Na versão de manifestantes da extrema-direita, que têm feito movimentos ilegais em frente a quartéis do Exército pedindo intervenção militar contra o resultado das eleições do último dia 12, “em dez mil urnas Bolsonaro teve zero voto, o que comprova a fraude”.
Não sabem do que estão falando. Nas eleições de 2 de outubro, mais de 156 milhões de pessoas estavam aptas a votar distribuídas em 2.637 zonas eleitorais e 496.856 seções, no Brasil e no exterior. O tamanho do eleitorado é o maior já registrado pela Justiça Eleitoral. O contingente foi distribuído em 94.028 locais de votação –geralmente escolas públicas.
Não apenas Lula, mas também Jair Bolsonaro tiveram todos os votos em algumas seções eleitorais, mas o número está muito longe das “10 mil urnas”, como querem fazer crer em fake news distribuídas em grupos de troca de mensagens.
Apenas um candidato à Presidência da República foi votado em 147 seções eleitorais do país no segundo turno das eleições 2022. Nessas urnas, foram depositados 16.579 votos válidos – o equivalente a 0,01% do total do Brasil.
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o único candidato votado em 143 seções. Nessas urnas, ele recebeu 16.455 votos, o equivalente a 0,03% dos 60,3 milhões que garantiram sua vitória.
O atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), foi unanimidade em quatro seções, que renderam 124 votos dos 58,2 milhões que recebeu.
Na cidade de Charrua (RS), o fenômeno ocorreu para os dois lados. Lula ganhou sozinho na seção 126, com 302 votos. Já na seção 15, Bolsonaro levou todos os 79 votos válidos.
O atual presidente também foi o único votado em uma seção de Ilha Viçosa, no município de Chaves (PA) e nas duas urnas de Caracas, Venezuela, que foram deslocadas para Bogotá, na Colômbia, pois o Brasil não tem representação no País de Nicolas Maduro.
FAKE NEWS
As seções com votos em apenas em Lula têm sido alvo de fake news desde que o resultado das eleições foi anunciado. Uma das mensagens falsas que mais circula afirma que o fato de Lula ter recebido 100% dos votos em uma seção de Confresa (MT), comprovaria uma fraude eleitoral, já que a cidade e o estado deram ampla vitória a Jair Bolsonaro.
A seção citada nas mensagens, no entanto, fica na Escola Estadual Tapi’itawa, dentro da aldeia indígena Urubu Branco, que declarou apoio a Lula. O presidente eleito recebeu 383 dos 384 votos registrados na seção – um eleitor votou nulo.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) afirmou que todos os eleitores da seção são indígenas e que “é comum neste tipo de localidade, bem como em áreas quilombolas, que haja convergência nos votos”.
A maioria das seções com voto unânime em Lula fica em aldeias indígenas, comunidades ou povoados. Em 22 delas, o local de votação tem “aldeia” no nome. Em 27, tem “comunidade” e em 51 tem “povoado”.
Além dos casos em que realmente só houve votos para um candidato, outras mensagens falsas apenas mentem que Jair Bolsonaro não foi votado em um município que recebeu votos.
É o caso de um vídeo em que uma mulher com vestimentas indígenas afirma que Jair Bolsonaro não teve nenhum voto em Manicoré (AM) e diz que isso é prova de fraude. O atual presidente, no entanto, recebeu 8.056 votos na cidade.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já disponibilizou boletins de urnas de todos os locais onde houve votação, em todos os 5.568 municípios no segundo turno das eleições 2022. É possível conferir também como foi a apuração em cada uma das cidades em um mapa interativo.
AUDITORIA
O presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, aproveitou para lembrar o trabalho realizado pelo Tribunal de Contas da União, que fez, no primeiro turno, conferência dos Boletins de Urnas (BUs). O TCU obteve 4.161 boletins impressos para verificar possibilidade de auditagem, com a comparação dos BUs impressos.
Ele lembrou que, pela primeira vez, o BU impresso de cada urna, além de ficar na porta da seção eleitoral, também foi colocado imediatamente na internet para que todos que quisessem fiscalizar o fizessem.
“Aproximadamente 5,98 milhões de informações foram comparadas, e o Tribunal de Contas afirma que não houve nenhuma divergência encontrada. Isso é muito importante para constatar, seja para observadores internacionais e nacionais quanto para o TCU, a total transparência com que o TSE atuou. Isso porque a Justiça Eleitoral tem absoluta certeza da confiabilidade das urnas eletrônicas, como novamente como foi demonstrada nessas eleições”, salientou. (Da Redação com informações do G1 e do TSE)






























