
A pandemia da Covid-19 causou mudanças significativas tanto no número de nascimentos quanto de óbitos, entre 2019 e 2021, em Barra de São Francisco e todo o país. Aqui, a média de nascimentos mensais em 2019 era de 54 pessoas, mas passou para 55,2 em 2020 e está em 54,3% este ano, até hoje, 23, segundo o site transparencia.registrocivil.org.br.
Em 2019 nasceram 648 pessoas, enquanto em 2020 foram 663 e este ano os nascimentos chegam a 597.
O interessante é que os meses de agosto, setembro e outubro, registram grande aumento de natalidade em 2020 em relação a 2019, o que, segundo um obstetra ouvido pela nossa reportagem, indica que as crianças foram ‘fabricadas’ entre novembro e dezembro de 2018 e janeiro de 2019. “São nove meses de gestação, portanto, esse boom de nascimentos entre agosto e outubro de 2019 mostra que os filhos foram ‘planejados’ sem levar em conta a pandemia, que ainda não existia”, comenta o obstetra que pediu para não ser identificado.
Em 2021, os meses de agosto e setembro também tiveram crescimento da natalidade no município, comparando com 2019 e 2020. “Pode-se observa que em agosto deste ano nasceram três pessoas a mais do que em 2020 (5,55%), mas em relação a 2019 foram 13 vidas novas a mais, ou seja, 32,56 a mais do no primeiro ano antes da pandemia”, compara o obstetra.
Outro dado interessante é que, em janeiro deste ano foi registrado o maior número de nascimentos no município: Foram 80 novos registros, contra 54 em 2021, um aumento de 48,15%. “Isso indica que o mês de abril do ano passado foi de intenso isolamento e a ‘fábrica’ de crianças funcionou ativamente”, opina o médico.
Porém, em 2020, na comparação com 2019, janeiro teve uma queda de 25,7% nos registros. No ano anterior à pandemia foram registradas 73 crianças em Barra de São Francisco e, no ano passado, apenas 54.

Óbitos
Antes da pandemia, em 2019, foram 362 mortes no ano, média de 30,16 mortes por mês. Em 2021, até agora, morreram 471 pessoas no município, média de 39,25% por mês, enquanto que, em 2020, foram 35,45 óbitos mensais, em média. E o ano ainda não acabou. De acordo com levantamento feito pelo site TNL no portal, o aumento do número de mortes, até agora, no município foi de 20,77%.
No entanto, o levantamento mostra que esse aumento enorme de óbitos na cidade aconteceu em apenas quatro meses do ano, com destaque para o ‘abril negro’, quando 69 pessoas morreram vítimas de Covid-19 no município.
Só em abril, o aumento no número de mortes foi de 561,90%, passando de 21 em abril do ano passado para 118 este ano.
Em janeiro, o número de mortes cresceu 220% em relação ao mesmo mês de 2020: Foram 20 óbitos no ano passado e 44 este ano.
Em fevereiro o número de óbitos teve um ligeiro recuo (-6,25%), mas em março, o crescimento dos óbitos voltou a ser expressivo: Foram 28 óbitos no ano passado contra 55 este ano, aumento de 196,43%.
Óbitos x nascimento
Na comparação entre o número de registros de nascimento e de óbitos entre 2019 e 2020, é interessante observar que em 2019 e 2020, a média de nascimentos superou a de óbitos em 74,5%. Em 2019 morreram 362 e nasceram 648, ou seja, 286 vidas novas a mais do que falecimentos, aumento de 79%.
Em 2020 foram 273 nascimentos a mais do que mortes e a diferença entre vida e morte caiu para 70% a favor da vida.
Já em 2021, embora o ano ainda não tenha acabado, foram registrados até agora 126 nascimentos a mais do que óbitos, ou seja, 26,75%. Foram 471 vidas perdidas e nasceram 597 pessoas no município. Este número, no entanto, ainda vai mudar até o final do ano. (Weber Andrade)
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