Quatro municípios da região noroeste do Espírito Santo tiveram 583 pessoas deportadas dos Estados Unidos desde 2017, segundo um balanço divulgado pela Polícia Federal nesta segunda-feira, 13.
O município de Mantenópolis que foi alvo de uma operação policial recente, em um escritório de despachante que agendou mais a retirada de mais de 400 passaportes (saiba mais abaixo) tem, segundo a Polícia Federal, o maior número de pessoas do Espírito Santo deportadas dos Estados Unidos. Desde 2017, 254 pessoas foram presas e trazidas de volta para o Brasil após tentarem entrar de forma ilegal no país.
Em segundo lugar na lista das cidades capixabas com o maior número de pessoas deportadas dos EUA está a capital, Vitória. Ao todo, 142 pessoas já foram pegas tentando entrar nos Estados Unidos sem autorização.
Colatina teve 117, Barra de São Francisco 109, Vila Velha 106 e Pancas 103 registros de pessoas deportadas dos Estados Unidos, de acordo com os dados da Polícia Federal.
Ainda de acordo com o delegado Guilherme Helmer, a busca por emprego pode ter relação com a migração ilegal, principalmente quanto se trata de pessoas que não têm qualificações profissionais.
“As pessoas querem trabalho. Na verdade, está faltando garçom, babá, diarista, motorista. As empresas de logística querem pressionar o governo para que os EUA passe a importar motoristas. O que a gente nota quando investiga é que, normalmente, existe uma organização estruturada. Elas aliciam pessoas com interesse de trabalhar nos EUA e imigrar”, disse.
A política de imigração dos Estados Unidos mudou recentemente. O delegado explicou que, durante um período, os EUA dividiam os núcleos familiares.
“A separação da família é uma violação aos Direitos Humanos. Até hoje, existem 545 crianças e adolescentes de várias nacionalidades que o Governo não consegue encontrar. Por isso, foram feitos centros de detenção provisória. O prazo máximo nesse centro é de três dias. Se não resolver a situação da família, ela é colocada em liberdade com o compromisso de comparecer as intimidações”, contou.
Com a mudança, de acordo com o delegado, se uma família for detida e o centro estiver cheio ela é imediatamente colocada em liberdade.
“Se é solteiro e é preso, a patrulha já o deporta. Vendo isso, o que os organizações fizeram: começaram a montar famílias falsas. Eles fogem da regra para fraudar uma família”, disse.
Ainda segundo as investigações, em situações extremas, há quem escolha por “alugar uma criança”.
“Um colega viu uma criança sendo usada por três grupos diferentes. Essa não é a situação usual. A usual é o ‘coiote’ ter um preço máximo e mínimo. Quando tem um homem ou mulher com um filho ou dois, ele pede pra usar essas famílias, variando de 30 mil dólares por criança”, contou.
Na imigração ilegal, “coiote” é o nome dado à pessoa que conduz os imigrantes de forma clandestina pelas áreas de fronteira, mediante um pagamento.
Coiote no ES: mandado de prisão foi cumprido em Fundão
Em Fundão, na região metropolitana, a Polícia Federal cumpriu um mandado de prisão em uma casa.
“Eles juntavam 10, 15 pessoas e embarcavam. Essas pessoas tinham pouca qualificação. Elas entregam tudo para o ‘coiote’. No mínimo de R$ 12 mil a máximo de R$ 30 mil. A partir do momento que elas contratam o ‘coiote’, tudo é custeado por ele”, explicou o delegado.
As pessoas que foram encontradas com os coiotes, segundo a polícia, foram encaminhadas para o atendimento social nos Cras. O delegado destacou que o desejo de imigrar, neste caso, não é considerado crime, mas sim o aliciamento das pessoas.
“Quem quer imigrar não comete crime. Crime é aliciar essas pessoas para viajar. Se a gente descobre que alguém está querendo migrar, a gente liga e fala sobre os riscos da viagem. O criminoso não é ele, o criminoso é o coiote”, frisou.
Ainda de acordo com a polícia, a organização criminosa também atua em outros estado como Minas Gerais e São Paulo. As investigações vão continuar para identificar e prender outras pessoas que fazem este tipo de aliciamento. (Da Redação com Folha Vitória)


























