O coronel da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura morreu aos 87 anos, no hospital Santa Lúcia, na Asa Sul, em Brasília, na madrugada desta quarta-feira, 17. Natural de Minas Gerais, ele era mais conhecido como Major Curió.
O oficial do Exército foi responsável por comandar a repressão à Guerrilha do Araguaia na ditadura militar, e foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por homicídio e ocultação de cadáveres durante o combate à guerrilha.
A informação da morte foi confirmada pela assessoria do hospital. A unidade de saúde afirma que, por questões de sigilo médico, não pode dar mais informações sobre a causa do falecimento.
Em 2009, ao jornal “O Estado de S. Paulo“, Curió afirmou que o Exército executou 41 pessoas no Araguaia. Em 2020, o militar foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), em encontro no Palácio do Planalto, em Brasília.
Guerrilha e Serra Pelada
Major Curió foi o oficial do Exército que comandou ao movimento contrário à ditadura militar, que atuou entre as décadas de 1960 e 1970. O combate entre guerrilheiros e militares ocorreu na divisa dos estados de Goiás, Pará e Maranhão, deixando mortos 67 opositores à ditadura.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Curió e os militares subordinados a ele chegaram a matar pessoas mesmo estando rendidas e sem apresentar resistência a eles.
“(Os crimes) foram comprovadamente cometidos no contexto de um ataque sistemático e generalizado contra a população civil brasileira, promovido com o objetivo de assegurar a manutenção do poder usurpado em 1964, por meio da violência”, afirmou o MPF.
Em maio de 1980, ele foi designado pelo regime militar interventor em Serra Pelada (PA). Na ocasião, se tornou a única autoridade civil e militar da região. Curió proibiu a entrada de mulheres, cachaça e armas na zona de trabalho. O revólver dele, como costumava dizer, era o que “cantava mais alto”.
A trajetória repressora de Curió foi retradada em livro pelo capixaba Leonêncio Nossa, jornalista que atua em Brasília. O livro tem o sugestivo título “Mata! O major Curió e as guerrilhas no Araguaia”, publicado pela Companhia das Letras.
Denúncias
Em agosto do ano passado, o MPF registrou a 10ª denúncia contra militares por crimes na repressão à Guerrilha do Araguaia. Comandante da operação, Sebastião Curió é acusado em sete das dez ações.
No total, foram sete denúncias pelos assassinatos de dez opositores à ditadura; duas por sequestro e cárcere privado de seis vítimas; e uma por falsidade ideológica.
Vida política
Em 1982, Curió foi eleito deputado federal pelo Pará. Em 2000, ele foi eleito prefeito de Curionópolis, no Pará, cidade que ele mesmo criou com uma auto-homenagem, assumindo o mandato em 2001.
























