Depois de celebrar ao fim de dezembro mais um ano com redução de homicídios, o Espírito Santo terminou o primeiro mês de 2026 com aumento de 8,4% no número de mortes provocadas intencionalmente.
Neste sábado (31), foram três homicídios, mantendo a média diária do mês – em Cariacica (Novo Brasil), Fundão (Praia Grande) e Sooretama (centro). Com isso, janeiro teve 90 homicídios, ante 83 do mesmo mês em 2025.
A elevação dos números de janeiro projetam aumento da taxa anual de homicídios de 19,3 para 25,67 homicídios por 100 mil habitantes.
O aumento sazonal é apontado pelas autoridades como resultado da movimentação de organizações criminosas para tomar, à bala, regiões para o tráfico. Isso ocorreu principalmente na Serra, que liderou os índices de janeiro.
O homicídio de sábado em Sooretama, Norte do Estado, foi na região da Baixada, de intensa movimentação do tráfico de drogas. Quando a Polícia Militar chegou, por volta das 22 horas, encontrou o corpo de um homem caído e uma poça de sangue provocada por tiros a cabeça.
Na madrugada deste domingo (01), um homicídio em Mucuri, município de Cariacica, abriu as estatísticas de fevereiro.
FEMINICÍDIOS CAEM
Em contrapartida aos homicídios em geral, o número de crimes intencionais contra mulheres pela condição de gênero caiu 66,6% em janeiro: em 2025 foram seis e em 2026 apenas dois.
REGIÃO METROPOLITANA LIDERA
Organizações criminosas acentuaram a guerra para controle territorial na Região Metropolitana, o que levou a um significativo aumento de mortes na Grande Vitória.
Com 48,98% da população do Estado, os seis municípios da Região Integrada de Segurança Pública (RISP) Metropolitana tiveram 49 dos 90 homicídios do Espírito Santo em janeiro (54,44%).
Com a maior população da região (579.720), Serra registrou 21 homicídios em janeiro, 110% maior que os 10 de 2025, resultado do recrudescimento da guerra entre TCP e PCV pelo movimento do tráfico na região.
Essa guerra vem crescendo desde agosto de 2025, quando um ataque desastrado do TCP em Balneário Carapebus alvejou uma família inocente, matou uma menina de 6 anos e deixou mãe e pai feridos.
A partir dali, a situação desandou na Serra, enquanto também ocorriam conflitos em Vila Velha e Viana, principalmente.
Para enfrentar a situação, a cúpula da Segurança Pública trouxe para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) da Região Metropolitana o delegado Fabrício Dutra.
Dutra é “caveira” e chefiou a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), grupo de elite da Polícia Civil do EspíritoSanto(PCES) e havia sido enviado para a Superintendência Regional Norte com a missão de reduzir os homicídios na Região.
PRISÃO DO “SICÁRIO”
Uma operação bem sucedida da Delegacia de Homicídios da Serra, chefiada pelo delegado Rodrigo Sandi Mori, levou à prisão do principal braço armado do PCV, Luiz Fernando de Jesus Santos Brum, de 36 anos, apontado como responsável pela onda de ataques na Serra.
Luiz Fernando, o Barba, era do TCP e migrou para o PCV após um desentendimento por causa do ataque que vitimou a família em Carapebus. Barba matou seu chefe do TCP e foi recrutado pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV), associado ao Comando Vermelho (CV) no Espírito Santo.
Conhecedor das bases do TCP, Barba formou seu “exército” de bandidos, fincou base na região do Pantanal, em Serra Dourada II, e de lá deferia ataques para tomar territórios. O último deles no domingo passado (25.01), em Santo Antônio, Serra Sede, matando um inocente.
Barba foi cercado pela equipe de Sandi Mori e reagiu junto com seu bando. A Polícia revidou. Três “soldados” de Barba morreram e ele e um outro elemento foram baleados e presos.
A Polícia Civil continua investigando as ligações de Luiz Fernando e já sabe que obedece as ordens de um “chefe” que está no Rio de Janeiro. Também não descarta ligações poderosas de Luiz Fernando no Estado.
Caso Alice, 6 anos: Polícia prende homem que atacou família por engano e mata três do PCV na Serra

























