O colunita Merval Pereira, de O Globo, que também preside a Academia Brasileira de Letras, analisou o novo movimento dos governadores de direita no Brasil tentando atribuir à facções criminosas que exploram as comunidades a condição de “terroristas”. que tem uma conotação política. Para ele, há uma relação direta com o golpismo.
“Embora as facções criminosas brasileiras tenham nascido de uma estranha combinação aleatória entre guerrilheiros políticos brasileiros presos na Ilha Grande e traficantes, as táticas eventualmente aprendidas e a organização da ação foram o que restou da influência política, e um lema populista “Paz, justiça e liberdade”, em desuso há muito tempo. Não há nenhum vínculo político, religioso, dogmático que justifique a ação de nossos pretensos terroristas, a não ser ganhar dinheiro com atividades ilegais, sejam elas quais forem: drogas de vários tipos, jogos de azar, “gatonet”, construções ilegais e assim por diante.
A questão da segurança pública já deveria ser tratada como prioritária há muito tempo — e não foi por estratégias políticas rasas. Vários governos, de esquerda ou direita, passaram pelo problema e fingiram que não era com eles. Jogaram para cima dos governos estaduais, alegando que assim cumpriam a Constituição. Mas não queriam mesmo é estar próximos de um possível fracasso no combate ao crime organizado. Perdemos, com isso, um tempo enorme. Não fizemos uma legislação adequada, permitimos que as facções criminosas se fortalecessem e se espalhassem pelo país, dominando territórios; não punimos rigorosamente os envolvidos no tráfico de drogas, de armamentos; deixamos que eles se infiltrassem na política, no Judiciário e em órgãos públicos”.
Veja na íntegra:
https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/coluna/2025/11/a-motivacao-e-outra.ghtml


























