Uma mulher trans morreu após ser atingida por um tiro disparado por um agente da Guarda Municipal de Vitória, na noite deste domingo (15), na Praça Costa Pereira, no Carnaval do Centro de Vitória. O agente disparou após a mulher trans não obedecer a ordem de cesssar uma agressão a outra trans, numa briga, conforme relato de testemunhas.
A GCM interveio para evitar que Natasha Lucas do Nascimento, 27 anos, armada de uma faca, atingisse a outra outra mulher, mas, segundo relatos de testemunhas, furiosa, Natasha continuou tentando acertar a desafeta. O agente avisou para parar, caso contrário seria obrigaado a atirar. Ela não parou, o agente fez um disparo, que acabou sendo fatal.
Essa morte por intervenção de agente público é contabilizada à parte no Observatório da Secretaria de Estado de Segurança Pública, onde o Painel de Homicídios aponta que as mortes intencionais continuam em alta de dois dígitos no Espírito Santo em 2026, contrariando a tendência de queda dos últimos cinco anos que levou, em 2025, ao registro do menor número de homicídios do Estado na série histórica de 30 anos.
Até o dia 15 de fevereiro, segundo dia de Carnaval, o Estado já registrou 125 homicídios em 2026, aumento de 10,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 113.
CAPARAÓ
A região com pior desempenho neste ano é a Serrana, que sempre disputou com a Sul a condição de mais pacífica. Neste ano, já foram oito homicídios, aumento de 300% em relação aos dois de 2025. Metade dos crimes contra a vida da Serrana ocorreram nos municípios do Caparaó sob influência da BR 262 neste ano: dois em Ibatiba, um em Ibitirama e outro em Muniz Freire.
Os outros quatro foram em Brejetuba (dois), Venda Nova do Imigrante e Marechal Floriano.
Os 11 municípios capixabas da Serra do Caparaó estão distribuídos em duas Áreas Integradas em duas Regiões Integradas de Segurança Pública (RISP) diferentes, no planejamento do Programa Estado Presente: na Serrana, sob influência da BR 262, e na Sul, sob influência da BR 482. Somados, alcançam cerca de 230 mil habitantes, o que representa em torno de 5,5% da população de todo o Espírito Santo.
A AISP 03 (do 3º Batalhão da PM) teve apenas um homicídio este ano, em Alegre, com redução de 66% em relação aos três no mesmo período do ano passado.
No total, a Região do Caparaó, propriamente dita, teve cinco homicídios, o equivalente a 4% do número total do Estado, portanto, proporcionalmente inferior à participação populacional.

A cidade há mais tempo sem homicídios no Espírito Santo está no Caparaó: Dores do Rio Preto, com 1.372 dias (o último foi no dia 15 de maio de 2022). Município contíguo, Divino de São Lourenço está há 410 dias.
Somando os dois municípios, a população é de pouco mais de 12 mil habitantes. Guaçuí, também vizinho territorial desses dois, está há 322 dias sem crimes intencionais contra a vida.
“Em nossa região, homicídios têm relação, geralmente, com o tráfico de drogas ou passionalidade”, destaca o delegado Jorge William Cabral, de Ibitirama, sede do Pico da Bandeira.
METROPOLITANA
O período do Carnaval inteiro de 2025 teve oito homicídios no Estado. De sexta-feira (13) até domingo (15) já foram oito e teve mais um nesta madrugada, no bairro Segato, em Aracruz. Durante o domingo houve três homicídios: em Santo André (Cariacica), Residencial Coqueiral (Vila Velha) e Humaitá (Linhares).
A Região Metropolitna está com aumento de 23,1% no número de homicídios este ano, saltando de 52 para 64 mortes intencionais até 15 de fevereiro. A liderança dos casos no Estado é de Serra, que, com 21 homicídios, teve um aumento de 40% sobre os números de 2025 (15). Vila Velha vem em seguida com 17 homicídios, aumento de 70% em relação ao mesmo período de 2026, quando registrou 10. Cariacica também aumentou de 13 para 16, elevação de 23%.
No interior, Linhares lidera as ocorrênicas, com 10 crimes, sendo a quarta cidade do Estado nessas ocorrênicas. Porém, em relação ao ano passado, é o mesmo número.
SÃO MATEUS
Inundada por estimadamente, 200 mil pessoas para curtir o Carnaval de Guriri, São Mateus registrou o último homicídios na quinta-feira (12) e soma seis este ano, uma queda de 34% em relação aos nove do ano passado. O Carnaval da cidade está sem crimes contra a vida.
O Norte está com redução de 21,9% no númereo de homicídios em relação a 2025. Caiu de 32 para 25 nesse período. Linhares responde por 40% dos casos. Seguida de São Mateus com seis, Sooretama e Jaguaré com três em cada um. Portanto, 22 dos 25 homicídios da região foi no território entre Linhares e São Mateus.
O Noroeste, pelo contrário, aumentou em 29,4% – de 17 para 22.Seis desses crimes estão relacionados à guerra entre Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro em Barra de São Francisco – cinco mortes foram na cidade e uma foi em Mantenópolis, na zona rural, para onde a vítima foi levada para ser morta.
Em relação a 2026, a cidade está com aumento de 150% nos homicídios, mas, desde a prisão de figuras importantes no tráfico da cidade, as mortes cessaram. Outra cidade com número de mortes proporcionais a Barra de São Francisco é Montanha, que já teve três crimes este ano, todos relacionados ao tráfico. Colatina também teve três, mas com população seis vezes maior que Montanha.
A região Sul lidera, mais uma vez, a redução de homicídios. Nos 36 primeiros dias do ano, registrou apenas seis homicídios, redução de 40% em relação aos 10 do ano passado. Os crimes foram em Cachoeiro de Itapemirim (dois), Alegre, Castelo, Itapemirim e Apiacá. (Da Redação)






















