações.
O IBGE mapeou 48 “aglomerados subnormais” em Petrópolis, entre eles o Morro da Oficina, um dos mais devastados pela tempestade que destruiu a cidade na última semana.
A expansão da ocupação irregular continuou a crescer mesmo após grandes tragédias, como as de 1988, 2011 e 2013.
A área construída no município sobre esses locais em 1985, três anos antes de uma das maiores tragédias já registradas na história da cidade, era de 198,7 hectares, mostra o levantamento realizado por Julio Cesar Pedrassoli, coordenador do mapeamento das áreas urbanizadas do MapBiomas e professor de engenharia Cartográfica da Universidade Federal da Bahia.
Em 2020 – último ano com dados atualizados –, essa ocupação passou para 414,9 hectares (aumento de 108,81%).
Mais de 70 mil pessoas em áreas de risco
De acordo com uma pesquisa feita pelo IBGE e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), utilizando dados do Censo 2010, pouco mais de 70 mil pessoas moravam nessas áreas de risco de desastres naturais em Petrópolis em 2018.
O número representa 24,4% da população total do município calculada pelo órgão. Esse mesmo levantamento do IBGE apontou que 24.089 domicílios estavam nas áreas de risco.
Em outro levantamento, contratado pela prefeitura de Petrópolis e realizado pela empresa Theopratique Obras e Serviços de Engenharia e Arquitetura em 2016, foram mapeadas 27.704 moradias “em áreas de risco alto e muito alto” nos 5 distritos que compõem a cidade.
As informações constam no Plano Municipal de Redução de Riscos, que foi entregue à prefeitura em 2017 e utiliza metodologia diferente da empregada pelo IBGE.
Cada vez mais alto
O Morro da Oficina cresceu 88,9% em área construída de acordo com os cálculos do MapBiomas. No vídeo abaixo, a mancha vermelha representa o aumento das construções ao longo dos anos:
Segundo a análise da professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e coordenadora do tema urbano no MapBiomas, Mayumi Hirye, ao longo dos anos as pessoas passaram a ocupar regiões da encosta com maior declive. O avanço das construções está relacionado com a falta de alternativas de habitação para a população de baixa renda.
“Outro processo que deu pra notar no Morro da Oficina e que também notamos em outras áreas de ocupação informal é o aumento do número de pavimentos das edificações”, disse Mayumi.
“Isso representa um adensamento da ocupação e uma sobrecarga sobre o terreno. Como são áreas de ocupação informal, não tem um engenheiro fazendo cálculo de qual é a fundação adequada. Quando a pessoa constrói o primeiro andar, ela constrói uma fundação pensando nesse primeiro andar. Quando constrói o segundo andar você tem uma sobrecarga de estrutura”, comentou.
Essa sobrecarga sobre o solo pode aumentar as chances de deslizamentos de terra nos locais que já são suscetíveis a esse fenômeno, segundo especialistas. (Da Redação com g1 Região Serrana).






















