*Kenner Terra
Tainara, mãe de duas crianças, teve as pernas amputadas depois de ser atropelada e arrastada pela avenida por um homem com quem se relacionou.
Daniela, 38 anos, também mãe de dois filhos, foi assassinada a facadas por seu ex-marido, na frente de sua filha de 11 anos.
Esses são apenas alguns exemplos tristíssimos da crescente violência de gênero no Brasil.
Os dados são alarmantes: 1.492 mulheres foram assassinadas — o pior índice desde 2015. Em São Paulo, por exemplo, antes mesmo de o ano terminar, todos os recordes já haviam sido quebrados.
São quatro mulheres mortas por dia no Brasil, vítimas de crimes de ódio. Pesquisadores falam em uma verdadeira epidemia de violência de gênero, que vai da violência doméstica ao assassinato decorrente da brutalidade de companheiros ou ex-companheiros.
Quais as razões para essa cultura de misoginia? Entre tantas possíveis, a construção da imagem da mulher e o tipo de masculinidade fortalecido na sociedade são parte da resposta. Nesse ponto, o discurso bíblico e a tradição cristã podem ter grande impacto.
Se nossa perspectiva teológica reforçar, seja via Escritura ou tradição, a inferioridade da mulher, sua submissão ou um suposto lugar especial do homem, sem nos darmos conta estamos contribuindo para esses números.
Movimento que enfatizam a masculinidade violenta e grotesca acabam formando homens mais propensos a reproduzir esses índices.
Na Bíblia há um vasto material de dignificação da mulher e crítica dura a homens violentos, ao mesmo tempo em que defende a igualdade nas relações de gênero.
Cabe à igreja brasileira, portanto, abandonar as aberrações anti-bíblicas e reafirmar texto iguais ao petrino, no qual se afirma que Deus ignora até as orações de um marido violento (1Pedro 3.7).
*Kenner Terra é teólogo, cientista das religiões e pastor batista


























