
Weber Andrade*
Um trabalhador e comerciante de Mantena (MG), procurava, na manhã desta sexta-feira, 28, em Barra de São Francisco, alguém que lhe arrendasse um bar às margens de uma estrada ou lhe comprasse os equipamentos, como congeladores, geladeiras e grades de cerveja vazias. O motivo: Está de viagem marcada para os Estados Unidos. Mário (nome fictício), disse que tinha dois coiotes já ‘cotados’ para levar ele, a mulher e um filho, via México.
“O B. está cobrando R$ 140 mil, o A., quer R$ 150 mil. Eu tenho que pagar R$ 50 mil adiantados e o resto, pago a US$ 5 mil por mês”, relatava ele em conversa com outro comerciante, em Barra de São Francisco.
A história de Mário é uma das muitas que estão acontecendo na cidade mineira, que foi um dos destaques nesta sexta-feira, 28, em uma reportagem do jornal capixaba A Tribuna. Na matéria está a história de uma família capixaba que residia em Mantena e chegou no voo com 211 brasileiros deportados dos Estados Unidos, vindo do Arizona, nesta quarta-feira, 26, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana.
Embora não cite nomes, a matéria relata que a família deportada é composta por um menino de dois anos, a mãe dele, 29 anos e o padrasto, de 40.
“A mãe e o padrasto são oriundos do Espírito Santo, mas antes de irem para os Estados Unidos estavam morando em Mantena (MG). Ainda não falamos com eles, estamos levantando todas as informações necessárias”, disse o delegado federal de Minas, Guilherme Helmer.
O delegado explicou ainda que a maioria das pessoas que chegaram no voo foram presas na fronteira entre o México e o EUA e outras quando o processo imigratório foi julgado e negado pela Justiça americana.
A suspeita do delegado, já confirmada por nossa reportagem aqui em Barra de São Francisco e Mantena – onde o ‘aluguel’ de uma criança custo em torno de R$ 5 mil a R$ 10 mil – é de que boa parte das 90 crianças deportadas façam parte do esquema de famílias fake criado pelos coiotes para facilitar a entrada de imigrantes ilegais nos EUA.
O delegado mineiro confirmou ao jornal A Tribuna que, pelo menos três crianças pertenciam a famílias falsas, configurando tráfico de menores. O delegado não soube informar o Estado de origem dessas crianças, mas ao que tudo indica são de Minas Gerais ou Espírito Santo, onde o esquema está mais desenvolvido.
Veja também
A reportagem aponta ainda que os municípios capixabas no entorno de Mantena são os que mais tiveram deportados, somando 476 pessoas. Mantenópolis é, de longe, o município com mais deportados. Já são 264 pessoas, seguido por Barra de São Francisco (109) e Pancas, com 103. Neste último município, o distrito de Vila Verde se destaca. “Lá, está todo mundo indo embora, conta uma panquense que mora no distrito e vem a Barra de São Francisco semanalmente para fazer aulas numa autoescola.
* Com informações de A Tribuna e g1 Minas Gerais
Veja também





















