Weber Andrade*
A eleição de outubro deste ano está mexendo com força no tabuleiro político do Espírito Santo, com articulações em todos os ‘lados’, desde a esquerda à direita, passando pelo centro – de esquerda ou direita, com vistas, principalmente ao cargo máximo, que é o de governador do Espírito Santo.
Além do próprio governador, já aparecem como pré-candidatos, o senador Fabiano Contarato (PT), Carlos Manato (PL), o ex-prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), o atual presidente da Assembleia Legislativa (Ales), Eric Musso (Republicanos), o Supeitendente da Polícia Federal, Eugenio Ricas (sem partido) e, agora, Felipe Rigoni, recém-filiado ao União Brasil.
Nesta quinta-feira, 10, a coluna “De Olho o Poder”, da jornalista Fabiana Tostes, no site Folha Vitória, informo que o deputado federal Felipe Rigoni, vai comandar o União Brasil no Espírito Santo. A decisão é da Executiva Nacional e vem após um impasse que foi criado na legenda com a queda de braço entre o deputado e a família Ferraço.
A princípio, antes da formação do novo partido – que resultou da fusão entre DEM e PSL –, o acordo era que o ex-senador Ricardo Ferraço, que presidia o DEM, ficasse no comando da nova legenda. Isso já estaria acertado entre Ricardo, o deputado estadual Coronel Quintino – que presidia o PSL – e o deputado Rigoni. Também teria ficado acertado que o partido teria uma candidatura própria na disputa majoritária.
Mas a decisão de Rigoni de ser pré-candidato ao governo – decisão que, segundo ele já disse à coluna da jornalista Fabiana Tostes, não é só dele, mas do partido – colocou o deputado e o ex-senador em lados opostos. De um lado, estaria Ricardo, contrário ao lançamento de uma candidatura ao governo pelo partido e caminhando mais próximo ao governador Renato Casagrande – nos bastidores haveria a tentativa de uma costura para que Ricardo fosse vice de Casagrande. De outro lado, Rigoni, que teria batido o pé e se recusado a retirar a pré-candidatura.
Como quem dá as cartas, ou melhor, a legenda para a disputa é o presidente partidário, o embate também passou a ser pelo comando do União Brasil capixaba. Rigoni, antes mesmo de se filiar, havia dito que só entraria num partido que lhe desse a oportunidade de estar numa posição de comando. Não necessariamente presidente, mas que pudesse organizar seu projeto rumo ao Palácio Anchieta. Com a suposta oposição de Ricardo à candidatura de Rigoni ao governo, ter o comando do partido então passou a ser fundamental para o deputado.
Ex-senador Ricardo Ferraço
Há três semanas o impasse teria chegado à Executiva nacional e, depois de várias reuniões, o presidente do União Brasil, Luciano Bivar; o vice-presidente, Antônio de Rueda; e o secretário-geral, ACM Neto, teriam decidido, nesta quinta-feira, 10, deixar o partido com Rigoni. A família Ferraço seria informada na noite de ontem.
Nos bastidores, o clima interno do recém-formado partido é de desgaste e de que não há espaço para as duas lideranças. Por isso, é praticamente dada como certa a saída de Ricardo do União Brasil. A deputada federal Norma Ayub, esposa do deputado estadual Theodorico Ferraço (pai de Ricardo) já estaria até conversando com outras legendas, como o PSD, para se filiar e tentar a reeleição. Ainda na noite de ontem, Theodorico teria telefonado para parlamentares de outros partidos sinalizando que iria deixar a legenda.
Ricardo e Theodorico foram procurados, mas não retornaram aos contatos da coluna. Rigoni também foi procurado e confirmou que será o novo presidente do União Brasil no Estado. O comando é por comissão provisória e a nominata do partido deve sair na semana que vem.
O União Brasil é hoje o partido com a maior bancada na Câmara Federal, o que corresponde a muito tempo de propaganda em rádio e TV e muitos recursos para jorrar em campanhas. É a “noiva” que praticamente todos os partidos querem levar para o altar e que costuma deixar de coração partido os que não são escolhidos.
Quintino fica?
O deputado estadual Coronel Alexandre Quintino, que presidia o PSL antes da fusão, é aliado de primeira hora do governador Renato Casagrande e também caminhava na possibilidade do partido fechar aliança com Casagrande e indicar o nome do vice na chapa. Com o comando mudando de mãos também é incerto se o deputado continua no partido.
Na entrevista que deu ao programa “De Olho no Poder com Fabi Tostes”, na rádio Jovem Pan News Vitória, Rigoni não descartou a possibilidade de conversar com o governador Casagrande a respeito de aliança na eleição de outubro. Ele chegou a dizer que não tinha nenhuma objeção ao governador, embora tenha dito que é hora de mudar o ciclo.
“O União Brasil capixaba quer ter uma candidatura própria. Estamos conduzindo esse projeto, não só eu, o partido está conduzindo esse projeto. Se lá na frente não se tornar uma candidatura própria, é óbvio que vai discutir com muita gente, não só com Casagrande. Mas isso vai ser decidido muito lá na frente”, disse, à época.
Linhares x Cachoeiro
Chama a atenção o partido se chamar “União” e no Espírito Santo o partido estar, literalmente partido, entre uma liderança do Norte do Estado (Rigoni, que é de Linhares) e a família Ferraço, do Sul (Cachoeiro).
* Com informações da coluna De Olho no Poder, de Fabiana Tostes/Folha Vitória
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