*José Caldas da Costa, editor-sênior
Dois elementos são fundamentais para o desenvolvimento de uma região: a disponibilidade de água e a oferta de energia.
Quando se falou na instalação de uma fábrica da Ford no Norte do Espírito Santo no final dos anos 90, o professor Jean-Louis Boudou, do Departamento de Geografia da Ufes, asseverava que isso jamais aconteceria por falta de água.
Soava estranho em função de mananciais como o Rio Doce e a Lagoa Juparanã, abastecida pelo rio São José. ‘É insuficiente e também não tem energia”, dizia ele.
Certo ou não, Boudou era uma dos mais respeitados geógrafos do Brasil e a Ford se instalou na Bahia.
CLARÃO
A água continua escassa, com a agravante da contaminação do rio Doce e seu delta oceânico pela lama de Mariana, crônica de uma tragédia anunciada, segundo o Ministério Público Federal, tomando por base relatório de uma auditoria externa entregue 30 dias antes.
A oferta energética, porém, parece ser algo cuja escassez vai ficando para trás, com o avanço na instalação do “linhão” de alta tensão de 500 kv, entre Medeiros Neto (BA) e João Neiva (ES), com 283km.
Essa linha faz parte de um circuito de 665km que alcança Minas, Espírito Santo e Bahia com o objetivo de aumentar a confiabilidade energética do Sistema Integrado Nacional (SIN) e a segurança de atendimento ao mercado consumidor.
O licenciamento do projeto é conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), assim como todos aqueles em ponto de bala no Espírito Santo e no Brasil.
A CEMIG ganhou em dezembro o leilão de uma linha de 145km entre Governador :Valadares (MG) e Verona (São Mateus-ES) e já começa as desapropriações no Norte do Estado e leste de Minas.
O empresário ÂngeloCoutinho(da Empresa de Luz e Força Santa Maria) planeja em São Mateus uma planta de geração de energia construindo uma hidroelétrica no Rio Cricaré, em Nestor Gomes.
Nesta sexta-feira (14.02.2025), executivos da Petrocity Energia (parceria com a Badin Energia e a portuguesa GALP) inscreveram a empresa no leilão de energia a ser promovido pela ANEEL e que, se conquistado, permitirá o investimento de R$ 7,5 bilhões numa termoelétrica em São Mateus, com capacidade de 1,84 gigawats.
No final do ano passado, a Assembleia Legislativa aprovou projeto do Governo do Espírito Santo concedendo tratamento tributário diferenciado a empresas ou consórcios que apresentarem novos projetos de geração termoelétrica até 2032.
E, nesta quinta-feira (13), o grupo Petrocity e a ES Gás iniciaram, durante evento da RedePetrus, entendimentos para que a empresa distribua, em cidades capixabas, o gás que, segundo o grupo, vai chegar por um gasoduto junto à sua linha ferroviária.
E não apenas isso. No projeto, também em tramitação no Ibama – para emissão da licença provisória e, depois, a de instalação -, uma infovia para levar, ao longo de seus 2.160km, de São Mateus a Mara Rosa (GO), dados em altíssima velocidade que permitirão um nova era de desenvolvimento numa faixa, até então, escura do território brasileiro.
As ferrovias da Petrocity são as primeiras da história do Novo Marco Legal (que criou a modalidade das ferrovias autorizadas, 100% com capital privado) a obterem da ANTT a Declaração de Utilidade Pública para desapropriação de terras ao longo de seu leitor.
Desenvolvimento econômico e social promove a emancipação das pessoas. E somente são livres as pessoas emancipadas da tutela de quem quer que seja.
*José Caldas da Costa é geógrafo e jornalista com mais de 50 anos de carreira, editor-sênior da TNL
























