Capa: Rodney Miranda como secretário em Goiás. Foto: Fabrício Moreira/Mais Goiás
Depois de comandar a Secretaria de Estado de Segurança Pública da primeira gestão de Ronaldo Caiado (União), o “ex-xerife” da segurança pública do Espírito Santo, Rodney Miranda, agora, é assessor da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Na entidade dos ruralistas, Rodney é consultor de segurança no campo desde 2018, com suspensão do contrato no período em que foi secretário de Goiás, de 2019 a 2022. Depois, voltou em 2023.
Apesar dos bons resultados colhidos na pasta da Segurança Pública, Rodney não conseguiu em Goiás o mesmo êxito político do Espírito Santo, onde foi eleito deputado estadual, depois, prefeito de Vila Velha e, ainda, suplente de deputado federal.
Candidato a deputado federal pelo Republicanos por Goiás em 2022, teve apenas 4.869 votos. Isso mesmo depois da grande exposição de mídia com a perseguição de 20 dias em junho de 2021 ao assassino em série Lázaro Barbosa, que mobilizou um grande aparato policial no Brasil Central.

REDUÇÃO DE CRIMES
Quando chegou a Goiás, que se destaca pela grande atividade do agronegócio, Rodney conta que encontrou uma situação dramática na violência, em especialmente no campo, além de falta de recursos públicos.
“As pessoas não tinham coragem de dormir com a família numa fazenda. Depois do trabalho que fizemos, que já mostrou resultados no primeiro ano, a situação mudou completamente”, relata Rodney.
Especialmente no campo, Rodney diz que a política adotada em sua passagem pela Secretaria de Segurança levou à redução de -90% dos crimes de roubo e -70% nos furtos. Por meio da CNA, procura levar a experiência de Goiás para outros Estados.
“É uma questão de gestão. Tive facilidade com o governador Caiado porque ele me deu autonomia. Eu escolhi o comandante da PM e o Delegado Geral da Polícia Civil. Outro fator que ajudou foi que eu fiz a parte de segurança do programa de governo dele e participei da transição”, conta.
Os resultados, porém, não vieram apenas no campo: “Em Goiânia, havia de 30 a 35 roubos de carro por dia e reduzimos a cinco por dia em todo o Estado, com 246 municípios. Se for candidato a Presidente da República, esse vai ser o discurso dele, solução para a segurança pública”.
GESTÃO
No caso específico do campo, Rodney salienta a boa interlocução estabelecida entre a Polícia e os Produtores Rurais, com ferramentas e tecnologia. Desde que assumiu, o foco principal era resolver o problema da violência no meio rural.
“Encontramos uma situação caótica, sem recursos para abrir novos concursos . Mas, com gestão, criamos o Batalhão Rural e a Delegacia de Combate a Crimes Rurais. Coloquei no comando um coronel que fez carreira no interior, fizemos um curso de formação de patrulhas rurais treinando 200 homens na época”, relata.
São utilizados veículos adequados nas patrulhas rurais, drones, armamento pesado, interlocução direta com os proprietários, as propriedades são georeferenciadas e cadastradas.
“Criamos grupos por aplicativos de mensagem. A Patrulha Rural passa, visita a propriedade, cadastra todas as famílias e trabalhadores. Quando chega gente nova, a polícia levanta seu histórico. Se tiver problemas com crimes, agimos preventivamente. Antes, os produtores nem registravam ocorrência, e a polícia também não atendia. Hoje são parceiros da polícia. Se aparece alguém suspeito, o contato é feito e de imediato a polícia vai ao local para esclarecer”, comenta Rodney.
APLICATIVO
Agora, está em teste em Goiás um aplicativo a ser utilizado pela Polícia e pelos proprietários rurais onde todas as pessoas das propriedades são cadastradas, inclusive os trabalhadores, o que Rodney acredita que vá aumentar ainda mais o controle.
Outro tipo de crime que desapareceu em Goiás foi o chamado novo cangaço. “Há muito dinheiro no campo, isso atrai prosperidade, mas atrai também vagabundo. Mas aqui a polícia chega para decidir. Até as mortes em confronto hoje são menores do que a média no Brasil”, observa.
Fazer essas mudanças, entretanto, não é fácil e nem simples, salienta Rodney: “É preciso boa vontade política de fazer. Tem que contrariar interesses muitas vezes. As pessoas não querem acreditar, mas tem jeito”.
Através do trabalho da CNA, Rodney diz que está levando a experiência de Goiás para outros Estados:
“Estamos fazendo a interlocução com os governos dos Estados. Fizemos um encontro, vieram 20 Estados. Muitos já estão implantando suas políticas e começando a colher resultados. Passamos o que aprendemos aqui”.

QUEM É RODNEY
Rodney Rocha Miranda é natural de Brasília, delegado aposentado da Polícia Federal. Graduado em Administração de Empresas (1988) e Direito (1993) e pós-graduado em Carreiras Jurídicas pela Escola Superior da Magistratura do Distrito Federal.
Na PF, foi chefe da Delegacia de Prevenção e Repressão a Entorpecentes da Superintendência de Brasília e trabalhou também na Coordenação de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais.
Foi membro do Núcleo de Combate à Impunidade do Ministério da Justiça, o que o levou a participar de grandes operações, em investigações com presos políticos conhecidos nacionalmente.
Entre os casos em que atuou, estão o “Caso Lunus”, envolvendo o marido de Roseana Sarney, e casos de Jader Barbalho, Hildebrando Pascoal e Luiz Estêvão.
No Espírito Santo, foi secretário de Segurança Pública e Defesa Social entre 2003 e 2005. Nesse período, foi o “xerife” do governo de Paulo Hartung no discurso do combate ao crime organizado e logo no primeiro ano o assassinato do juiz Alexandre Martins Filho foi o grande desafio de sua gestão.
Em 2005, deixou a pasta em meio a grande desgaste provocado pela polêmica envolvendo escutas telefônicas, quando um dos telefones do jornal A Gazeta foi grampeado. Foi atuar na mesma pasta em Pernambuco em 2006, no governo de Jarbas Vasconcelos.
Depois, com a reeleição do governador Paulo Hartung, voltou para o Estado como secretário entre 2007 e 2010, ano em que elegeu-se deputado estadual. Depois, em 2012, elegeu-se prefeito de Vila Velha, perdendo a reeleição em 2016.
No ano de 2018, candidatou-se a deputado federal pelo PRB no Espírito Santo e ficou na primeira suplência, com 42.829 votos.
Foi secretário de Segurança em Goiás de 2019 a 2022. No meio do caminho, pediu afastamento em 8 junho de 2020, depois de ser acusado por um primo do governador de ter grampeado o telefone dele e ter se apropriado de dinheiro do Corpo de Bombeiros.
Voltou no dia 25 do mesmo mês, depois que inquérito policial concluiu “não haver elementos indicativos, de peculato ou interceptação”.
Hoje, dá consultoria para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e apresenta, na Band, o programa de televisão semanal “Segurança no Campo”. (José Caldas da Costa – Da Redação)























