
O novo cemitério de Barra de São Francisco será construído em um terreno de cerca de 80 mil m² (8 hectares), que começa ao lado da entrada do presídio regional, em terreno do próprio município. O projeto deve ficar pronto no início do ano que vem e começará a ser construído em ritmo emergencial, devido à falta de vagas no cemitério atual.
A informação foi passada à comunidade nesta terça-feira, 20, por Clauzenira Bueno Galhardo, secretária municipal de Servicos Públicos Delegados de Água Potável, Esgoto, Internet e Energia Elétrica, e seu subsecretário, Léo, durante entrevista ao radialista Reginaldo Monteiro, o Ceará, na rádio Clube FM.
De acordo com o prefeito Enivaldo dos Anjos, nenhuma medida que tenha sido tentada pela administração municipal nos últimos meses para atenuar o problema da falta de vagas no cemitério surtiu efeito e, agora, o quadro chegou ao seu limite.
Com média em torno de 20 sepultamentos por mês, o local não tem mais vagas nem para os próximos 30 dias. A situação já vinha se arrastando há alguns anos e no final da gestão passada, do prefeito Alencar Marim, a prefeitura chegou a abrir espaço em uma faixa de cerca de cinco metros, dentro do cemitério, mas essa área também já foi toda ocupada, segundo funcionários. A pandemia de Covid, que provocou 263 mortes (0,6% da população), contribuiu para agravar o quadro nos anos de 2020 e 2021.
Depois de registrar até 70 mortes em um único mês, durante a pandemia, Barra de São Francisco voltou a um quadro de normalidade na ocorrência de óbitos e, segundo a secretária de Serviços Públicos, Cleuzenira Bueno Galhardo, entre fevereiro, quando a gestão passou para a sua pasta, e novembro, morreram 190 pessoas na cidade, uma média de 19 por mês. Junho foi o pico de mortes, com 28 sepultamentos no cemitério da cidade, e agosto foi o mês de menor ocorrência, com 13 sepultamentos.
Se dezembro repetir os 20 óbitos de novembro, o município não vai ter onde enterrar seus mortos, segundo informações do coveiro que monitora as estatísticas para a Secretaria de Serviços Públicos. Durante a pandemia o caos somente não foi completo porque parte dos mortos era de distritos, que têm seus pequenos cemitérios locais.
Já ciente do problema, o prefeito Enivaldo dos Anjos (sem partido), que há pelo menos um ano tenta encontrar um terreno para construir um novo cemitério, avisou: “Estamos tentando comprar um terreno para construir um cemitério novo, em comum acordo com o proprietário. Se nos próximos 30 dias não conseguirmos essa aquisição consensual, vamos escolher um terreno em volta da cidade e desapropriar para fins de interesse público”.
Segundo o prefeito, depois de três anos é feita a exumação dos corpos enterrados – que as famílias não requereram a construção de túmulo – e os restos mortais são colocados num ossuário vertical para abrir espaço no cemitério. De acordo com a lei, o prazo anterior era de cinco anos e a redução do prazo está causando problema:
“Devido às mortes na pandemia, houve um acúmulo de sepultamentos recentes, sem cumprir o prazo legal para exumação. Não temos mais como segurar a situação. Se não construirmos urgentemente um novo cemitério, quem morrer na cidade vai ter que ser enterrado nos distritos”, disse Enivaldo.
Conforme os registros existentes no cemitério da cidade, que já é “novo”, construído na década de 70, foram sepultados até hoje no local 9.817 pessoas. O coveiro Felipe Antonio Vieira, que trabalha no cemitério há pouco mais de quatro anos, disse que, para tentar equacionar o problema, a equipe está abrindo covas entre sepulturas, em pequenos espaços onde sequer é possível construir um túmulo. “Mesmo assim, não temos espaço nem para 20 novos sepultamentos”, disse Filipe. (Da Redação)





















