
O capitão Vitor Prates, chefe da Comunicação Social do 11° Batalhão de Polícia Militar (BPM), informou nesta terça-feira, 22, que a Polícia Militar não compactua com qualquer ação criminosa de qualquer servidor que esteja nos quadros da corporação e que “toda e qualquer infração será rigorosamente apurada e exemplarmente punida, caso comprovada a autoria e a materialidade, mediante o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório.”
A declaração se refere ao policial militar reformado Roberto Nei, preso na manhã de ontem com um arsenal de armas de fogo, além de uma verdadeira fábrica de dinheiro e documentos de identidade falsos. Ainda ontem, no início da noite, a própria PM divulgou fotos do material apreendido no apartamento do policial, notícia publicada em primeira mão pelo site tribunanorteleste.com.br, ainda durante o flagrante, que aconteceu por volta das 11h da manhã.
De acordo com o capitão Prates, o caso será encaminhado à Corregedoria da PM, que avaliará se o suspeito aproveitou-se de sua condição de soldado reformado para praticar os crimes.
“Caso seja comprovada a relação de causa e efeito e também a depender das condições psicológicas e psiquiátricas desse soldado, pode acontecer de ele perder a condição de soldado reformado. Ele teria a carteira de policial reformado recolhida, e isso faria também com que ele não possa ter mais o porte de arma e se valesse das prerrogativas de polícia militar do Espírito Santo”, disse.
O policial será encaminhado ao Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Vitória.
De acordo com a Polícia Civil, o policial militar reformado, 49 anos, foi preso durante operação realizada pela 14ª Delegacia Regional de Polícia Civil (DRPC), de Barra de São Francisco, em conjunto com o 11º BPM, no centro.
As investigações começaram a partir de um derrame de notas falsas na cidade nos últimos meses, fato também noticiado com exclusividade pela nossa reportagem no final do ano passado, quando vários comerciantes e consumidores começaram a reclamar do ‘derrame’ de notas falsas na cidade.
Um conhecido criminoso da cidade, chegou a ser preso com dezenas de notas falsas no centro da cidade, em novembro do ano passado, mas acabou solto poucos dias depois.
Também no ano passado, um vendedor de picolés foi vítima de um golpe, ao vender o celular para uma pessoa que o enganou, entrando em um banco para ‘retirar o dinheiro’ – R$ 1.000,00 – que, depois, o vendedor descobriu ser dinheiro falso, mas não se sabe ainda se as notas de R$ 100 foram adquiridas junto ao PM reformado.
As diligências que chegaram ao PM reformado foram realizadas, após diversos comerciantes locais começarem a registar o boletim de ocorrência na Delegacia, informando que estavam recebendo notas falsas de dinheiro. A partir daí, foi instaurado um Inquérito Policial (IP), que conseguiu identificar a pessoa que estava produzindo-as.
“Eu cheguei a receber várias notas falsas de R$ 2,00, dentro de um pacote de notas. Pedi uma pessoa para trocar R$ 50,00 em notas de R$ 2,00 para mim e quando ela voltou, fui contar as notas e comecei a perceber a diferença entre elas, mais da metade, eram falsificações grosseiras”, disse um comerciante do centro, que pediu para não ter seu nome divulgado.
“Após identificar o suspeito, representamos pelo mandado de busca e apreensão, que foi expedido pelo Poder Judiciário, e deflagramos a operação com a Polícia Militar. No local, além de localizarmos papel moeda e as notas falsas que ainda não tinham sido cortadas, encontramos três revólveres sem registro, muitas munições e diversos produtos de furto e roubo”, disse delegado regional de Barra de São Francisco, Leonardo Forattini.
Polícia Federal
Durante a operação, foram apreendidos um computador e a impressora que era utilizada para a fabricação das notas falsas, além de várias carteiras de identidade falsas com a foto do militar e de outras pessoas. As investigações apontam que o suspeito fabricava as cédulas de dinheiro e as vendiam para moradores da região por um valor menor que, geralmente, eram utilizadas para comprar produtos em bares e festas.
O suspeito foi autuado em flagrante pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo e falsificação de documento público, sendo encaminhado, posteriormente, ao Sistema Prisional. Foi instaurado um Inquérito Policial para apurar a questão da receptação. Já o inquérito sobre as cédulas será encaminhado à Polícia Federal.
Veja também
Exclusivo: Confira fotos das armas e dinheiro falso apreendidos em Barra de São Francisco























