
A Polícia Federal cumpriu 23 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão em Vila Velha, Serra, Guarapari e Cachoeiro de Itapemirim, na manhã desta quinta-feira, 15. A operação atinge suspeitos de envolvimento na organização de atos antidemocráticos após as eleições de outubro. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão os gabinetes dos deputados estaduais bolsonaristas Capitão Assumção (PL) e Carlos Von (DC), segundo informa o jornalista Vitor Vogas, do site ES360. Agentes da Polícia Federal apreenderam material nos gabinetes dos dois parlamentares.
Os mandados foram expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro atendeu a uma representação da procuradora-geral de Justiça do Espírito Santo, Luciana de Andrade. A operação faz parte do inquérito das fake news, instaurado em 2019 e relatado por Moraes no STF.
A assessoria de comunicação da Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo emitiu a seguinte nota:
“A Polícia Federal no Espírito Santo informa que, na data de hoje, cumpriu 23 mandados de busca e apreensão, 4 mandados de prisão preventiva e outras determinações de medidas diversas (nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Guarapari e Cachoeiro de Itapemirim) determinadas pelo Exmo. Sr. Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Morais, nos autos do Inquérito 4.781/DF, em atendimento à representação da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Espírito Santo (PGJ/ES).”
No momento, não há mais informações sobre alvos dos mandados de prisão e de busca e apreensão.
Contexto
Moraes determinou o cumprimento de mais de 80 mandados de busca e apreensão contra envolvidos em manifestações antidemocráticas, incluindo bloqueios de rodovias e concentrações em frente a quartéis, após a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição presidencial.
Além do Espírito Santo, as buscas foram realizadas em endereços nos estados de Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina. Também há ordens de prisão e de quebra de sigilo bancário.
Desde a derrota eleitoral de Bolsonaro no 2º turno, no dia 30 de outubro, apoiadores do presidente têm bloqueado estradas e realizado acampamentos em frente a quartéis militares no país, incluindo o 38º Batalhão de Infantaria, na Prainha, Vila Velha.
Os manifestantes defendem pautas antidemocráticas, como uma intervenção federal por parte das Forças Armadas (ou seja, um golpe de Estado) a fim de impedir a posse do presidente eleito, marcada para 1º de janeiro.
Na última terça-feira, 13, dia da cerimônia de diplomação de Lula, no TSE, apoiadores do atual presidente promoveram atos de depredação de patrimônio público e privado nas ruas de Brasília, incluindo ônibus e carros incendiados. Também apedrejaram uma delegacia e tentaram invadir a sede da Polícia Federal.
No final da tarde de ontem, 14, o TSE também abriu ações para investigar o atual mandatário da República, Jair Bolsonaro, senador eleito pelo Espírito Magno Malta e mais vários outros políticos.
Investigadores consideram que trata-se da maior ofensiva já realizada conta os financiadores dos atos antidemocráticos.
A ofensiva é aberta três dias após radicais da extrema direita tentarem invadir a sede da Polícia Federal em Brasília, além de atearem fogo a carros e ônibus na capital federal. O estopim para a escalada nas ações dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro foi a prisão do líder indígena José Acácio Serere Xavante, sob suspeita de supostos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A medida foi decretada a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). (Da Redação com Portal Tempo Novo)
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