Um ex-morador de Barra de São Francisco, J. – ele pediu para não ter o nome divulgado – radicado em Portugal e passando férias no município, disse à reportagem do Tribuna Norte Leste que a migração de brasileiros e africanos e o retorno dos portugueses ao país, está tornando quase inviável a vida no país ibérico.
“A renda (aluguel) é hoje o maior problema dos imigrantes. Está em torno de 800 euros, o aluguel de um apartamento pequeno, situação muito difícil, pois o salário médio por lá é mais ou menos esse valor”, conta.
A mesma situação já havia sido relatada à nossa reportagem por um valadarense aposentado, que já está retornando ao Brasil, na expectativa de melhorias no sistema político e na economia com a eleição de Lula. “Um quarto para casal, custa em torno de 400 euros”, relatou.
Mesmo assim, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal (SEF) divulgou esta semana os dados sobre imigração em 2022 no país e constatou que o número de estrangeiros aumenta pelo sétimo ano consecutivo e já ultrapassa 750 mil. As comunidades que mais cresceram foram a brasileira e a indiana.
Os dados do SEF mostram que Portugal registrou, no final do ano passado, 757.252 estrangeiros com residência no país, 58.365 mais (8,3%) do que em 2021.
Os brasileiros mantêm-se como a principal comunidade estrangeira residente, num total de 233.138 pessoas, 28.444 mais do que em 2021 (13%).
Os brasileiros que moram em Portugal há mais tempo notam este aumento do número de estrangeiros no país, principalmente na capital, Lisboa.
Aumento do custo de vida
A agente de viagens Daniella Chamette, há cinco anos morando em Portugal, acredita que o número crescente de estrangeiros é responsável pela subida do custo de vida no país. “Em cinco anos eu percebo que chegam cada vez mais estrangeiros, não só brasileiros, mas de todas as partes da Europa, Estados Unidos e os preços em geral subiram em tudo, seja arrendamento (aluguel), mercado, restaurantes e tudo o que tem a ver com o turismo. Eu viajo muito e percebo que os preços estão cada vez mais próximos de outros países da Europa e de outros lugares.”
O funcionário público luso-brasileiro Carlos Ribeiro concorda. Ele mora em Portugal desde 2004 e acredita que a chegada de tantos estrangeiros contribui para a queda da qualidade de vida dos cidadãos.
“Nas grandes cidades e nos grandes centros em Portugal, como Lisboa e Porto, o mercado imobiliário, hoteleiro e a restauração explodiram. Muitos estrangeiros de outras partes da Europa e dos Estados Unidos começaram a comprar imóveis aqui e isso aumentou muito o custo de vida. Por exemplo: um aluguel que era € 400 (cerca de R$ 2.200), atualmente pelo mesmo apartamento paga-se € 1.000 (mais de R$ 5.500) e, mesmo assim, é muito difícil conseguir. Quase não há oferta para aluguel e os proprietários, muitas vezes, optam por aluguel de temporada pela quantidade enorme de turistas que o país tem recebido. O aumento no preço dos supermercados também se nota, principalmente nos grandes centros. Tudo isso dificulta a vida de quem já morava aqui, como eu”, desabafa.
Indianos cada vez mais presentes
Os indianos residentes em Portugal aumentaram 13% em 2022, passando de 30.251 para 34.232, e são agora a quarta comunidade mais numerosa no país. Os cidadãos britânicos ocupam a segunda posição na lista de estrangeiros, atrás do Brasil, e já são 36.639. Os nepaleses também estão entre as maiores comunidades estrangeiras em Portugal, com 23.441 cidadãos com residência legal no país, ocupando o lugar dos chineses, na décima posição.
10 maiores comunidades estrangeiras em Portugal
Brasil – 233.138
Reino Unido – 36.639
Cabo Verde – 35.744
Índia – 34.232
Itália – 33.707
Angola – 30.417
França – 27.614
Ucrânia – 26.898
Romênia – 23.967
Nepal – 23.441
Fonte: SEF/Portugal
(Da Redação com g1 Mundo e RFI)






















